Operação Carne Fraca da PF domina debate no Plenário da Assembleia na sessão ordinária desta terça-feira, 21
Durante a sessão ordinária desta terça-feira, 21, vários parlamentares ocuparam a tribuna para discutir a operação da Polícia Federal que encontrou irregularidades no tratamento da carne em frigoríficos brasilleiros, a chamada "Carne Fraca".
O deputado Santana Gomes (PSL), durante encaminhamento de voto, sugeriu a realização de uma audiência pública, na Assembleia Legislativa, para tratar do assunto, trazendo representantes dos frigoríficos investigados. E se necessário, o parlamentar sugere a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para averiguar mais detalhadamente o caso.
Já o presidente da Casa, José Vitti (PSDB), e o deputado Lissauer Vieira (PSB), aproveitaram a abordagem do assunto, para questionar a operação da PF, defendendo que houve exageros no que foi divulgado e que a carne brasileira é a melhor do mundo, acrescentando que os problemas são isolados.
Para José Vitti, o Brasil fez um trabalho belíssimo para conseguir, "em um esforço hercúleo", a comercialização da carne brasileira no exterior e, segundo ele, agora os prejuízos serão enormes e a situação de difícil e demorada para ser revertida. "Os culpados devem ser exemplarmente punidos, mas até agora as provas são frágeis", afirmou o presidente.
O deputado Lissauer Vieira disse que concordava com o presidente. "Vejo como desmedida essa operação. Podemos atestar que a grande maioria tem produzido carne de qualidade e gerado milhares de empregos. Se existe algum problema, os envolvidos têm que ser punidos", concluiu Lissauer.
Outro parlamentar que ocupou a tribuna para discutir o tema foi o deputado Wagner Siqueira (PMDB). Segundo ele, "precisamos unir forças para defender o produtor goiano. Defender Goiás e tentar minimizar esta polêmica. Nossos frigoríficos são sérios, são amplamente fiscalizados e temos que defender o agronegócio, pois quem vai pagar esta conta é o pequeno produtor".
O deputado José Nelto (PMDB) disse que todos os segmentos brasileiros devem ter maturidade para lidar com esta situação. "Temos que defender o agronegócio brasileiro. De uma hora para outra estão destruindo nossa produção de carne, a credibilidade do produtor brasileiro".
"Minha preocupação é com a crise. Temos que brindar o setor produtivo, não brindar as práticas ilegais, temos que lutar pela produção do País. Temos que combater a irresponsabilidade, a corrupção", disse o deputado Lincoln Tejota (PSD).
Da tribuna, Luis Cesar Bueno (PT) também repercutiu a Operação Carne Fraca e a crise enfrentada pelo Brasil com a repercussão no exterior. De acordo com o parlamentar, “dos 195 países que compravam a carne brasileira, apenas 28 demonstraram interesse em continuar comprando a carne produzida no Brasil". Ele disse apoiar a proposta da deputada Isaura Lemos (PCdoB) de realizar uma audiência pública para discutir o assunto.
O parlamentar concluiu o discurso dizendo que lhe causa estranheza a tentativa, segundo ele, do Governo, em tentar descaracterizar a ação da Policia Federal. "Se a Polícia, por acaso, erra na operação, logo, isso poderia dar a entender que ela também erra em outras operações como a Lava Jato, mas acredito na ação da Polícia Federal", finalizou.
Agronegócio
O deputado Humberto Aidar (PT) usou o encaminhamento de voto, durante a Ordem do Dia, para externar seu descontentamento com a operação Carne Fraca. Segundo ele, a Polícia Federal foi irresponsável em jogar o Agronegócio na vala comum, tratando todos os produtores de carne como "picaretas".
“Deve haver colegas extremamente arrependidos de ter subido aqui, propondo essa CPI. Não temos que comungar com a picaretagem, mas temos que trabalhar para exaltar aqueles produtores que trabalham com seriedade. Não podemos misturá-los com três produtores picaretas”, disse.
Para ele, a PF e o Ministério Público Federal ganharam fama de ser as únicas instituições sérias do Brasil porque enfrentaram os crimes do PT, mas, nesse caso, eles cometeram uma grande falha.
O deputado Júlio da Retífica (PSDB) classificou como irresponsável a forma como foram divulgadas as informações sobre a operação “Carne Fraca”. De acordo com ele, não apenas as grandes empresas envolvidas e os grandes produtores, mas também os pequenos pecuaristas vão sentir os efeitos da crise que começa a se abater sobre o setor.
Para Júlio da Retífica, o fato vai prejudicar diretamente a economia goiana. “Recentemente, o governador saiu pelo mundo inteiro, vendendo o nosso Estado, para de repente, perdemos tudo isso”, lamentou.