Debate na TV
De agosto do ano passado até abril deste ano, 30 moradores de rua foram assassinados em Goiânia. O assunto, que ganhou repercussão nacional e, inclusive, motivou audiência pública na Casa nesta quarta-feira, 17, por iniciativa do deputado Mauro Rubem (PT), foi tema do programa Opinião da TV Assembleia. A discussão vai ao ar nesta quarta-feira, 17, às 19 horas, pelo canal 8 da Net e pelo site.
Para falar sobre o assunto, participam do programa o delegado e deputado, Marcos Martins (PSDB); e a coordenadora substituta do Centro de Apoio dos Direitos Humanos do Ministério Público, promotora Simone Disconsi de Sá Campos.
“O fato é que são crimes de difícil elucidação porque acontecem nas ruas. Com base nas investigações, nós acreditamos que existe uma relação entre esses assassinatos e o uso e o tráfico de drogas. Não existe uma padronização entre os fatos e as condutas que levem a crer que seja um grupo de extermínio”, adiantou a promotora.
Ambos os convidados se posicionaram contrários à declaração da ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da presidência da República, Maria do Rosário Nunes, em que ela cogita a federalização das investigações. Inclusive, o Programa exibiu uma sonora do representante da ministra, Marco Antônio Juliano, que reforça essa posição.
“Acho muito frágil essa expectativa da ministra. Isso traria descrédito às polícias e ao MP. Desta terça-feira para cá, foram realizadas seis prisões de envolvidos nos crimes. Portanto, temos a estrutura necessária. Digo que a segurança pública é o último estágio nesse caso, pois temos que ver o antes, ou seja, a situação social dessas pessoas”, disse o deputado.
Segundo números divulgados pela Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) e a Pastoral da Igreja Católica, a cidade apresenta aproximadamente 900 moradores de rua ou em situação de rua. Para Simone Disconsi, a Casa de Acolhida Cidadã, criada pela Prefeitura de Goiânia com recursos do Governo Federal e que recebe essas pessoas, funciona apenas como uma casa de passagem.
“A Casa de Acolhida não apresenta condições de encaminhamento e de tratamento, portanto é importante apenas para o primeiro momento”, ressalta a promotora.
Na oportunidade, Marcos Martins fez algumas comparações da atual situação dos moradores de rua com outras, que iniciaram na década de 90. “Em 1990, começaram os grandes sequestros em Goiás, então criamos um grupo, reduzindo todas as estatísticas. Em um segundo momento, com a migração de bandidos vindos do Nordeste, aumentaram os assaltos em bancos, consequentemente, montamos um grupo e em um ano reduzimos os números. Em seguida, vieram os roubos de cargas em Goiás, quando adotamos o mesmo procedimento. Ou seja, esse assunto da situação dos moradores de rua precisa de união, precisamos juntar forças para resolver”, destacou o parlamentar.
Simone lembrou que a localização geográfica da Capital, aliada ao fato de ser anunciada com o título de melhor qualidade de vida do Brasil, atrai muitas pessoas em situação vulnerável, principalmente oriundas do Entorno de Brasília.