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Treinamento no Politizar

07 de Maio de 2018 às 07:00
Crédito: Sergio Ricardo Sandes Rocha
Treinamento no Politizar
Treinamento do Projeto Politizar - Assembleia
A Alego realizou no sábado, 5, etapa de treinamento do projeto Politizar. O laboratório simulado das atividades do Legislativo vai para a sua 3ª edição neste ano. A simulação está prevista para 4 a 8 de junho.

A Assembleia Legislativa (Alego) realizou no sábado, 5, mais uma etapa de treinamento do projeto Politizar. A iniciativa, uma espécie de laboratório simulado das atividades do Poder Legislativo, vai para a sua terceira edição neste ano e conta, ao todo, com 88 participantes. Dentre eles, 41 irão simular o trabalho de deputados estaduais, outros 41 a dos assessores parlamentares e, por fim, os 6 restantes irão desempenhar o papel de repórteres da cobertura política. A simulação está prevista para ocorrer entre os dias 4 e 8 de junho.

O período de treinamento teve início na noite de sexta-feira, 4, no Câmpus Samambaia. A iniciativa é fruto de projeto de extensão vinculado à Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG) e realizado em parceria com a Alego. Ao todo, 286 pessoas participaram da seleção, mais que o dobro do ano anterior, que contou com 132 inscrições. O processo seletivo envolveu entrevistas presenciais e online.

O projeto foi inspirado no Politeia, da Universidade de Brasília (UnB). A primeira edição do Politizar ocorreu em 2013, sendo seguida por outra em 2017 e esta agora, em 2018. Ao longo da simulação, os participantes deverão propor até 21 projetos de lei, que passarão por todo o rito processual que envolve a tramitação de proposituras na Casa.

Novidades

O cientista político e professor da UFG Robert Bonifácio faz balanço positivo do evento em relação à edição anterior e destaca as novidades da iniciativa para 2018. Ele, coordenador geral do projeto Politizar, diz estar satisfeito com o nível de engajamento dos participantes, visto que muitos dos estudantes que participaram da simulação em 2017, retornaram em 2018, ocupando outras funções dentro do projeto.

Dentre as novidades, ele destaca que, neste ano, o projeto incorporou moradores da cidade de Goiás, uma forma de trazer para a simulação as demandas dos municípios do interior do Estado. Outra inovação em relação à edição passada diz respeito ao fato de que todas as sessões plenárias que serão simuladas no âmbito do Politizar terão cobertura jornalística ao vivo, tal como ocorre no cotidiano da Alego.

"O Politizar é um projeto de educação política muito relevante. Eu tenho um contato quase que cotidiano com parte dos participantes e observo que há upgrade de conhecimentos sobre política, de ativismo e criticismo. É importante conhecer a Assembleia e o trabalho dos deputados para saber criticar e propor soluções. O Politizar não é um projeto de figuração. Queremos discussões de qualidade e pluralidade tanto em questão de ideias, que essa estrutura de partidos já consegue abarcar, quanto de pessoas, de causas. Esse caldeirão de pluralidade vai trazer discussões e projetos de leis com temas bem variados, espero", observou o professor.

Marcos Antonio da Silva é um dos jovens estudantes que participou da edição anterior e que permaneceu como apoio ao projeto em 2018. Ano passado, ele, representante do MDB, foi eleito presidente da Mesa Diretora da Casa, cargo que será repassado ao próximo candidato na simulação que terá início em junho.

O estudante, que está no quinto período do curso de Ciências Econômicas da UFG, afirma ter vivenciado uma experiência muito rica e proveitosa de crescimento pessoal e político. "Na minha opinião, o que há de mais difícil hoje é conseguir trazer todos os que têm propostas sobre uma determinada pauta para dialogar na mesma mesa, com serenidade e sobriedade. Minha candidatura a presidente da Casa era para trazer esse tom, de diálogo para todos os partidos e projetos e propondo também trabalhar na constituição de virtudes, não na reprodução dos vícios que temos na política atual. Foi um exercício de diálogo e conciliação, práticas difíceis de se ter na política contemporânea, que ainda está muito passional", avaliou.

Para este ano, ele também sinalizou a possibilidade de "rompimento de paradigmas" nas estruturas até então perpetuadas no Legislativo goiano. "Na edição passada, foi a primeira vez em que se teve uma Mesa com uma quantidade expressiva de mulheres em sua composição. Dos sete componentes, três eram mulheres, que estiveram em cargos importantes como primeira-secretária e primeira vice-presidente. Hoje, pelo que tenho observado, existem grandes chances da presidência da Casa ser, pela primeira vez, de uma mulher, inédito tanto para o Politizar quanto para a própria Assembleia", ponderou o estudante.

Participantes

Em relação aos participantes, em 2018, o Politizar conta com um público bem mais diversificado do que nos anos anteriores. Embora ainda minoritários, há, atualmente, representantes de segmentos bastante heterogêneos da sociedade, como negros, quilombolas, mulheres e transgêneros, uma vez que os critérios de seleção primaram apenas pela disponibilidade de tempo e disposição para participar das atividades do projeto.

