Adriana Accorsi defende valorização do trabalhador da Segurança Pública
Durante o seminário Segurança Pública, realizado nesta sexta-feira, 7, no auditório Costa Lima, a deputada Delegada Adriana Accorsi falou, agora à tarde, sobre os desafios das forças de segurança pública no Brasil. Para ela, o setor só vai melhorar com a valorização dos trabalhadores da Segurança Pública, mas outros problemas também tem que ser solucionados, como a falta de investimento na estrutura física e recursos humanos. Ela citou exemplos como a investigação sobre abusos cometidos contra crianças da comunidade kalunga no município de Cavalcante. “Era impossível uma pessoa trabalhar e receber uma criança na delegacia da cidade”, comentou.
Outro problema que ela considera grave é a questão do déficit de policiais. “Hoje devemos ter a metade dos policiais civis que nós precisamos. Isto faz com que o policial tenha que escolher qual o crime vai ter que investigar, o que é muito grave, pois se este não for solucionado, vai se propagar, consubstancia sensação de impunidade. Apenas crimes de repercussão são solucionados. Os policias querem investigar, mas com a quantidade de efetivo que temos isso é impossível”, enfatizou.
Em relação à Polícia Militar, Adriana considera que o déficit é “extremamente grave”. “Precisamos de 30 mil policiais e temos por volta de dez ou onze mil. O policial tem que trabalhar no período em que está descansando”, frisa.
Outro problema a ser enfrentado é o colapso do sistema prisional. Segundo ela, a superlotação e o déficit de agentes prisionais faz com que se torne impossível manter a ordem nos presídios. “Hoje temos um agende prisional cuidando de 400 presos”, exemplificou.
A ressocialização dos presos é, segundo ela, outra medida importante, com a necessidade de implantar um projeto específico para mulheres encarceradas. “Queremos apoiar mulheres para que elas consigam ressocializar e voltar para as suas famílias”, ressaltou. A delegada sugeriu também a criação de penas alternativas, lembrando que prender todo mundo não vai adiantar.
A Reforma da Previdência Social foi outro tema abordado no pronunciamento da deputada. Para ela, a medida vai prejudicar sensivelmente os trabalhadores e trabalhadoras da segurança pública. “A proposta atinge esta categoria de forma específica e grave, pois retira da Constituição o artigo que reconhece a atividade de risco e periculosidade dos trabalhadores de segurança pública na concessão de aposentadoria”, afirmou.
Adriana disse que as mulheres em geral e também as que atuam na Segurnça Pública serão prejudicadas, pois perderão o direito de se aposentar mais cedo, apesar de ter uma jornada de trabalho maior, pois cuidam dos filhos e dos afazeres domésticos.
A terceirização também foi outro tema abordado. Adriana prevê que o novo sistema em tramitação no Congresso vai afetar direitos conquistados com a CLT e o serviço público e prevê o fim dos concursos públicos.
A parlamentar falou ainda de temas como violência contra a criança, violência doméstica, violência nas escolas e a necessidade políticas de prevenção de crimes.
Em relação às crianças, afirmou que um caso de pedofilia está demorando em média 8 anos para ser julgado em Goiás, demora esta que considera muito grave. “Isto significa impunidade. Enquanto isso os abusos continuam”, disse.
Adriana lembrou que nem na escola as crianças estão mais seguras, pois professores e alunos são atacados e humilhados. “O grande caminho que a gente tem para a questão da segurança pública é a prevenção. É preciso garantir educação para todas as crianças e investir em programas de primeiro emprego”, salientou.