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Cidade de Goiás

24 de Maio de 2014 às 08:07
Crédito: Marcos Kennedy
Cidade de Goiás
Dom Eugene Rixen recebe Título de Cidadão Goiano
Em iniciativa do deputado Karlos Cabral, Assembleia Legislativa concedeu cidadania goiana ao bispo Dom Eugène Rixen.

Iniciativa do deputado Karlos Cabral (PT), foi realizada, na cidade de Goiás, na noite de sexta-feira, 23, sessão solene itinerante para concesão do Título de Cidadão Goiano ao bispo Dom Eugène Rixen. A cerimônia teve lugar no Palácio Conde dos Arcos.

Além do parlamentar petista, que presidiu a sessão, fizeram parte da composição da Mesa: o deputado Mauro Rubem (PT); o secretário do Governo do Estado e deputado licenciado Doutor Joaquim, representante do governador Marconi Perillo (PSDB); o homenageado da noite, bispo Dom Eugène Lambert Adrian Rixen; o desembargador Norival de Castro Santomé, representante do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO).

E ainda: o embaixador da Bélgica no Brasil, Jozef Smets; a prefeita da cidade de Goiás, Selma Bastos (PT); o presidente da Câmara Municipal de Goiás, Aderson Liberato Gouveia; o promotor de justiça Edvar Muniz; Dom Washington Cruz, arcebispo metropolitano de Goiânia; e a superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Salma Saddi.

O evento foi abrilhantado pela apresentação de dança do grupo Easy, da cidade de Goiás.

Trabalho e fé

Karlos Cabral afirmou que a entrega do título ao bispo na antiga Vila Boa reveste-se de um sentido especial para todos os goianos. Oriundo de Liège, na Bélgica, Dom Eugène Rixen chegou ao Brasil em 1980, assumindo, uma década depois, a tarefa da administração de 23 municípios que compõem a Diocese de Goiás.

O petista celebrou a vida do religioso, marcada pelo trabalho e pela fé, destacando-se, sobretudo, pela luta em prol da reforma agrária e pelo combate às grandes desigualdades sociais. “Esta foi uma trajetória marcada pela luta em defesa da vida e da dignidade humana”, disse o parlamentar.

“O senhor, aos poucos, foi se sentido cada vez mais próximo e integrado a esta gente, e já é um goiano de pé rachado; tanta coisa em comum nos faz legitimar, por lei e por mérito, aquilo que o senhor é: um cidadão goiano”, afirmou Karlos Cabral, dirigindo-se ao homenageado.

A prefeita Selma Bastos discorreu sobre a militância política de Dom Eugéne, e traçou um paralelo entre sua trajetória de vida e a do bispo emérito de Goiás, Dom Tomás Bauduíno, falecido no início deste mês. Para ela, a vida de ambos foi marcada pelo engajamento, sempre em consonância com os princípios da Igreja.

“Quando falamos sobre Dom Eugène, é imperioso afirmar o significado histórico que a Diocese de Goiás desempenhou, onde Dom Tomás lutou pela bandeira dos excluídos à frente da Teologia da Libertação”, lembrou.

Emoção

Embaixador da Bélgica no Brasil, Jozef Smets se disse orgulhoso pela iniciativa da Assembleia goiana, ao homenagear o religioso. “Dom Eugène teve toda a sua vida marcada pelo engajamento social, e acredito que tal atitude faz parte de sua vocação social e de sua vontade de lutar contra as injustiças sociais.”

A prefeita de Ceres, cidade pertencente à Diocese de Goiás, Inês Brito (PT), disse que a vida de Dom Eugène representa um exemplo de uma vida inteiramente dedicada aos excluídos, sejam eles índios, negros, pobres ou sem terra. “Dom Eugène é uma liderança que, sem dúvida, merece este título”, afirmou. “Sua presença celebra a religião e a vida, a ética e a política.”

Dom Eugène revelou que a honraria coroa os anos de devoção e trabalho de todos os que estiveram à frente da Diocese de Goiás. Ele lamentou a situação social do País. “Reconheço que, até agora, não foi feita uma verdadeira reforma agrária no Brasil – a concentração de terras continua”, pontuou. Ele defendeu a agricultura familiar e condenou o agronegócio como modelo predominante da economia brasileira.

O homenageado também discorreu sobre a situação de vários povos indígenas que, segundo ele, pedem a demarcação e regularização de reservas, e condenou o aumento da violência no Brasil, e, em especial, em Goiás. “Em 2013, 620 pessoas foram mortas na grande Goiânia, sendo que 44 dentre elas viviam na rua”, disse, atribuindo o aumento da violência à miséria e ao tráfico de drogas.

O bispo afirmou, contudo, acreditar que a vida vale a pena quando dedicada à causa dos avanços sociais.

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