Promotor diz que o Brasil "enterra dinheiro com o desperdício de material reciclável"
O promotor de justiça do Ministério Público, Juliano de Barros Araújo debate nesta quarta-feira, 28, na audiência pública sobre os desafios da reciclagem. Ele tece comentários sobre vários pontos levantados por outros participantes do debate.
Juliano alerta que é preciso entender o papel da reciclagem na gestão de resíduos. "A educação ambiental é importante, mas não é tudo. Estamos falando de um produto que ninguém quer, o lixo. Porém, precisamos entender que o lixo pode ser lucrativo, por isso a importância de separar o que é reciclável dos resíduos descartáveis."
Ele disse que o Brasil enterra dinheiro com o desperdício de material reciclável e com o esforço dos municípios em manter as cidades limpas. “O setor de reciclagem somente atingiu algum nível no país devido à participação de catadores na coleta de materiais recicláveis e que fazem disso um sustento. Mas não temos um plano de gestão de resíduos e isso gera, além de problemas ambientais, um desperdício de recursos e oportunidades.”
Segundo o promotor, este panorama aumenta a necessidade de repensar os projetos que efetivamente devem ser executados. "Pois não adianta pensar todas as fases da gestão de resíduos isoladamente. É fundamental pensar reciclagem em conjunto com a captação e a destinação."
Desde dezembro de 2014, os municípios brasileiros não podem mais despejar resíduos sólidos em lixões, graças à lei nº 12.305/10 que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ela prevê a redução na geração de lixo e aumento na taxa de reciclagem e reutilização deste de maneira sustentável. Dados coletados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que 27% dos recicláveis das cidades foram recuperados em 2012.