CPI dos Grampos
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga uma suposta rede ilegal de grampos telefônicos e invasão de dados de autoridades públicas definiu, na reunião ordinária desta quarta-feira, 19, os critérios e o cronograma de trabalho. Também foi definido o convite para o diretor-geral da Polícia Civil de Goiás, João Carlos Gorski, que deverá informar os parlamentares sobre o andamento das investigações do inquérito policial instaurado após as denúncias da revista Carta Capital.
O presidente da CPI dos Grampos, deputado Talles Barreto (PTB), disse a reunião serviu como oportunidade para os deputados apresentarem os primeiros requerimentos. De acordo com ele, foram definidos o cronograma de atividades e os critérios de trabalhos. Entre as determinações, foi estabelecida a realização de reunião ordinária às quartas-feiras, pela manhã, e a produção de pauta prévia.
Talles Barreto disse que a CPI vai adotar o sistema de pauta prévia, com apresentação e deliberação dos requerimentos necessários para o andamento dos trabalhos. "Neste primeiro momento, vamos dar os primeiros passos para que os trabalhos possam ocorrer com segurança e permitir ao relator apresentar o relatório final, ao término do prazo, com tranquilidade."
Inquérito policial
Relator da CPI, o deputado Marcos Martins (PSDB) apresentou requerimento que convida o diretor-geral da Polícia Civil de Goiás, João Carlos Gorski, para informar os parlamentares-membros sobre o andamento do inquérito policial instaurado para investigar as denúncias apontadas pela revista Carta Capital.
"O doutor João Carlos é delegado há mais de 25 anos, veio de outro Estado e possui autonomia política. Ele poderá nos informar sobre a atual situação das investigações policiais decorrentes da denúncia feita pela revista Carta Capital, já que há um inquérito instaurado pela Polícia Civil de Goiás", afirmou o tucano.
Marcos Martins informou que a sua metodologia de trabalho será pautada por dados técnicos. “Vou ouvir pessoas para saber a veracidade das acusações e trabalhar em cima de fatos concretos. A denúncia existe e veio através de uma revista de circulação nacional. Além disso, existe também um inquérito instaurado pela Polícia Civil de Goiás em andamento para a apuração desses fatos.”
Segundo o parlamentar, a reunião desta quarta-feira, 19, delineou a linha de trabalho da CPI. “Quanto ao prazo para a entrega do relatório final, acredito que será concluído dentro dos 90 dias previstos”, finalizou.
Gerciley Batista
Membro da CPI, o deputado Ney Nogueira apresentou requerimento que convida o vice-presidente do diretório estadual do Partido Republicano Progressista (PRP), Gerciley Batista, para prestar informações sobre a denúncia publicada pela revista Carta Capital. O convidado, publicitário de carreira, teria sido o responsável por entregar documentos à publicação paulista sobre a existência de uma central ilegal de grampos em Goiás.
"Acho importante que esta CPI ouça o publicitário Gerciley Batista, que apresentou à Carta Capital os documentos que embasaram a denúncia. Por isso, apresento requerimento que o convida a prestar depoimento", informou Ney Nogueira.
O pepista disse que os trabalhos devem ser orientados por critérios técnicos. De acordo com ele, a apuração da denúncia da revista Carta Capital sobre uma central de interceptação telefônica e de dados de autoridades públicas goianas não pode ter viés político-partidário.
"As atividades da CPI dos Grampos não podem ser fundamentalmente políticas. A apuração das denúncias da revista deve ser amparada em documentos e depoimentos. Não pode ser vazia ou política, até porque os alvos apontados pela matéria são suprapartidários", afirmou Ney.
Histórico
A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a existência, extensão e responsabilidade pela operação de uma suposta rede ilegal de grampos telefônicos, de criação de perfis falsos na internet, e de invasão da privacidade de adversários e aliados do Governador do Estado de Goiás, foi criada pelo decreto administrativo nº 2.549, de 29 de maio de 2013. O instrumento legal foi publicado no Diário Oficial da Assembleia Legislativa de Goiás de nº 11.674.
A CPI dos Grampos é presidida por Talles Barreto e a vice-presidência é ocupada por Humberto Aidar (PT). A relatoria está sob a responsabilidade de Marcos Martins. São membros titulares os deputados Túlio Isac (PSDB) e Ney Nogueira.
Os membros suplentes são os deputados Carlos Antônio (PSC), Francisco Júnior (PSD), Daniel Messac (PSDB), José Essado (PMDB) e Karlos Cabral (PT).