No que tange à representatividade ideológica, medida pela diversidade de legendas partidárias e indicadas pelos candidatos no ato da inscrição, o projeto tenta reproduzir a composição real da Casa. Na atual edição do Politizar, estão representados os seguintes partidos: PCdoB, PSB, PT, PSDB, PR e MDB.

Marta Quintiliano é estudante quilombola do Mestrado em Antropologia Social da UFG. Ela, que ocupa vaga de deputada pelo PT, fala, sobretudo em nome dos quilombos urbanos presentes na Região Metropolitana de Goiânia, que, segundo informa, são dois: um no Jardim Cascata, em Aparecida de Goiânia, e outro chamado Vó Rita, em Trindade, do qual descende. Seu discurso é marcado pela perspectiva etnopolítica que defende.

"A minha reivindicação aqui está relacionada principalmente ao mercado de trabalho. Porque nós, indígenas e quilombolas, somos cerca de 400 estudantes hoje na universidade e a gente não é absorvido pelo mercado de trabalho, que é racista. A gente não se sente representado nos espaços onde vai. Estou lutando por essa representatividade. A gente quer ter essa ascensão social também, porque o negro hoje, principalmente, o quilombola, está nas escalas mais baixas, economicamente falando, sem acesso a direitos básicos. A ideia é, então, estar aqui e entender como funciona essa conjuntura para propor leis que efetivamente funcionem para nós", pontua a mestranda.

Já Roberta Résio, caloura no curso de Ciências Sociais da UFG e ocupante da vaga de assessora parlamentar também pelo PT, é transgênero e representante do público LGBTT. Sua militância é pela libertação dos estereótipos de gênero e pela promoção da saúde do público o qual representa.

"Vivemos hoje num mundo aberto, plural, em que a cada dia as pessoas estão se descobrindo e elas podem ser do jeito que elas querem. A sociedade nos molda e a gente molda a sociedade. É o que está acontecendo com essa questão de gênero, no mundo inteiro, que está sendo formulada a partir de uma nova ideia. Mas ainda existe muito estigma com relação a isso. Nós existimos e estamos aqui. E a questão da saúde é fundamental, porque com ela vem todo um outro aporte para tirar essa população da invisibilidade, sobretudo o público do interior", pondera Roberta.  

Programação

A programação desta etapa do projeto envolveu a realização de três atividades distintas. O primeiro momento foi destinado ao treinamento dos selecionados, que assistiram a palestras sobre temas relacionados a noções gerais de processo e produção legislativos, assessoria parlamentar e  técnicas de cobertura em jornalismo político. O objetivo foi orientar os participantes para a produção dos projetos de lei e para o andamento da simulação.

A etapa de formação teve início na noite de sexta-feira, com as palestras "Competências e Técnicas Legislativas" e "Noções sobre Regimento Interno e Processo Legislativo", ministradas, respectivamente, por Murilo Teixeira Costa,  e Edmarkson Ferreira de Araújo, ambos da Procuradoria Geral da Alego. A atividade se estendeu por toda a manhã e início da tarde de sábado, com palestras sobre "Democracia e Poder Legislativo", "Jornalismo Político" e "Assessores Parlamentares", ministradas, respectivamente, por Miguel Gusmão, da Seção de Assessoramento Temático da Alego; pela jornalista Fabiana Pulcineli, do jornal O Popular e da Rádio CBN; e por Neolete Freitas, da Diretoria Parlamentar da Casa.

O segundo momento foi marcado pelas convenções partidárias, com a formação de alianças entre os partidos representados pelos participantes. Na ocasião também houve a seleção dos líderes partidários. Ao final foi realizada Coletiva de Imprensa para a cobertura jornalística das principais notícias do projeto e balanço das negociações dos parlamentares.

Dentre as lideranças partidárias, eleitas no sábado, estão: André Luiz (PSDB), Ton Paulo (PCdoB), Zé Frederico (PSB), Guilherme Santos (PR) e Ulisses Alves (PT).

Jornalismo político

A jornalista Fabiana Pulcineli, durante sua palestra, lembrou ter iniciado sua carreira em jornalismo político na cobertura do Plenário na Alego, disse que o Poder Legislativo funciona como uma "caixa de ressonância" para todo o Estado. "Você consegue compreender aqui como funciona a política, as disputas partidárias, as demandas administrativas das cidades e de Goiás como um todo, a relação com o Executivo."

Ela também elogiou a iniciativa da Alego em sua parceria com a UFG, por meio do projeto Politizar. "É superpositiva e salutar porque aproxima o cidadão, a população do Poder Legislativo. Estimula as pessoas a fazerem esse controle social, a participar, a cobrar, a fiscalizar. É muito ruim você só demonizar a política e o Legislativo, que é muito alvo. Acho que as pessoas estão cada vez mais atentas ao funcionamento da política e esse projeto incentiva ainda mais isso", defendeu Pulcineli.     

Gabriela Tavares é estudante do terceiro período do curso de Jornalismo da UFG e foi uma das selecionadas para integrar a equipe de cobertura do Politizar. Ela disse estar motivada pela experiência de poder conhecer um pouco mais da política e dos processos legislativos. "É um projeto muito importante, que despertou ainda mais meu interesse em seguir carreira no jornalismo político, mas fico apenas um pouco receosa pelas represálias e conflitos de interesse com políticos e outros segmentos", pontuou.

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