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Major Araújo diz que mídia contribui para aumento da violência

07 de Janeiro de 2015 às 09:17

Estudo que acaba de ser divulgado, realizado com base o Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, mostra que a violência migrou das grandes cidades para o interior. Um dos principais motivos seria que os grandes centros urbanos profissionalizaram suas áreas de segurança, enquanto as cidades menores não acompanharam esta tendência.

Mas na opinião do presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, deputado Major Araújo (PRB), a violência se espalha em igual proporpoção tanto para as grandes como as pequenas cidades.

Um dos principais motivos, diz Araújo, seria a forma como os crimes são divulgados na televisão e internet. Segundo o deputado, os veículos de comunicação dão verdadeiras aulas de como se praticar delitos. “A mídia, quando mostra a violência, o faz de forma didática. Sou a favor da divulgação do crime, mas não com tantos detalhes.”

No caso de Goiânia, o deputado entende que não houve esse aumento da eficiência no combate à criminalidade. Ele diz que a polícia está mal aparelhada, além do efetivo ser insuficiente.

Como exemplo, cita o caso do assalto a carros fortes ocorrido recentemente, onde os bandidos estavam armados até com armamento antiáreo. “Enquanto a polícia mudou dos revólveres de calibre 38 para pistolas .45, os criminosos usam pistolas 9 milímetros e fuzis”, compara.

O deputado lembra também o caso das explosões a caixas eletrônicos, em que os assaltantes mostram seu poder de fogo com a utilização de dinamite e outros explosivos.

O Governo Federal também estaria deixando a desejar em seus programas de Segurança Pública, como a integração das polícias. Na opinião de Major Araújo, estes projetos não têm trazido resultados práticos.

Homicídios

De acordo com o último Mapa da Violência, 56.337 pessoas foram vítimas de homicídio em 2012. Esse número corresponde a 29 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes e é o maior da série histórica do estudo, divulgado a cada dois anos, tendo como base o Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. Em 2002, o índice era de 28,5 por 100 mil habitantes. A maior queda foi registrada em 2007, quando chegou a 25,2.

Segundo o coordenador do estudo, Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o mapa mostra a tendência da violência de migrar dos grandes centros para o interior. Se nesta década o número de homicídios permaneceu quase o mesmo, ele diminuiu em cidades como Rio, São Paulo e Recife, mas migrou para cidades médias e pequenas.

“Por um lado, pode-se dizer, sim, que o crime migrou porque foi mais bem combatido nas cidades, mas também foram as relações que se deterioraram. Um grande número de mortes ocorre por desavenças que acabam em brigas e até mesmo em mortes”, disse.

A análise do mapa, segundo Jacobo, mostra que as grandes cidades profissionalizaram suas áreas de segurança, enquanto no interior a área ainda age como 20 anos atrás, como se não houvesse crimes para investigar. “O que você tem nas pequenas cidades é um contingente policial mínimo, despreparado para lidar com desavenças e que não tem condições de combater qualquer tipo de crime”, disse.

Para tentar resolver essa questão, o Governo Federal criou o programa Brasil Mais Seguro, que ajuda os Estados na formação de policiais e aquisição de equipamentos. “Para se ter uma ideia, não tínhamos peritos treinados nos equipamentos mais modernos, e graças ao programa montamos laboratórios e a Polícia Federal treinou nossos investigadores”, relatou Diógenes Tenório, secretário de Defesa Social de Alagoas, primeiro Estado a receber o programa.

Jovens negros


Os jovens negros foram as maiores vítimas dessa violência. Pessoas com idade entre 15 e 29 anos tiveram as taxas de homicídio aumentadas de 19,6 em 1980 para 57,6 em 2012, a cada 100 mil jovens.

Negros também morreram muito mais que brancos. Morreram 146,5% mais negros do que brancos no Brasil, em 2012, vítimas de violência. Entre 2002 e 2012, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3% e o dos jovens negros aumentou 32,4%.

“O problema é que a política de segurança pública escolheu um inimigo, e claramente ele é o jovem negro, que já é vítima dos lugares mais pobres e violentos, e eles não têm a mesma proteção dos jovens brancos de classe média”, avalia Ruth Vasconcelos, socióloga da Universidade Federal de Alagoas e especialista em violência.

“Claramente, o que precisamos é de uma política de segurança cidadã, e nossos policiais estão sendo treinados cada vez mais nessa perspectiva, para proteger o cidadão e não para matar os bandidos”, relatou o deputado Edson Santos (PT-RJ), que foi ministro da Igualdade Racial e integra a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados.

Mortes de policiais

A discussão sobre o papel da polícia também é importante. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado por um fórum de especialistas ligados à área governamental de segurança, mostram que 490 policiais tiveram mortes violentas em 2013, destes 75,3% foram mortos quando não estavam em serviço. Por outro lado, policiais causaram 11.197 mortes. Em comparação com outros países, os dois dados são alarmantes.

“É uma situação muito grave, porque representa uma situação quase de guerra. Até por isso os policiais precisam ser bem treinados e remunerados, para se protegerem e às suas famílias”, disse o deputado João Campos (PSDB-GO), que é delegado e integrante da Comissão de Segurança Pública da Câmara.

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