Segurança Pública
A Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), presidida pelo deputado Mauro Rubem (PT), realizou na tarde desta terça-feira, 3, no Auditório Costa Lima, Fórum de Debates sobre a Política de Segurança Pública no Estado de Goiás” com o objetivo de discutir as implicações e impactos da segurança no cotidiano da população e a paralisação da categoria dos policiais civis.
Dentre as autoridades convidadas para o fórum, estiveram presentes Silveira Alves de Moura, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Goiás (Sinpol); Ricardo Barbosa, do Departamento de Direitos Humanos da UFG; Ademar Luiz de Oliveira, presidente da União Goiana dos Policiais Civis (Ugopoci) e Edilson de Brito, superintendente de Políticas de segurança Pública e Justiça do Estado.
Ao abrir o evento, Mauro Rubem ressaltou que é preciso investir de maneira imediata em segurança pública no Estado. Ele lembra que os policiais civis e os escrivães estão com as suas atividades paralisadas há mais de 70 dias, reivindicando reestruturação da carreira, fixação de piso salarial e concessão de bônus por produtividade. "Com isso, mais de 70 mil inquéritos estão paralisados no Estado e 40 mil mandados de prisão deixaram de ser cumpridos."
O presidente do Sinpol, Silveira de Moura disse que a categoria só entrou em greve após dez meses de negociação com o governo. “Não foi o Silveira que instigou a greve, mas a insatisfação no ambiente desagradável das delegacias”, defendeu-se, revelando que “a categoria quer sim suspender a greve, mas o governo continua irredutível”.
Silveira disse ainda que “o governo tira do site transparência os dados que comprometem sua imagem, como mais de 70 mil arquivos policiais parados, mais de 40 mil mandados de prisão e delegacias fechando, para mostrar apenas o que ele quer”. E finaliza dizendo: “É lamentável que o governador não entenda a importância de investir em segurança pública”.
Promotor da 25ª Promotoria do Ministério Público de Goiás, Haroldo Caetano, lembrou o episódio Carlos Cachoeira, em que a própria cúpula da segurança pública foi pega envolvida em corrupção, o que acabou provocando a queda de um senador goiano.
“É ingênuo acreditar em mudanças significativas neste Estado, pois o colapso é tamanho que alcança diversos setores”, disse. Sobre políticas públicas, o promotor ironiza o fato do governo querer promover tratamento de dependente químico, sem usar recursos da saúde, enquanto as igrejas conduzem a política das drogas, também sem qualquer participação da saúde.
O presidente da Ugopoci, Ademar de Oliveira, que está há dez anos à frente da entidade, aborda dois pontos: a falta de investimento do governo do Estado em segurança pública e a falta de uma política de segurança pública que realmente diga a que veio. “Enquanto os policiais ficam desguarnecidos e sem condições de trabalho, já há um grande comércio que ganha com a violência. Enquanto a população aumenta, os investimentos em segurança pública só diminuem, a estrutura fica cada vez mais precária e os efetivos cada vez menores”.