Dia da Conscientização do Autismo
A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), por meio da Seção de Atividades Culturais, realizou na manhã desta segunda-feira, 2, um debate sobre "Autismo além da infância". O evento foi no saguão interno da Casa em alusão ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, comemorado anualmente no dia 2 de abril.
O debate foi realizado com a presença da pesquisadora social e coordenadora do Movimento do Orgulho Autista do Brasil (Moab), Ana Paula Ferrari; da fonoaudióloga e diretora da Associação das Famílias e Amigos dos Autistas de Goiás (Afaag), Mariluce Caetano Barbosa; e do jornalista Tiago Florência de Abreu, que sofre de autismo. Além do bate-papo, o público pôde também assistir as apresentações do estudante de física pela Universidade Federal de Goiás (UFG) Mauricio Andrade Henrique, que tem Síndrome de Asperger (um tipo de autismo), e da musicoterapeuta Kelly Cristina Tobias.
Os debatedores trouxeram informações importantes para entender melhor as facetas do autismo. Falaram sobre suas experiências, os diferentes tratamentos, como identificar as categorias do transtorno, métodos de alfabetização e como auxiliar o autista na escola. Além disso, foi discutido também a importância do diagnóstico precoce, da estimulação individualizada do autista e do acompanhamento da doença afim de minimizar os prejuízos sociocognitivo criando um ambiente que estimule o cérebro destas pessoas.
Ana Paula Ferrari destacou que o evento na Alego é importante para chamar a atenção das pessoas para a doença. “Nós que vivemos o autismo temos que estar buscando informações e esclarecendo a sociedade, pois essa doença requer uma luta no sentido de desenvolver e incluir essas pessoas.”
Ela disse que a persistência é uma ferramenta importante no tratamento da doença. “Temos que estar sempre com novas estratégias, norteadas por estudos científicos, e que apresentem soluções para fazer com que o autista se sinta melhor e possa aprender”, destacou.
A fonoaudióloga Mariluce Caetano Barbosa ressaltou que a data em comemoração ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo é fundamental para fomentar ações de esclarecimento e desenvolvimento de soluções para uma doença que, segundo ela, é ainda uma novidade — os primeiros diagnósticos surgiram em 1943. “É através desta data que podemos abordar melhores condições de diagnósticos, políticas públicas, quebra de preconceitos e, principalmente, a questão da conscientização”.
Mariluce é mãe de um autista de 14 anos e ressalta que ainda há muito a ser feito para que as dificuldades possam ser superadas. “A questão da inclusão é muito bonita no papel, porém falta muito ainda para que esses adolescentes possam ser atendidos na plenitude. Por isso estamos lutando diariamente para o estabelecimento de políticas que façam realmente a diferença na vida destas pessoas, desde a infância”, pontuou.
Estudante de jornalismo e asperger, Tiago Florência de Abreu foi diagnosticado com a doença em 2014 e contou aos presentes sua experiência de vida, sua opção pelo curso de jornalismo e as dificuldades que enfrenta. Segundo ele, o despreparo da sociedade para entender o autismo e as atividades em grupo são os maiores problemas enfrentados. “Sempre odiei ter que fazer atividades em grupo, desde o ensino fundamental até hoje, apesar de durante a faculdade ter aprendido a lidar com a situação. Outra coisa que às vezes me incomoda são as ditas brincadeiras. Às vezes levo numa boa, mas muitas vezes essas situações me deixam pra baixo”, disse.
Ele contou ainda que diante do diagnóstico foi possível ter maior segurança no convívio com outras pessoas e, através do aguçamento de sua autocrítica, entender melhor seu comportamento e o desenvolvimento de suas habilidades. “Acredito que é importante pensar que a socialização e nossas habilidades podem trazer alguns êxitos. Eu estudo, trabalho e estou conseguindo levar isso tranquilamente”, aconselhou.
Ao final do evento, a diretora da Afaag, Mariluce Caetano Barbosa, convidou os presentes para participarem, no dia 8 de abril, da 7ª Caminhada de Conscientização do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O evento começará às 8 horas, no Parque Vaca Brava. Na sexta edição da caminhada, mais de 500 pessoas participaram. Neste ano, a expectativa é que a ação reúna ainda mais apoiadores. Aos que queiram participar, é sugerido o uso de camiseta azul, cor que marca a conscientização pelo autismo.