Carlos Antonio apoia medida que pune projetos impróprios para crianças
Presidente da Comissão da Criança e Adolescente da Assembleia Legislativa de Goiás e da Frente Parlamentar Interestadual de Mobilização Nacional Pró-Criança e Adolescente, o deputado Carlos Antonio (PSDB) defende o Projeto de Lei 9000/17. Trata-se de proposta do deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que tramita na Câmara dos Deputados e que criminaliza o uso de recursos públicos para realização de projetos artísticos que promovam a sexualização precoce de crianças e adolescentes ou façam apologia a crimes ou atividades criminosas.
“Iniciativas como esta devem ocorrer mesmo, até porque a própria Bíblia diz, em Eclesiastes 3: 1-8, que há tempo para todo propósito debaixo do céu, por isso entendo que também tem o tempo adequado para ensinar criança e adolescente sobre determinados assuntos, como sexo. Abominei, por exemplo, a exposição patrocinada pelo Banco Santander, que abordou a temática LGBT, questões de gênero e de diversidade sexual, envolvendo criança e adolescente”, frisa Carlos Antonio.
O tucano avalia como oportuna a proposta, que acrescenta artigo à Lei Rouanet (8.313/91), para punir doadores, beneficiários e os agentes públicos envolvidos na redução fiscal, tomada ou liberação de recursos para a realização de projetos artísticos que promovam a sexualização precoce de crianças e adolescentes ou façam apologia a crimes ou atividades criminosas. O crime será punível com reclusão de dois a cinco anos, multa equivalente ao dobro do valor do projeto e inabilitação por dez anos para obter os benefícios da lei. No caso de empresa, responderão pelo crime o acionista controlador e os administradores.
Lorenzoni justifica a apresentação da proposta por dois fatos ocorridos no ano passado: a exposição "Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, realizada no Centro Cultural Santander, em Porto Alegre (RS), e performance do coreógrafo Wagner Schwartz no Museu de Arte Moderna (MAM), de São Paulo (SP).
Polêmicas
A primeira exposição, encerrada antes do prazo previsto pelo Santander devido à polêmica que provocou nas redes sociais, abordava a temática LGBT, questões de gênero e de diversidade sexual. Para o deputado, “a mostra de arte fazia clara apologia à pedofilia e mostras de bestialismo (sexo com animais), além das mais diversas práticas sexuais, em uma abordagem incompatível com a faixa etária e o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes que foram levados aos espaços de visitação.”
O Banco Santander foi acusado de censura nas redes sociais pelo fechamento precoce da exposição.
Já no segundo caso, o MAM foi palco de uma atuação performática de Schwartz inspirada na série de esculturas Bichos, da artista Lygia Clark. Na performance, o artista carioca se apresentou nu junto de uma réplica de uma dessas esculturas e “permitiu a articulação das diferentes partes do seu corpo através de suas dobradiças”.
O museu foi acusado de pedofilia após a divulgação de vídeos que apresentavam a interação de uma criança com o artista nu. Para Lorenzoni, a menina foi “incentivada, mesmo ante seu evidente constrangimento, a participar da interação com o artista, tocando partes do seu corpo”.
O MAM rebateu as críticas afirmando que a obra não possui conteúdo erótico e que a sala de realização estava sinalizada sobre o teor da apresentação. O museu disse ainda que a criança do vídeo estava acompanhada pela mãe.
O projeto será analisado pelas Comissões de Cultura e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, será votada pelo Plenário.