Transplantes de Órgãos e Tecidos
A audiência pública sobre Transplantes de Órgãos e Tecidos em Goiás – Situação atual e perspectivas, proposta pelo deputado Lincoln Tejota (PSD), foi realizada no Auditório Costa Lima da Assembleia Legislativa de Goiás. A reunião teve início às 14 horas e se estendeu até o final da tarde desta quarta-feira, 15.
A mesa foi composta pelo deputado Lincoln Tejota, autor da iniciativa, além do presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), Roberto Manfro; Superintendente da Superintendência de Acesso a Serviços Hospitalares e Ambulatoriais ( Suprass) , Cleudes Bernardes da Costa; vereadora por Goiânia Priscilla Tejota (PSD); Professor José Aluísio Ferreira Lima, presidente do Projeto Pulsar.
Números
As estatísticas envolvendo a situação de transplantes no País foram apresentadas pelo presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), Roberto Manfro. Segundo ele, o Brasil realiza, em média, por ano, 5.500 transplantes de rins, 1.900 de fígado, 350 de coração, 200 de pâncreas e 100 de pulmões, além de 12.000 de córneas.
Durante a audiência pública, Roberto Manfro disse que o principal entrave para o aumento da oferta de órgãos ainda reside na recusa familiar. “A questão é cultural e de esclarecimento da população. O poder público, as sociedades médicas, os profissionais de saúde têm que ser capazes de desenvolver na população a confiança de que o transplante de órgãos é justo, é necessário, atende uma demanda de dezenas de milhares de brasileiros e tem bom resultados. Se nós conseguirmos passar essa mensagem claramente para a população eu tenho a impressão de que as negativas familiares vão diminuir muito”, destacou o presidente da ABTO.
O presidente do Projeto Pulsar Vida, Professor José Aluísio Ferreira Lima, subiu à tribuna para palestrar sobre o processo de doação e a atual situação do Sistema Nacional de Transplantes. “No momento desenvolvemos o Pulsar Vida que é voltado para todo o país e tem a finalidade de trabalhar pelo aumento do transplante no Brasil. Nosso trabalho é divulgar e formar uma massa crítica em torno do transplante no Brasil. Teremos um audiência pública também na Câmara do Deputados esse semestre”, concluiu José Aluísio Ferreira Lima.
Em Goiás
Atualmente cerca de 800 pessoas estão na fila de espera por algum órgão ou tecido em Goiás. No ano passado ocorreram 342 doações, o que mostra, segundo o deputado Lincoln Tejota, de que o Brasil está longe de atender toda a demanda de pacientes do Estado. No Brasil, foram feitas 2.854 doações em 2016, mas 2.013 pessoas morreram na fila de espera – entre elas, 82 crianças.
“Identificamos as limitações que nosso Estado possui e o que pode ser feito para melhorar a situação no âmbito da rede nacional. Atualmente, Goiás é um dos grandes doadores de córneas, mas sabemos que o Estado realiza poucos transplantes de rins, pulmões, pâncreas, e isso tudo pode ser melhorado. Portanto, conseguimos identificar quais são os desafios e agora definiremos as próximas etapas”, concluiu o parlamentar.