Isaura Lemos lamenta baixo número de mulheres na política e crescente violência de gênero
Na sessão solene desta quarta-feira, 8, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, apenas as deputadas mulheres da Assembleia Legislativa de Goiás puderam subir à tribuna para discursar. A primeira a usar a palavra foi Isaura Lemos, que destacou a pequena participação feminina na política e a constante violência praticada contra as mulheres no Brasil.
Política
Ao iniciar sua fala a parlamentar lamentou a posição ainda subalterna da mulher na sociedade brasileira, apesar da Constituição Federal de 1988 determinar que todos são iguais perante a lei e que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. “A Constituição Cidadã é um marco na luta pela igualdade de gênero em um contexto em que a mulher sempre foi tratada com preconceito e discriminação. Apesar dos avanços, essa realidade ainda está longe de ser alcançada”, declarou.
Em seguida Isaura Lemos reclamou da pequena participação feminina na política e dos poucos incentivos e inúmeros obstáculos que as mulheres enfrentam ao escolherem essa atividade. “Na política somos preteridas, apesar de representar a maioria do eleitorado. Dos 181 países do mundo, ocupamos a 157 posição no que tange a participação política feminina. Perdemos até mesmo para países em que a mulher usa burca!”, exclamou.
Violência contra a mulher
Ao direcionar seu discurso à violência, a deputada apresentou mais dados. De acordo com a pesquisa Atrás da Violência, realizada pelo Ipea em 2016, 4.757 mulheres foram assassinadas em 2014. O número se repetiria nos anos anteriores e seguintes, sinalizando que anualmente cerca de 5 mil mulheres morrem, vítimas do feminicídio. Dessas, 50% são mortas dentro da própria casa, por seus companheiros, ex-companheiros e familiares.
“Reclamo da participação política, mas destaco ainda que o Brasil mata mais mulheres que a Guerra da Síria. Hoje, no fim do dia, iremos contabilizar, em nível nacional, 13 mulheres assassinadas. Só hoje! Temos a 5º maior taxa de feminicídio do mundo. E mais: Goiás é o segundo estado mais violento contra as mulheres”, salientou Isaura.
A violência contra mulheres negras também foi destacada, já que o assassinato de mulheres negras cresce muito mais do que o de mulheres brancas. Dados trazidos à luz pela deputada deram conta de que, entre 2003 e 2013 o assassinato de mulheres negras cresceu mais de 50%, ao passo que o de mulheres brancas cresceu 9%.
Ao continuar sua fala a parlamentar conclamou as mulheres goianas e brasileiras a lutar por seus direitos e a não aceitar a violência contra elas cometidas, que muitas vezes não é física. A violência começaria por colocar as mulheres em posições subalternas nas famílias e nas empresas e pela hipersexualização dos corpos.
“Não podemos nos silenciar e nos conformar com essa realidade machista. Não podemos dizer que este é um problema cultura. Se é, temos que mudar essa cultura, temos que educar as crianças, conscientizar as famílias, reagir aos sinais de violência, cobrar que o Estado e que a Justiça estejam do nosso lado e criar políticas públicas específicas”, disse.
Reforma da Previdência
Por fim Isaura Lemos criticou a Reforma da Previdência proposta pelo Governo Federal, que iguala homens e mulheres no que tange a idade mínima de aposentadoria e os anos de trabalho necessários para se conseguir a aposentadoria integral. “É absurdo exigir da mulher que ela trabalhe até os 65 anos e que tenha 49 anos de serviço, pois sabemos que ela tem jornada dupla”, finalizou.