Dislexia e TDAH
O Auditório Solon Amaral da Assembleia Legislativa de Goiás recebeu na manhã desta terça-feira 30, autoridades, lideranças e representantes da sociedade civil organizada no intuito de discutir políticas públicas específicas para portadores de transtornos do neurodesenvolvimento. O evento é de iniciativa do deputado peemedebista Lívio Luciano.
Participaram do evento compondo a mesa dos trabalhos, além do deputado, o médico pediatra Fábio Borges Pessoa, que atua com transtornos do neurodesenvolvimento; a diretora-geral do Centro de Atenção Psicossocial de Infanto Juvenil do Estado de Goiás (CAPSI), Jacqueline Tauil Ribeiro; e o presidente da Associação Goiana de Dislexia e Déficit de Atenção, Rodrigo Gondim.
O especialista no tema, pediatra Fábio Borges Pessoa explicou a diferença entre dislexia e TDAH. De acordo com Fábio a dislexia é um transtorno específico da aprendizagem, como ler, escrever, inversão de letras, dificuldades de fazer rimas e identificar direita e esquerda. Já o TDAH, além da aprendizagem, afeta questões comportamentais. "Esses transtornos acompanham a criança desde o início da vida, mas é mais percebido na fase escolar."
O médico apresentou dados e falou sobre os sinais e características da dislexia, qual sua incidência e causas, como são os sintomas dos disléxicos, como é feito o diagnóstico da dislexia e quais são as estratégias facilitadoras para lidar com o distúrbio.
Para o parlamentar, a audiência atende o clamor de muitas pessoas que alegam não terem tratamento adequado, seja na escola pública ou privada. O peemedebista informou que, para superar esta situação, é necessário políticas públicas direcionadas para este segmento. “Primeiro é necessário o professor notar a diferença de aprendizado, essa detecção vai garantir que as políticas públicas possam se efetivar", explicou Lívio Luciano.
Visando justamente a criação e efetivação de políticas públicas que atendam essa parcela da população, o deputado apresentou recentemente em Plenário dois projetos de lei. O de nº 1486/17, institui a política pública de atenção ao estudante com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e dislexia nas unidade educacionais (pública e privada) do Estado de Goiás, e o nº 1284/17, institui o atendimento especializado nos concursos públicos e vestibulares realizados no Estado de Goiás para as pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e dislexia. Ambos os projetos tramitam na Comissão de Constituição Justiça e Redação da Casa.
Na oportunidade, o presidente da Associação, Rodrigo Gondim, pontuou que o objetivo da entidade e de seu trabalho com a dislexia e o TDAH, é fazer com que as pessoas portadoras de alguns destes transtornos passem a ser visíveis para a sociedade, para o ambiente escolar e para a família. Gondim acredita que os projetos de leis que estão encaminhados na Assembleia visam exatamente isso: garantir direitos para que alunos com dislexia ou TDAH possam ter equivalência de condições.
A diretora do CAPSi, Jacqueline Ribeiro, conta que o Centro tem quatro fonoaudiólogos, oito psicólogos e quatro profissionais do serviço social, além da estrutura administrativa. "O CAPSI é estruturado como Centro de Referência dotado de equipe multiprofissional de médicos, psicólogos e pedagogos que atuam na promoção, prevenção terapêutica e pesquisa no âmbito da saúde mental infanto-juvenil", explicou.
Após explanações dos integrantes da mesa diretiva dos trabalhos da audiência, foi aberto espaço para pais, professores e demais pessoas ligadas de alguma maneira com o tema fazerem uso da palavra para apresentar suas experiências, levantar questões e enriquecer o debate com o objetivo de traçar diretrizes para desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a dislexia e TDAH.
Em seguida o deputado fez suas considerações finais dizendo que acredita estar no caminho certo, no sentido de fazer justiça. “A audiência é só um marco inicial diante do caminho que iremos seguir. Quero propor leis justas e concluo que estamos seguindo pelo caminho da justiça ao buscarmos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais”, finalizou.