Simeyzon Silveira repudia discursos oportunistas durante greve
Ao inaugurar o Grande Expediente, o deputado Simeyzon Silveira (PSD) disse que a crise resultante da paralisação dos caminhoneiros rendeu um grande volume de discursos oportunistas no país. Para o deputado, o Brasil é um país complexo e o momento deveria ser melhor aproveitado com o debate por soluções para resolver os desafios.
“Todos esperam que a classe política discuta soluções para o País. O que me preocupa hoje é ver o tipo de discurso que está sendo feito. Há três tipos de discurso que predominam: vitimização, oportunista e o mágico. Ainda não enxerguei um representante político de grande relevância vir com teses consistentes sobre as mudanças profundas de que o País precisa”, afirmou o deputado.
Simeyzon Silveira procurou caracterizar cada um dos três tipos de discurso que identificou. De acordo com ele, o de vitimização é aquele no qual o agente político ignora sua participação, por ação ou omissão, nas decisões que levaram o país à crise, como se não tivessem responsabilidade. O oportunista aproveita o momento para colher vantagens eleitorais. E o mágico, aquele que oferece soluções mirabolantes para sanear os problemas.
“Temos visto uma ala que se aproveita do momento de crise para se vitimizar, como se não tivesse participado do que houve no País. Vejo deputados do MDB falando mal do presidente Michel Temer, que é do MDB, em evidente discurso oportunista. E há o discurso mágico, que faz propostas mirabolantes e inaplicáveis, como se uma varinha mágica pudesse resolver tudo”, afirmou o pessedista.
Simeyzon Silveira critica o fato de que os agentes políticos não oferecem teses consistentes para mudar a realidade brasileira. Para o parlamentar, o modelo político-administrativo vigente no País faliu. “Não trazem teses de mudanças para o Brasil considerando as circunstâncias atuais. Temos um modelo político-administrativo que faliu. Vamos discutir a crise ou propor mudanças reais, realizáveis. Há pessoas que utilizam a desgraça do país para criar oportunismo eleitoral, agindo de maneira irresponsável.”
O parlamentar avaliou que o Brasil é um país de dimensões continentais, plural e, por isso, complexo. De acordo com ele, não adianta demonizar reformas, mas procurar caminhos para atravessar a crise e permitir que o País volte a crescer com consistência.
“Dias atrás, ouvi uma entrevista com o cantor Emicida, que disse que todo político que oferece soluções fáceis para o País é um canalha. Não há soluções fáceis. Vivemos em um país complexo. Uma medida boa para o Acre, por exemplo, não funciona necessariamente no Sul. Demonizar reformas é fácil. Não há crescimento sem geração de emprego e rendas. Não podemos simplesmente aposentar a população com programas sociais, que devem ser transitórios para que (beneficiários) voltem ao mercado e produzam”, afirmou o pessedista.
Apartes
Em aparte, o deputado Carlos Antonio (PTB) disse que a falta de clareza e posicionamento consistente tem levado pessoas de bem a não se envolverem mais com política. De acordo com o petebista, é lamentável que deputados com a qualidade do presidente José Vitti (PSDB), que não será candidato à reeleição, se afastem do debate público.
“A preocupação do deputado Simeyzon Silveira deveria ser a de todos os brasileiros. Parece que estamos tocando fogo em uma casa com todo mundo dentro. Estamos todos envolvidos nisso, políticos ou não. Há quem se coloca isento de culpa ou que não tem contribuição nenhuma a oferecer. Esse comportamento tem levado pessoas de bem a não se envolver com política. É lamentável que políticos com a qualidade de José Vitti deixem a política. Temos que ter pessoas comprometidas, que queiram contribuir. O problema brasileiro não será resolvido na eleição”, afirmou Carlos Antonio.
O deputado Lucas Calil (PSD) ressaltou em aparte que discursos fáceis não resolverão os desafios que o País enfrenta. De acordo com ele, as redes sociais estão repletas de discursos e posicionamentos oportunistas. “Faço coro às palavras do deputado Simeyzon Silveira. O país está parado. Vi tantos oportunistas em suas redes sociais fazendo discursos com intuito de aparecer e se apresentar como potencial candidato. Não tem ferramenta nenhuma para contribuir com o debate e resolver a questão dos caminhoneiros. Tenho convicção de que discursos fáceis não resolveram os problemas do Brasil.”