Deputados repercutem nova CPI da Petrobras na Câmara Federal
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), marcou para a próxima quinta-feira, 26, a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. O requerimento de criação da CPI foi protocolado pela oposição com 182 assinaturas (o número mínimo é 171).
Segundo o documento, a comissão vai investigar a prática de atos ilícitos e irregularidades no âmbito da Petrobras entre os anos de 2005 e 2015, relacionados a superfaturamento e gestão temerária na construção de refinarias no Brasil; à constituição de empresas subsidiárias e sociedades de propósito específico pela Petrobras com o fim de praticar atos ilícitos; ao superfaturamento e gestão temerária na construção e afretamento de navios de transporte, navios-plataforma e navios-sonda; e às irregularidades na operação da companhia Sete Brasil e na venda de ativos da Petrobras na África.
A CPI da Petrobras é a primeira a ser instalada nesta legislatura pela Câmara dos Deputados. No ano passado, foram criadas duas comissões para investigar as denúncias de corrupção na empresa, sendo uma no Senado e uma mista composta de deputados e senadores. Os deputados da oposição entendem que os trabalhos da CPI mista foram prejudicados e, por isso, apresentaram o requerimento para a criação da nova comissão, destinada a aprofundar as investigações de corrupção na estatal.
Os deputados estaduais goianos Renato de Castro (PT) e Jean (PHS) falam sobre a nova CPI criada para investigar as diversas irregularidades na empresa, como o pagamento de propina para executivos e partidos políticos.
O deputado Jean afirma que a CPI da Petrobras está atrasada e que o escândalo na empresa foi o maior do nosso País. Diz ainda que a CPI é oportuna, lembrando que já se identificou que mais de 200 milhões de dólares foram desviados na corrupção. "Esses dados já foram apurados na investigação do Ministério Público Federal e Polícia Federal."
Segundo Jean, com a corrupção, o ativo da Petrobras foi reduzido em 88 milhões de reais e as ações da empresa estão "derretendo" no mercado. Ele lembra que o Brasil está aderindo ao recurso da delação premiada para chegar aos culpados e que o País está cada vez pior na questão ética, por conta do escândalo na Petrobras.
O petista Renato de Castro afirma que o escândalo na estatal brasileira tem que ser apurado 100% quando houver indícios de corrupção, mas pontua que não dá para extrair da história apenas determinados períodos. "A corrupção existe e não apenas na Petrobras e sim em todos os Estados do Brasil. A corrupção não começou em 2002 e deveria ser apurada de 25 anos atrás ou a partir de 1953, quando a empresa foi criada."
O parlamentar cita ainda a questão do metrô de São Paulo e das irregularidades envolvendo o governador tucano Geraldo Alckmin. "Que se apure o caso e encontre os culpados."