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Atendimento humanizado

21 de Maio de 2018 às 17:29
Crédito: Ruber Couto
Atendimento humanizado
Audiência pública sobre cuidados paliativos
Deputado Helio de Sousa promoveu, na tarde desta segunda-feira, na Assembleia, audiência sobre cuidados paliativos que, para ele, previnem e aliviam o sofrimento físico do paciente.

Pacientes que enfrentam doença grave ou incurável, que os causa sofrimento, devem ser tratados de forma humanizada por profissionais da saúde para que, apesar de limitadas perspectivas, eles possam gozar de uma melhor qualidade de vida. Os cuidados paliativos, reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde desde 2002, ganhou lei no Estado de Goiás no ano passado. A Lei nº 19.723/17, que institui a Política Estadual de Cuidados Paliativos, visa estimular esse atendimento especial nos hospitais públicos estaduais, para proporcionar dignidade e conforto aos doentes e aos familiares.

Ao abrir a audiência pública sobre o tema, seu propositor, deputado Helio de Sousa (PSDB), que atua como médico há 44 anos, disse que há pouco tempo conseguiu compreender a importância dos cuidados paliativos, ao ser apresentado à Dra. Ana Maria Porto. Ela, que também participou da audiência pública, foi a pessoa que articulou e desenvolveu o texto do projeto de lei que hoje guia a Política Estadual de Cuidados Paliativos.

De acordo com o parlamentar, os cuidados paliativos previnem e aliviam sofrimento físico, psicológico, social e espiritual associado a doenças graves ou incuráveis. Discuti-los seria importante então para estimular a continuidade da atuação dos profissionais, e para provocar o Estado a cada vez dedicar mais atenção ao tema.

Servidora da Assembleia Legislativa, Kelley Marques proferiu fala de abertura dos trabalhos fazendo uma provocação. Ela perguntou aos presentes: “Se hoje fosse o último dia da sua vida, o que seria importante para você?”. Ela ainda convidou os espectadores a conhecerem a Lei nº 19.723/17 e destacou a importância de um tratamento com afeto, que cuide e proteja os pacientes do sofrimento e da dor.

COLOCAÇÕES

Além do deputado Helio de Sousa, compuseram a Mesa dos Trabalhos os seguintes profissionais, dedicados aos cuidados paliativos: representante da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, Dra. Érika Pereira; representante do Hospital Alberto Rassi (HGG), Dra. Ana Maria Porto; representante do Hospital Araújo Jorge (ACCG), Dr. Antônio Teles; presidente da Comissão de Cuidados Paliativos do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santilo (Crer-GO), Dr. Fernando de Paula; e representante do SAD de Aparecida de Goiânia, psicóloga Patrícia Rigoni.

Primeiro a falar, o Dr. Fernando de Paula compartilhou sua experiência de implementação dos cuidados paliativos no Crer, que ocorreu no final do ano de 2015. Ele destacou a importância de permitir que doentes tenham oportunidade de voltar para casa e conviver com seus entes queridos, ao invés de continuarem internados, em situações em que não há perspectiva de melhora. “Eles passaram a falecer nas enfermarias ou em casa, e não mais nas UTIs. Proporcionamos então ‘qualidade de morte’”, declarou.

Dr. Antônio Teles, por sua vez, falou sobre a equipe de cuidados paliativos estabelecida no Hospital Araújo Jorge, desde o ano de 1993. À época, apenas seis pessoas atuavam na área: dois médicos, um psicólogo, uma assistente social e três voluntários, que faziam visitas a pacientes utilizando carro próprio. Hoje, o atendimento domiciliar continua, com uma equipe maior e mais especializada, com objetivo de proporcionar conforto, controlar a dor e os demais sintomas, oferecer rede de apoio psicossocial e espiritual, passar informações verdadeiras, e realizar desejos.

Viajar, tomar banho de cachoeira, se casar, foram exemplos citados de desejos realizados pela equipe de cuidados paliativos. Na ACCG ela também é composta por um grupo pós-óbito, que recebe feedback de familiares. O momento ajudaria na superação do luto, e também na afinação no serviço prestado ao doente.

A geriatra Dra. Ana Maria Porto, do HGG, revelou que o sofrimento dos pacientes e familiares, e a inabilidade de muitos médicos de lidarem com esse sofrimento inspiraram-na a dedicar-se aos cuidados paliativos. “Devemos atender a essas pessoas de forma digna, proporcionando a elas algum conforto frente à dor e ao sofrimento”, declarou.

Apesar de enxergar o caminho dos cuidados paliativos como difícil, ela espera que o trabalho de conscientização das pessoas faça com que cada vez o Poder Público defina políticas que cuidem do ser humano de forma integral, uma vez que, em sua opinião, não basta o cuidado físico. Cuidar do emocional, do psicológico, do social, da família e do sofrimento seriam igualmente importantes.

Psicóloga, a Dra. Patrícia Rigoni destacou a importância do amor no cuidado paliativo. Ela ainda utilizou sua fala para apresentar sua experiência à frente do Programa Melhor em Casa – Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), oferecido pela prefeitura de Aparecida de Goiânia. Atualmente cerca de 80 pacientes são atendidos por equipe de cuidados paliativos, que também conta com grupo de apoio aos enlutados. No município, os profissionais dos cuidados paliativos têm por objetivo capacitar familiares e cuidadores dos doentes, para que eles possam ajudar da manutenção e melhora da qualidade de vida.

Por fim, a Dra. Érika Pereira proferiu palestra em nome da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, entidade que luta para que políticas cada vez mais definitivas sejam estabelecidas nos Estados e no País. Ela, mais uma vez, explicou do que se trata o tema e lamentou o fato de menos de 1% dos hospitais brasileiros oferecerem esses cuidados a seus pacientes.

Cuidados paliativos seriam tendência mundial, visto a curva de inversão epidemiológica e demográfica. “Nunca vivemos tanto, vamos viver cada vez mais, e todos vamos morrer. Quando morrermos, tomara que a morte nos seja generosa”, desejou Érika, que concluiu sua fala dizendo que “paliar” não é desistir do paciente, e sim proporcioná-lo dignidade diante da dor e do sofrimento.

ENCERRAMENTO

Ao fim das ponderações dos convidados, o presidente abriu os microfones para que os espectadores pudessem expor suas dúvidas e reflexões. Logo que todos se manifestaram, Helio de Sousa encerrou a reunião tecendo agradecimentos e dizendo esperar que os cuidados paliativos recebam cada vez mais atenção dos entes públicos, para maior humanização do tratamento médico-hospitalar.  

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