Deputados repercutem no Plenário onda de protestos que tomou as ruas do País
No Plenário e em entrevistas para a Agência Assembleia de Notícias, parlamentares repercutiram nesta terça-feira, 18, as manifestações populares, ocorridas em várias cidades do País, nesta segunda-feira, 17. O aumento das tarifas do transporte público foi o principal motivo dos protestos, mas que também focaram a corrupção na política, a impunidade, os gastos na construção de estádios de futebol para a Copa e a alta da inflação, entre outros assuntos.
Para o deputado Karlos Cabral (PT) a mobilização, que envolveu a participação de milhares de pessoas (incluindo estudantes, professores, representantes de movimentos populares e outras categorias) representam a legítima expressão do descontentamento popular. "Acredito que foi uma movimentação espontânea. O movimento pelo passe livre foi o estopim que despertou outras reivindicações, como a má utilização de recursos públicos", afirmou.
Fazendo coro ao petista, o deputado Luiz Carlos do Carmo (PMDB) confirmou que acredita na legitimidade do movimento, enquanto expressão da vontade popular. "Finalmente o Brasil está acordando. Acredito que tópicos como a violência urbana e o caos da saúde também serão alvo de protestos. A pressão popular é que faz o governo agir, de fato", disse.
Já o deputado Júlio da Retífica (PSDB) disse que as manifestações populares indicam que a população não está satisfeita com os rumos do Brasil, especialmente em relação aos investimentos públicos em obras para a Copa do Mundo. De acordo com ele, ainda não se sabe ao certo o que os jovens querem exatamente.
"Ontem, nosso País passou por situação difícil. Vimos em várias capitais movimentação grande, mas não sabemos ao certo o que as pessoas querem com as manifestações. Há revolta do povo com o que foi gasto com os investimentos, superiores ao previsto, para a Copa do Mundo. As pesquisas indicavam que o povo aprovava com o governo federal, mas vemos agora que não está satisfeito", afirmou o tucano da tribuna, durante a sessão ordinária.
Também da tribuna, Francisco Gedda (PTN) se contrapôs ao discurso do deputado Júlio da Retífica, que relacionou as manifestações públicas desta segunda-feira, 17, aos gastos excessivos das obras públicas para a Copa do Mundo. De acordo com ele, é importante a existência de eventos esportivos, mas com parcimônia no uso de recursos públicos.
"Gostaria de lembrar ao deputado Júlio da Retífica que esporte é saúde. Precisamos de olímpiadas, torneios mundiais. Todos os países lutam para trazer esses eventos esportivos. Mas é necessário maior parcimônia e responsabilidade na aplicação de recursos públicos", afirmou o deputado.
Na mesma ocasião, o deputado Mauro Rubem (PT) afirmou que os empresários do transporte coletivo são sanguessugas. "Fico feliz em ver o povo na rua. O povo é proibido de se manifestar ao longo do tempo. Toda vez que a população vai às ruas, há uma relação violenta. O esquema de Setransp que existe em Goiânia se repete em outras capitais. A repressão da violência policial deve ser discutida e a polícia não deve ser utilizada assim. É natural que a população não queira a representação política atual, já que o que vale é o esquema de dinheiro. Os empresários do transporte coletivo são sanguessugas", afirmou o petista.
Por sua vez, Frederico Nascimento (PSD) afirmou que vai encaminhar requerimento para a presidente Dilma Rousseff, para solicitar da União o envio de projeto de lei ao Congresso que reduza de maneira definitiva a carga tributária.
"O Brasil tem ido às ruas nos últimos dias em luta muito justa pela redução de impostos. Ninguém aguenta mais pagar tantos tributos. A população tem feito passeadas, reclamando seus direitos. Enviarei requerimento à presidente Dilma Rousseff para que encaminhe ao Congresso um projeto que reduza a carga tributária. Vale lembrar que esta movimentação é apartidária", afirmou o deputado.