João Carlos Gorski diz que polícia sabia da interceptação de dados
Relator da CPI dos Grampos, o deputado Marcos Martins (PSDB) indagou ao diretor-geral da Polícia Civil, João Carlos Gorski, sobre o andamento das investigações sobre interceptação de dados, que resultou na matéria veiculada pela revista Carta Capital. O tucano também questionou se há certa paranóia em relação à segurança de dados digitais.
"Precisamos saber como se dá a violação do sigilo de dados e telefônico no Brasil. É real a paranóia que existe sobre segurança dessas informações? Para efetuar grampo, é preciso corromper servidores públicos ou funcionários das operadoras? É viável o uso das famosas maletas de interceptação", indagou o relator.
João Carlos Gorski disse que a investigação sobre interceptação de dados é complexa. De acordo com ele, há um grande universo de telefones celulares e relativa capacidade dos órgãos competentes para interceptar dados. As informações são relativas às informações colhidas sob medida judicial.
"Não é fácil identificar os autores dos grampos. É uma investigação complexa, que demanda quebra de sigilos, para identificar a origem das invasões. No Brasil, temos hoje em torno de 240 milhões de telefones celulares. Em Goiás, temos mais de 9 milhões de celulares contra pouco mais de seis milhões de habitantes. Há paranóia em razão do medo de grampos, mas é difícil interceptar dados em grande volume. A capacidade de interceptação das polícias e do Ministério Público está na casa de 60 mil contra 240 milhões de celulares. Também é inviável analisar cada ligação", afirmou o delegado.
O diretor-geral disse ainda que a polícia depende de parceria com as operadoras de telefonia e dados para que possa ocorrer interceptação. De acordo com ele, a realização de grampos clandestinos ou ilegais se daria por meio da corrupção de funcionários dessas empresas ou policiais.
"São repassados relatórios aos órgãos competentes em caso de interceptações legais. Para se ter acesso aos dados, é preciso corromper funcionários das operadoras de telefonia ou autoridades públicas envolvidas na investigação. Uma maleta para efetuar grampos é muito cara, com dificuldades técnicas de operacionalização", afirmou o diretor-geral.
O relator Marcos Martins (PSDB) quis saber sobre o tempo médio para se obter do Judiciário autorização legal para interceptação de dados. De acordo com ele, é preciso ainda saber quais as dificuldades que a polícia tem encontrado para apurar as informações.
"Qual tem sido a média de tempo para se obter autorização judicial para acesso aos dados quando necessário em uma investigação policial? Também gostaria de saber o tempo médio que se demora para a polícia partir para a ação. Quais as principais dificuldades do caso em concreto",a firmou o tucano.
João Carlos Gorski diz que o caso investigado pela CPI dos Grampos tem como maior dificuldade a quantidade de perfis falsos nas redes sociais. De acordo com ele, é difícil identificar os autores responsáveis pelos ataques às pessoas e aos dados.
"A parte mais complexa é identificar os perfis falsos e saber quem os criou. Não é algo simples de se fazer. Muitas vezes, criam contas falsas para atacar pessoas e violar dados. Há um trânsito de informações que podem ser criptografadas, por meio de softwares modernos, mas há formas de burlá-los. Na maioria dos casos, o hacker busca informações para obter dinheiro", avaliou o diretor-geral. Gorski depõe neste momento na CPI dos Grampos, cuja reunião transcorre neste momento no Auditório Solon Amaral.