Audiência Segurança Pública
A Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Assembleia Legislativa de Goiás promoveu, na manhã desta quinta-feira, 28, audiência pública com o tema “Segurança Pública em Goiás, e a Responsabilidade do Estado no Extermínio de Mulheres”.
Presidido pelo presidente da Comissão, deputado Mauro Rubem (PT), o evento aconteceu no Auditório Solon Amaral da Casa de Leis, em parceria com o Fórum Goiano de Mulheres - Articulação de Mulheres Brasileiras.
De acordo com Mauro Rubem, o encontro foi idealizado para oportunizar o questionamento sobre os responsáveis pelas investigações dos casos de homicídios de mulheres na Capital neste ano, e da suspeita de existência de um assassino em série.
Participaram do debate, além do presidente da Comissão, deputado Mauro Rubem (PT), o delegado titular da Delegacia de Homicídios, Murilo Polati, representante da Secretaria Estadual de Segurança Pública; e a representante do Fórum Goiano de Mulheres, Ariana Tozzatti.
Fizeram parte da mesa ainda a representante do Centro de Defesa dos Direitos Humanos, a psicóloga Eliana Porto Rocha; a representante das famílias das vítimas dos assassinatos de mulheres na capital, Deborah Camapu; e o representante da Superintendência de Direitos Humanos, Marcos Lemos; além de entidades da sociedade civil organizada e movimentos populares.
Durante a abertura do encontro, o parlamentar destacou a importância de buscar políticas que possam colaborar para o combate à violência e assassinatos de mulheres no Estado. “É uma situação que não pode esperar e é preciso que atitudes sejam tomadas de maneira urgente para o enfrentamento deste problema que está presente em Goiás e principalmente na Capital”.
A representante do Fórum Goiano de Mulheres, Ariana Tozzatti, lamentou as mortes ocorridas no Estado nos últimos meses e disse que não se pode ficar indiferente a essa situação. "Temos vários fatores que nos levaram a este caos, podemos citar drogas, políticas públicas insuficientes, porém, o que buscamos é a solução. Não podemos ficar alheios a uma realidade tão triste e na qual estamos praticamente reféns."
O representante da Superintendência de Direitos Humanos, Marcos Lemos, ressaltou que as famílias das vítimas estão perdendo o que de mais valioso existe, que é a vida de um familiar. “Com a atual situação, vivemos o falecimento da família. Agora é momento de unirmos forças diante desta situação que coloca em jogo as vidas de pessoas inocentes."
O delegado titular da Delegacia de Homicídios, Murilo Polati, destacou que os últimos acontecimentos trouxeram à tona a realidade de que a polícia não estava preparada para enfrentar algumas situações. “Fomos surpreendidos com um modelo de crime o qual não estávamos preparados e nos tornamos assunto internacional. De maneira paliativa foi criada uma força-tarefa para trabalhar o caso e que vem apresentando resultados.”
Murilo apresentou alguns dados e disse que as investigações se encontram avançadas, mas esclareceu que a polícia só irá se pronunciar oficialmente quando os inquéritos estiverem completos. “O que podemos adiantar é que não é apenas um assassino e que todos os envolvidos são egressos do sistema prisional, o que reflete uma falha em todo o sistema de segurança do País.”
Além da participação dos componentes da mesa de debates, foi aberto também a palavra aos participantes para que pudessem expressar suas opiniões, sugestões e relatos acerca do tema. Foram levantadas principalmente questões em torno da solução dos crimes, punição aos responsáveis e ainda a apresentação de relatos do quanto esses crimes afetam as vidas dos familiares. Os participantes propuseram ainda ações e realizaram leitura de cartas de repúdio, entre outras manifestações.
Após a exposição das opiniões e sugestões, o presidente da Comissão comunicou os encaminhamentos da audiência e uma nova discussão sobre o assunto em outubro deste ano.