Greve dos caminhoneiros
A greve nacional dos caminhoneiros e suas consequências foi o tema central dos discursos na tribuna do Plenário Getulino Artiaga da Assembleia Legislativa durante a sessão ordinária desta terça-feira,29. Parlamentares da situação e da oposição repercutiram os efeitos negativos da paralisação, que completou nove dias hoje, e apesar de alguns parlamentares considerarem justo o protesto da categoria, todos defendem que o movimento paredista já deveria ter sido interrompido em razão dos prejuízos que tem causado para a economia brasileira e goiana, uma vez que a maioria da pauta de reivindicações já foi atendida pelo Governo Federal.
Luis Cesar Bueno (PT) discursou em defesa dos caminhoneiros e fez críticas ao presidente Michel Temer (MDB). “Temos um presidente impopular que chegou ao poder através de um golpe. Temer é o maior responsável pela greve dos caminhoneiros, que tem apoio do campo e da cidade. Como o terceiro maior produtor de energia do mundo pode ter uma gasolina tão cara?”, indagou.
Helio de Sousa (PSDB) ponderou que a categoria já alcançou seus objetivos e que é preciso bom senso e equilíbrio para que haja o desfecho do que chamou de instabilidade e tensão social. “Chegou o momento de voltarmos à normalidade para que possamos evitar que males maiores possam se acumular”, defendeu. Helio de Sousa considerou absurda a tese defendida por alguns segmentos dos caminhoneiros de intervenção militar no país. “Eu acho um absurdo. Ter um país em que se comemorava a democracia plena, levar a situações como essa. Agora é momento de recuar. O movimento já alcançou seus objetivos, mas vitória não se segura muito tempo se você continuar com a luta”, alertou.
O presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio da Assembleia Legislativa, deputado estadual Lissauer Vieira (PSB), que também é produtor rural, falou dos prejuízos causados pela greve e defendeu a imediata suspensão do protesto. “Todos os setores estão pagando caro essa conta da greve. O poder público, o setor dos alimentos, a saúde, os combustíveis, o setor produtivo deixando de gerar insumos, renda e emprego pro nosso país, então nós não podemos continuar com essa situação. Lissauer também acredita que a continuidade do movimento pode resultar na exploração política da greve e de igual forma que outros parlamentares, criticou a defesa de líderes do protesto que defendem a intervenção militar. “Se nós tivéssemos a intervenção militar ninguém estava nas ruas reivindicando. O sistema democrático é o melhor que existe e estamos em ano de eleição e podemos ver quem tem as melhores propostas para o país”, defendeu.
Na sessão desta terça-feira o plenário aprovou um requerimento, em regime de urgência e preferência, do deputado estadual José Nelto (Podemos). O parlamentar sugere no documento que o governador José Eliton (PSDB) reduza a alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrada sobre os combustíveis no Estado. José Nelto requer ao Chefe do Poder Executivo a redução da alíquota do óleo diesel de 16% para 12% e da gasolina de 30% para 27%. “O Governo do Estado de Goiás tem que dar sua contribuição e não pode ficar de fora dessa crise que tomou conta do Brasil”, justificou o parlamentar que defendeu a compensação da redução das alíquotas cortando incentivos fiscais já concedidos ao setor produtivo.