Promotor de Justiça dá orientações a crianças e adolescentes presentes em sessão solene
Coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude do Ministério Público de Goiás (MP-GO), Publius Lentulus Alves da Rocha participa da sessão especial em homenagem ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual das Crianças e Adolescentes. O evento está sendo realizado na manhã desta sexta-feira, 18, no Plenário da Casa de Leis.
Publius Lentulus explicou sua situação dentro do MP-GO. “Estou afastado da função de promotor de Justiça para auxiliar o chefe do MP na área da infância e juventude. O promotor de Justiça recebe encaminhamento dos Conselhos Tutelares, da sociedade civil e a partir disso, posso afirmar que nós vemos as coisas mais feias que vocês podem imaginar”, destaca.
O auditório está lotado de crianças e adolescentes participando da solenidade, e aproveitando isso, o promotor se dirigiu a eles, dando-lhes orientações. “Estamos passando por um período muito intenso de acesso a informação. Isso faz com que o aparato de quem deseja o mal é potencializado. Internet também produz coisas boas, mas há um efeito colateral, por trazer também coisas ruins para nós. (tecnologia) Potencializou a atuação do agressor mas também potencializou a defesa de vocês”, disse.
“Vocês já têm noção de seus direitos, do que pode ou não ser feito com vocês. Busquem se informar e saber aquilo que é permitido ou não, aquilo que vocês podem ou não fazer. Ao contrário das gerações anteriores, que eram mais desleixadas, deixando a idade adulta chegar para ter noção de seus direitos, hoje é bastante diferente”, destaca.
Ele informa que no Brasil são aproximadamente 500 mil vítimas de abuso e exploração sexual registradas e indaga sobre qual o porcentual que chega no promotor para serem tomadas as devidas providências. Publius Lentulus Rocha responde ao seu próprio questionamento informando que apenas 7% das agressões são registradas. “Isso não é normal, não é natural. Uma violação sexual ofende fisicamente, psicologicamente. Precisamos descobrir aquilo que pode ou não ser feito.”
O promotor diz que a maioria dos crimes de violação sexual de crianças e adolescentes é cometido por pessoas que aparentam bondade. “Nem todos os crimes de conteúdo sexual contra crianças e adolescentes tem a aspereza que teve da Ana Clara [sequestrada e morta em 2017, em Goiânia]. Mas, às vezes, ocorre na surdina, por um vizinho, ou dentro de casa. Geralmente, o agressor se traveste de uma pessoa boa para cometer um crime”, advertiu.