Deputados divergem sobre continuidade de denúncia contra Temer
Os deputados estaduais acompanham de perto a crise política no país diante da possibilidade do presidente Michel Temer passar a ser investigado por crime de responsabilidade. A Câmara dos Deputados começou a decidir hoje sobre a autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) possa analisar a denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB) apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em entrevista à Agência Assembleia de Notícias o deputado estadual Helio de Sousa (PSDB), partido que liberou a bancada federal para votar a favor da denúncia, foi cauteloso. O parlamentar tucano acredita que, para o país, o melhor seria a manutenção de Michel Temer no mandato. No entanto o ex-presidente da Alego defende que após o fim do mandato ele seja investigado. “Torço para que o presidente Temer tenha condições de manter seu trabalho, que não é questionado, e que se tenha posteriormente, no momento apropriado, se ele cometeu algum delito que seja investigado. Eu sou favorável que neste primeiro momento, neste julgamento político, ele seja absolvido”, defendeu.
José Nelto (PMDB), membro do partido do presidente pensa diferente. O parlamentar tem demonstrado ser a favor da continuidade da denúncia contra Michel Temer. Nelto faz duras críticas ao mandatário do país e aos deputados federais da base do Governo que podem rejeitar a continuidade da denúncia. “O Congresso Nacional não pode nesse momento agora parar essa denúncia. Eu defendo que a denúncia tem que ser acatada pela Câmara Federal e o Supremo julgar o Presidente da República, que é do meu partido o PMDB, mas não podemos mais conviver com corrupção, o Brasil não aguenta mais”, disse o peemedebista.
Adriana Accorsi (PT) se mostra pessimista em relação à votação da denúncia pela Câmara. Ela fez crítica ao que chamou de “balcão de negócios” se referindo à compra de apoio que, segundo a petista, envergonha o país. Adriana entende que a investigação deveria prosseguir. “Essa votação hoje não é para retirar o Temer ou não. É uma votação que vai permitir que ele seja investigado. Acho que a justiça brasileira tem que ter essa possibilidade, por isso eu sou a favor de abrir esse processo de investigação, mas infelizmente eu não acredito que isso vai acontecer”, finalizou a parlamentar.
Michel Temer é o primeiro presidente a ser denunciado por corrupção durante o exercício do mandato. O presidente passou a ser investigado a partir das delações premiadas da JBS. O empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo, gravou sem conhecimento de Temer uma conversa com o presidente no Palácio do Jaburu, em 7 de março. O diálogo e a entrega de uma mala com R$ 500 mil, que, segundo denúncia da PGR, seriam repassados para Michel Temer foram apresentadas como provas para o oferecimento da denúncia.