Major Araújo solicitou Pelotão da Polícia Militar para atender comunidade calunga
Em junho de 2011, o deputado Major Araújo (PRP), então presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa (atualmente é o vice-presidente), já havia manifestado a preocupação dele com as necessidades de segurança pública no sítio histórico calunga.
O parlamentar informou que naquela época encaminhou expediente, aprovado em plenário na Assembleia, ao governador Marconi Perillo (PSDB), bem como ao Comandante-Geral da PM, solicitando providências para criação de um pelotão da PM, exclusivamente para atender àquela comunidade.
O sítio histórico dos calungas ocupa um território que abrange parte dos municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás. Nesse território existem quatro núcleos principais de população: a região da Contenda e do Vão do Calunga, o Vão de Almas, o Vão do Moleque e o antigo Ribeirão dos Negros, depois rebatizado como Ribeirão dos Bois.
A população calunga é uma comunidade de negros, originalmente formada por descendentes dos primeiros quilombolas, ou seja, de escravos que fugiram do cativeiro e organizaram quilombos, passando a viver em relativo isolamento, construindo para si uma identidade e uma cultura próprias, com os elementos africanos de sua origem adicionados aos europeus dos colonizadores, marcados pela forte presença do catolicismo tradicional do meio rural.
Esses quilombos localizavam-se ao norte da região, que hoje é conhecida como Chapada dos Veadeiros, e, desde 1991, toda área ocupada por esta comunidade foi reconhecida oficialmente pelo governo do Estado de Goiás como sítio histórico que abriga o Patrimônio Cultural Kalunga, parte essencial do patrimônio histórico e cultural brasileiro.
Em sua justificativa para criação de um Pelotão da PM para atender àquela comunidade, Major Araújo colocou o crescimento populacional. “E, com este, o recrudescimento de problemas, como prostituição infantil, além de que, atualmente, esta região tem sido alvo de intensas atividades ilegais de desmatamentos, exploração de madeiras, garimpos, caças e pescas predatórias, provocando inestimáveis prejuízos ao meio ambiente e aos recursos naturais que são sustentos àquela população de quilombolas”.
Major Araújo ressalta ainda outros problemas no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, tais como crime de tráfico de drogas, o tráfico de animais, roubo de gado e ameaças de morte aos quilombolas, feitas por pistoleiros e empregados de fazendeiros da região. “Todos esses problemas potencializam a demanda por segurança na região, vez que os policiais que atendem a essa população, de regra, são chamados das sedes dos municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás, já que não há um efetivo policial designado para atender, especificamente, a essa região”.
Major Araújo lamenta o fato de que não foi atendido em sua solicitação. “Alguns colegas dizem que a gente não faz oposição propositiva, por isso vamos subir novamente à tribuna da Casa para mostrar nosso e requerimento de 2011 e que não foi atendido. Hoje, o governo está pagando o preço por não ter criado esse Pelotão da Polícia Militar para atender àquela comunidade”, concluiu.