Mês das Mães
Esta quinta-feira, 10, é mais um dia de celebração do Mês das Mães da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Dentro da programação alusiva a elas, foi realizado um debate sobre o tema "Todas as formas de ser mãe", na parte da manhã, no Auditório Solon Amaral. O espaço contou com profissionais da saúde e mães que trataram sobre tratamentos psicológicos, tratamentos médicos e adoção.
Estiveram presentes nesta mesa-redonda as convidadas Lu Salatiel, mãe por “barriga solidária”; Mylena Naves, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana; Juliana Hannum, psicóloga especialista no apoio a casos de útero de substituição; Eduardo de Castro, ginecologista e obstetra especialista em reprodução assistida do Hospital das Clínicas; e Neolete Freitas, servidora da Alego e mãe adotiva.
O médico Eduardo de Castro falou da importância das futuras mães fazerem um planejamento da maternidade e não postergarem a concepção do filho. “A cantora Ivete Sangalo resolveu ser mãe aos 42 anos, mas isso foi mediante um grande investimento financeiro. O que recomendo é não passar dos 35 e fazer um planejamento de maternidade por parte desta futura mãe”, disse.
Castro tratou ainda sobre sua especialidade em reprodução assistida. Ele explicou que nestes casos o aparelho reprodutor de um dos parceiros pode não estar funcionando adequadamente e por isso a melhor recomendação é a assistência do especialista. “Aquele casal que está há mais de seis anos tentando engravidar, já deve procurar o auxílio de um especialista em reprodução assistida. O principal fator de sucesso nos tratamentos desse tipo de reprodução é a idade. Quando pacientes procuram ajuda em idade mais precoce, geralmente o resultado do tratamento é melhor.”
Mylena Naves, que é ginecologista especialista em reprodução, tratou sobre as situações difíceis que são conhecidas em consultório, no que diz respeito a problemas de concepção. Ela também destacou que o aumento das taxas de infertilidade no Brasil é uma realidade. “Pode ser infertilidade feminina, masculina ou mista, quando o problema atinge o homem e a mulher.”
A médica disse que há diversos tratamentos, tanto simples, como coito programado ou a fertilização intrauterina, quanto mais complexos, que custam mais caro. “A grande dificuldade é o acesso pois são tratamentos de custo elevado. Na rede pública de saúde a realidade é ainda mais dura, uma vez que os casais podem ficar anos esperando na fila”, relatou.
Psicóloga especialista no apoio a casos de útero de substituição, Juliana Hannum destacou a necessidade do acompanhamento psicológico tanto para os pais quanto para a mãe que empresta o útero para a concepção da criança, a chamada “Barriga Solidária”. Esse método também é conhecido como Útero de Substituição. O casal doa seus gametas, que serão fecundados in vitro e implantados no útero da mulher que vai gerar o bebê.
“É significativo que estejam em tratamento psicológico, pois essa é uma fase de muita turbulência emocional. Além disso, a mãe que carregará a criança também deve estar se preparando para a gestação e para a entrega do bebê. Os casos que tiveram acompanhamento foram mais tranquilos, até mesmo para a fase em que a criança que nasceu já estará nos braços da mãe”, destaca.
Sonho conquistado
Servidora da Alego, Neolete Freitas contou sua história como mãe adotiva do Emanuel. Lembrou que adoção foi um caminho para conquistar o sonho de ser mãe. Ela disse da longa caminhada que percorreu até o momento da chegada em sua vida de Manu, que hoje está com 17 anos de idade. “A duração do processo para a adoção do Manu durou oito anos. Foi na justiça do Pará. Eu já era servidora aqui na Alego e meus colegas me auxiliaram muito.”
Neolete contou que foi até o serviço de imprensa da Casa de Leis e relatou que estava indo ao Pará para, mais uma vez, tentar vencer a luta pela adoção de seu filho. “Eu disse que só sairia do Fórum com a assinatura do juiz e que se algo desse errado, gostaria que eles me ajudassem a colocar toda a imprensa por dentro do que estava ocorrendo. Na época eu fiquei sabendo que o juiz responsável por meu caso estava em um churrasco que durou dias e, por isso, ainda não tinha assinado o documento que dava andamento ao meu processo”, lembrou.
A servidora, através de um relato emocionante, falou aos participantes do debate sobre os desafios e as virtudes de uma relação baseada no amor incondicional, independentemente de ter sido a geradora da criança que ela adotou. “Posso garantir que o amor verdadeiro acontece quando se é mãe. Ter uma vida para educar, cuidar, ensinar é algo que não tem explicação. Só quem vive é que pode descrever e compreender o que é isso. Ser mãe de coração é despojar-se de tudo. Mergulhar em um oceano e ver o que virá, sempre com muito amor.”
Lu Salatiel, mãe por “Barriga Solidária”, participou do debate falando dos desafios que enfrentou ao decidir gerar seu filho em outro útero. Ela descobriu que não poderia ter filhos aos 14 anos por conta de uma atrofia no útero. “Desde essa época fui grata a Deus. Não tem como não dizer que há uma grande frustração ao saber isso, mas fui compassiva e aceitei. O sonho do meu marido também era ter um filho, então a primeira opção foi a fertilização. Minha irmã foi nossa primeira tentativa, que não foi bem-sucedida”, recordou.
Sem desistir do sonho de ter um filho, Lu Salatiel tentou o processo de adoção que ainda está em andamento. “Até hoje estamos na fila, é muito demorado e desgastante.” A felicidade da concepção de um filho veio para ela e seu marido há menos de um mês. Hoje ela é mãe do Pedro, que foi gerado na barriga de uma amiga. “Ano passado voltamos para a fertilização. A lei mudou e foi possível gerar nosso filho na barriga de uma grande amiga nossa. Hoje temos um bebê de 22 dias. É muita alegria”, expôs.
Bazar das Mães
Também está em continuidade o tradicional Bazar das Mães da Alego, realizado no hall do Palácio Alfredo Nasser. A feira conta com a participação de 46 expositores, que movimentam as dependências da Alego. Diversas barracas estão expondo uma variedade de produtos à venda, como alimentos e bebidas, artesanatos, roupas e acessórios.
Na manhã desta quinta-feira, 10, a apresentação musical que embalou a feira ficou por conta da dupla Luís Fernando e Fabrício, que tocam violão e violino. “Estamos muito felizes em poder participar deste evento em homenagem as mães”, celebrou Luís Fernando.
Fabrício contou que em suas apresentações o estilo predominante que apresentam é o sertanejo universitário, mas há uma variedade. “Geralmente, inovamos o sertanejo com o som do violino, mas em nossos shows tocamos de tudo”, disse.
O Bazar teve início na terça-feira, 8, e se estenderá até amanhã, 11. Com o tema “Histórias que Transformam”, o evento presta homenagem ao Dia das Mães, que será comemorado neste domingo, 13, em todo o território nacional.
O bazar é aberto a toda comunidade. A equipe que monitora a entrada e saída de visitantes na Casa informa que a presença do público é duas vezes maior que nos dias regulares, podendo atingir uma circulação de até duas mil pessoas por dia.
Doações
Durante a semana, também estão sendo colhidas arrecadações para mães do Hospital Araújo Jorge. Os donativos arrecadados comporão kits de beleza, a serem distribuídos para cerca de 50 mães atualmente residentes no hospital que é referência no tratamento oncológico do Estado. As doações serão realizadas no dia 21, às 14 horas, no auditório do Araújo Jorge, em cerimônia promovida pela Associação de Combate ao Câncer de Goiás (ACCG) em parceria com a Alego. O Coral dos Servidores da Alego fará uma apresentação especial no evento.