Comissão Mista aprova projeto que destina recursos à CelgD
Durante a segunda reunião da Comissão Mista, que transcorre no Auditório Solon Amaral, deputados debateram o projeto de número 137/14, que destina recursos à CelgD.
Para o deputado Mauro Rubem (PT), que questionou a validade do projeto a Celg tem como obrigação atender à população das cidades e os pequenos agricultores, mas não tem conseguido honrar seu compromisso.
"Não posso concordar com o que o Governo vem fazendo, sabotando as negociações iniciadas nesta Casa em 2007, e não permitindo que a Celg fosse restaurada na época em que o Estado tinha capacidade para conseguir novos financiamentos", afirmou, acrescentando estranhar o fato de "o Governo do Estado evitar cumprir acordos firmados junto à Eletrobrás".
Em resposta, os deputados Claudio Meirelles (PR) e Júlio da Retífica (PSDB) contestaram a assertiva do petista. Segundo o parlamentar tucano, o funcionamento da Celg, maior empresa goiana, estaria sendo inviabilizado pela atuação do Partido dos Trabalhadores.
"Quando saiu dinheiro efetivamente, já não dava para pagar, porque os juros que a Celg tem de buscar no mercado está entre os mais altos do País", rebateu Júlio, defendendo a proposta. "Vamos colocar em votação, e vamos ver que realmente está prejudicando Goiás, se é a situação, ou a oposição", finalizou.
Discussões
O deputado Major Araújo (PRP), por sua vez, externou seu ceticismo quanto à eficácia do projeto. "É muito dinheiro neste aporte, sem que recebamos os devidos esclarecimentos sobre a sua devida destinação", questionou, adiantando seu voto em contrário.
Em seguida, o representante da situação, Túlio Isac (PSDB) rebateu as críticas de Mauro Rubem. "Não vou aceitar que um partido que comandou a maior quadrilha deste País que venham atacar este Estado", disse, referindo-se ao chamado esquema do Mensalão, que envolveu parlamentares de diversos partidos, na esfera federal.
"Marconi não sabotou a negociação da Celg; ele, perseguido por Lula e por sua quadrilha, que força tinha para levar adiante esta negociação da dívida da Celg?", questionou, acrescentando que, se o dinheiro da Celg estivesse nas mãos do Partido dos Trabalhadores, seria destinado ao partido do Governo Federal.
Oposição
O deputado Luís Cesar Bueno (PT), em resposta, rebateu a crítica de Júlio da Retífica, que atribui à Eletrobras o ônus total pela situação da Celg. "A Eletrobrás detém apenas 0,07% das ações da Celg, e, até hoje, o Governo de Goiás não fez o protocolo de intenções", disse.
O petista explicou que o Governo do Estado obteve um total de R$ 6 bilhões oriundos do Governo Federal, conforme o protocolo de intenções, mas que "não foram realizados investimentos nas redes de distribuição da Celg".
Ele lembrou, ainda, que a concessão da Celg está acabando, e que as redes de transmissão pertencem à Eletrobrás. Diante deste quadro, ele propôs cumprir o protocolo de intenções e transferir o controle da Celg para o Governo Federal ou a sua privatiação.
"Este processo é falho, pois não torna obrigatória a prévia avaliação do projeto pelo Governo Federal antes de sua aprovação", disse, anunciando seu voto contário ao projeto.
Em seguida, o deputado Bruno Peixoto (PMDB) disse, em nome da bancada do partido, que a legenda vota favoravelmente ao projeto. Autor de emenda aditiva à proposta, o peemedebista, contudo, externou que não concorda inteiramente com o teor do projeto.
Simeyzon Silveira (PSC) fez coro a Bruno, dizendo que a matéria não é o que esperava, mas que é iniciativa importante para o Estado de Goiás. "Nós, parlamentares, não temos o direito de errar quando o assunto for Celg", disse.