Audiência pública comemora o Dia Mundial da Água
A Assembleia Legislativa foi palco, na manhã desta quinta-feira, 22, de audiência pública que debateu a necessidade urgente de preservação de rios e do Cerrado. O evento foi realizado no Auditório Solon Amaral por iniciativa do Movimento Social, Pastoral, Ambientalista e Urbanitário e apoio da deputada Delegada Adriana Accorsi (PT).
Na abertura do evento, o ambientalista e presidente da Arca, ONG ligada ao ambiente urbano, Gerson Neto, destacou que o debate ocorre em alusão ao Dia Mundial da Água, que é comemorado anualmente em 22 de março, e simultaneamente ao Fórum Mundial, que vai propor o debate sobre recursos hídricos no mundo, e o Fórum Alternativo Mundial da Água. Esses fóruns ocorrem esta semana, em Brasília.
O professor Antônio Teixeira Neto, historiador e geógrafo, participante da mesa de debates, destacou os principais pontos de atenção sobre o tema. "A questão ambiental é fundamentalmente uma questão de educação. Sem os cuidados com a natureza não tem como sobrevivermos e a grande preocupação do nosso tempo hoje são os recursos ambientais. Já vemos os sinais claros de desmantelamento de nossos biomas através de inúmeras catástrofes naturais que estão se tornando corriqueiras. Ou nos reeducamos para ter uma relação mais harmoniosa com a natureza ou continuaremos a cometer os mesmos erros irreversíveis do passado", disse.
Também historiador e geógrafo, o professor Horieste Gomes questionou se o homem terá lucidez necessária para fazer uma autocrítica de sua própria destruição e a partir disso passar a ser um agente da proteção e conservação dos recursos naturais fundamentais à sua sobrevivência.
Gomes também deixa para reflexão a pergunta de que se no presente há ou não possibilidade real de estancar a destruição causada pelo desenvolvimento econômico. E propõe também prevermos, em um futuro próximo, quem terá direito ao acesso à água quando esta não for suficiente para todos, já que ela é um bem finito.
Outros pontos foram considerados pelo representante da Saneago, supervisor do departamento de estudos e recursos hídricos, Mário Cesar Guerino. De acordo com ele, não é possível abordar o assunto tratando apenas com questões técnicas, ou apenas com questões políticas. "Só poderemos começar a ter um diálogo efetivo, a partir do momento em que estas duas questões foram tratadas simultaneamente", disse.
Para Mário César tais movimentações já acontecem, pois, o capital começa a sentir os prejuízos causados pelo descaso com os recursos naturais. "São inúmeros prejuízos que a população, empresas e demais membros da cadeia produtiva vêm sofrendo com a escassez hídrica e os prejuízos advindos de catástrofes naturais que se tornaram corriqueiras, bem como do encarecimento para o acesso aos recursos naturais fundamentais para manutenção destas cadeias produtivas", disse.
A professora doutora em Direito Ambiental Luciana Martins de Araújo disse que a água é um tema que deve ser debatido cada vez mais pela sociedade. Segundo ela, a questão hídrica é uma pauta que grande parte da população não se interessa tanto em discutir. “Atualmente, o grande vilão dessa escassez da água é o poderio econômico, que por diversas vezes se opõe sobre a questão da preservação desse recurso natural”, afirmou a professora.
Segundo a advogada, estudos realizados recentemente constataram que é preciso melhor administração em relação a água. “Daqui a alguns anos, um a cada seis Estados no Brasil irá sofrer problemas por escassez de água e por falta de investimento. A cada 1 real investido em saneamento, economizam-se 4 reais em saúde, a água é um bem de domínio público”, enfatizou a professora.
“O aumento da demanda da água até 2050 vai para 55%. Deste modo, a necessidade para produção de alimento irá aumentar em 60%. Ou seja, é preciso cuidarmos do que é nosso. O desmatamento da floresta amazônica reduz a quantidade de chuvas no restante do Brasil", afirmou.
Ao final do encontro o ativista Gerson Neto convidou a população a continuar acompanhando os trabalhos em prol da sustentabilidade e preservação do meio ambiente para que todos juntos possam empenhar, de maneira mais efetiva, esforços na luta por um uso mais consciente dos recursos naturais disponíveis em nosso Planeta.