Sociólogo defende integração de polícias para melhorar a segurança
Durante palestra no Seminário de Segurança Pública realizado na tarde desta sexta-feira no auditório Costa Lima, o coordenador do Centro de Pesquisa em Segurança Pública da PUC-MG, sociólogo Luís Flávio Sapori, defendeu a integração das forças de segurança do País.
De acordo com Sapori, o crime se constitui hoje no Brasil um grande obstáculo às instituições democráticas, afetando a qualidade da Saúde e a qualidade da Educação. “Não é mais a pobreza e a miséria que provocam a violência urbana no Brasil. Pelo contrário, a violência contribui para o aumento da miséria”, salientou.
O sociólogo defende a criação de um sistema único de Segurança no País, nos mesmos moldes dos sistemas de saúde e de previdência social, com distribuição de recursos pela União para Estados e Municípios para sua manutenção.
Para ele, esta integração vai ocorrer com a superação de dois graves problemas no plano constitucional. O primeiro deles é o reconhecimento na Constituição das guardas municipais como forças que atuam no município, podendo atuar também no patrulhamento ostensivo e preventivo, assim como já faz a Polícia Militar. “As polícias militares resistem ao empoderamento das guardas militares pelo receio de perder o monopólio de fazer a segurança nas ruas. Mas o Brasil não pode mais abrir mão das guardas municipais. Elas são fundamentais num quadro de aumento crescente de violência. A população gosta de ver a guarda na rua”, assinalou.
Outro ponto importante que ele destacou é que não dá mais para manter duas polícias, uma investigativa e uma ostensiva nas ruas. Segundo Flávio, com esta divisão, a disposição de colaboração diminui. “As polícias foram divididas por uma conveniência da ditadura militar. Este modelo está sendo testado há 40 anos”, disse.
O palestrante também evidenciou a necessidade de se chamar a sociedade civil para colaborar com esse processo de integração das forças de segurança por meio de conselhos comunitários de Segurança Pública. “É fundamental que a sociedade seja chamada a colaborar com o setor. Não há como mais postergar durante muito tempo isto”, enfatizou.