Programa Opinião discute documentário sobre agrotóxicos
O programa Opinião que será apresentado nesta terça-feira, às 19 horas, na TV Assembleia, tem como tema o documentário “Pontal do Buriti - Brincando na Chuva de Veneno”, que retrata o caso de estudantes e funcionários de escola da zona rural de Rio Verde que, em maio deste ano, foram intoxicados com agrotóxico lançado por um avião que pulverizava lavoura da região.
Apresentado por Luciana Martins, o programa tem como convidados o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, deputado Mauro Rubem (PT), a diretora do documentário, Dagmar Talga e o produtor do filme, Murilo Souza.
Durante seu depoimento, Mauro Rubem frisa que os crimes com agrotóxico no Brasil sempre se repetem. Segundo ele, as pulverizações realizadas por aviões tem efeitos ainda mais sérios, pois apenas 30% do que é lançado chega até as plantas e os outros 70% restantes se espalham pelo meio ambiente, contaminando o solo, mananciais de água, além de intoxicar animais e seres humanos.
“A Comissão de Direitos Humanos defende que uma alimentação saudável é fundamental para o ser humano. Apesar de muitos acharem que não, é possível, necessário e muito mais saudável produzir alimentos sem agrotóxicos”, afirmou.
Segundo Mauro Rubem, a agricultura brasileira e, particularmente a goiana é profundamente escravizada e dependente dos defensivos agrícolas. “Existe o falso argumento de que só se pode produzir desta forma e, por isso, o uso de agrotóxico pulverizado é permanente”, afirma.
O parlamentar explica que, no caso ocorrido em Rio Verde existe o agravante de que a pulverização foi realizada num assentamento rural, onde as terras eram arrendadas, o que descaracteriza o papel deste tipo de propriedade. Segundo ele, o veneno foi lançado não apenas na escola, mas em todos os locais, inclusive as casas dos agricultores que vivem na região.
Em 3 de maio deste ano, uma aeronave sobrevoou a Escola Municipal Rural São José do Pontal, localizada na área rural do município de Rio Verde, pulverizando a área com agrotóxico. Cerca de 100 pessoas, incluindo crianças e adolescentes, que estavam fora do prédio porque era horário de recreio, foram intoxicadas e 37 delas tiveram de ser internadas.