Silêncio por vereadoras
Um minuto de silêncio. Essa foi a forma escolhida pelos deputados estaduais na sessão plenária desta quinta-feira,15, para homenagear duas vereadoras que morreram na noite de ontem. Em Anápolis, a 50 quilômetros de Goiânia, morreu a vereadora mais votada da cidade Vilma Guimarães (PSC) vítima de câncer no cérebro. Já no Rio de Janeiro a vereadora Marielle Franco (PSOL) foi assassinada com vários tiros no banco de trás do carro em que estava. O caso teve grande repercussão no Brasil e até no exterior.
O presidente da Assembleia Legislativa José Vitti (PSDB) lamentou as duas mortes e no caso do Rio de Janeiro defendeu esclarecimento do assassinato. “O Rio de Janeiro vive uma calamidade na segurança pública. As autoridades tem que fazer um empenho sobre humano para descobrir qual a razão dessa atrocidade. O feminicídio no país é algo que nos assusta. É de extrema importância que a sociedade cobre o mais rápido possível que se apure o que aconteceu, para que as mulheres não passem a ser vítimas corriqueiras como nós temos acompanhado”, opinou.
A deputada estadual Isaura Lemos (PCdoB) foi enfática ao defender esclarecimento e punição para o assassinato da vereadora carioca e disse que o episódio fere o processo de inserção da mulher na política. “Nós ficamos bastante assustadas quando vemos situação desse tipo. Primeiro lamentar e exigir apuração dos fatos, mas também demonstrar para as mulheres que é preciso sim ir pra política. As mulheres tem que sim ir pra política pra representar os interesses do povo e das mulheres”, destacou.
O deputado estadual Marlúcio Pereira (PTB) também se mostrou assustado com a morte da vereadora no Rio de Janeiro. “As mulheres negras são as que morrem mais. A gente não sabe ao certo o que motivou isso, mas queremos resposta”. O parlamentar é autor de vários projetos, que em âmbito estadual, reforçam as medidas protetivas de combate à violência doméstica. O parlamentar lembrou que, segundo pesquisa do Instituto Data Folha, Goiás é o segundo Estado do país com maior número de feminicídios. Um dos projetos de sua autoria, já aprovado pela Assembleia Legislativa, determina a colocação de tornozeleira eletrônica em autores de violência doméstica que, por imposição judicial, devem ficar afastados de suas vítimas.
A vereadora Marielle Franco foi assassinada com ao menos quatro tiros dentro de um carro, no centro do Rio de Janeiro. Ela voltava de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”. Cerca de 4 km separam o local do evento do ponto onde ocorreu o crime. No trajeto, o carro em que Marielle estava circulou por diversas ruas movimentadas, sendo atacado no momento em que passava por um local mais ermo. A polícia também investiga se alguma pessoa envolvida no crime estava monitorando a vereadora durante o evento. Ninguém foi preso até o momento.