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Incentivo à Cultura do Bambu

04 de Junho de 2018 às 12:01
Crédito: Carlos Costa
Incentivo à Cultura do Bambu
Audiência pública sobre Política Estadual de Incentivo à Cultura do Bambu
Audiência pública nesta segunda-feira, 4, debateu a Política Estadual de Incentivo à Cultura do Bambu. Iniciativa do deputado Francisco Jr (PSD), presidente da Frente Parlamentar do Cerrado.

Ocorreu na manhã desta segunda-feira, 4, audiência pública para debater a Política Estadual de Incentivo à Cultura do Bambu. A iniciativa foi de deputado Francisco Jr (PSD), presidente da Frente Parlamentar do Cerrado. O evento teve lugar no Auditório Solon Amaral da Casa de Leis.

No debate foram abordados temas como “O bambu como produto agrícola”, “A situação atual da cultura do bambu em Goiás”, “Biotecnologia no bambu” e “Consórcio do bambu”.  Ocorreram ainda discussões sobre as experiências dos produtores dessa espécie em Goiás, com explanações feitas por representantes das fazenda Indaiá, de Caldas Novas, e Bambusa, de Itapuranga, respectivamente Stephan Posch e Paulo Roberto Faria.

Além de Francisco Jr na presidência da mesa de trabalhos, estiveram presentes no encontro: o mestre em agronomia e Diretor da empresa Embambu Ltda, o engenheiro agrônomo, mestre em Agronomia e produtor rural do município de Alexânia, Roberto Magno de Castro; o coordenador da Rede Bambu e professor da Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), o engenheiro agrônomo e doutor em Agronomia, Rogério de Araújo Almeida.

Também integram a mesa o coordenador do Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais da UFG, Sérgio Tadeu Sibov; o presidente da Associação Brasileira do Bambu, o médico PhD e professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Elson Montagno.

Buscou-se através da reunião debater a política pública defendida no Projeto de Lei  954/18, de autoria de Francisco Jr, o qual tramita na Casa de Leis em primeira fase de discussão e votação. O texto propõe a implantação de política estadual de incentivo à cultura do bambu para estimular a produção e a valorização desta planta como instrumento de fomento do desenvolvimento socioeconômico regional e integrado de Goiás.

Além do esclarecimento quanto às formas de utilização e o potencial econômico do Bambu, foram tratados ainda durante o encontro assuntos relacionados ao incentivo à produção, ao beneficiamento, transporte e comercialização, bem como as políticas de incentivo à exportação e de acesso ao crédito.

Na abertura dos trabalhos Francisco Jr destacou que a falta de conhecimento da sociedade brasileira é um dos pontos mais graves que a cultura do bambu enfrenta. “Temos que combater a ignorância em relação ao bambu. Não conhecemos ainda o potencial econômico que essa planta possui”.

O parlamentar explicou que o bambu é um produto que tem diversas utilizações, mas o que falta é a população aderir ao costume. “O que falta realmente é a cultura de uso deste produto. Falta a cultura de incentivo do Estado bem como a de plantio e utilização sustentável da planta”.

O bambu é um substitutivo sustentável a inúmeras outras matérias-primas que atualmente são mais amplamente utilizadas, disse Francisco Jr. Ele ainda sustentou que o intuito da audiência é esclarecer, através de pesquisas científicas, a utilização da planta. “Portanto, queremos mostrar as inúmeras pesquisas que já são realizadas, para estimular os produtores a começarem a pensar neste produto como uma solução alternativa a produtos mais tradicionais, como os metais, madeiras, entre outros, e ao mesmo tempo provocar o Estado a fomentar a atividade”.

O diretor da Embambu Ltda, Roberto Magno, explicou as razões para cultivo do bambu. “O crescimento é rápido e é uma planta muito resistente ao fogo, por exemplo”, disse. Além disso, Magno falou de sua experiência com pesquisas internacionais e disse que o bambu traz benefícios como sequestro de carbono, abrigo para fauna, regulação do balanço hídrico, proteção de água e solo, produção de energia limpa, tratamento de esgoto e uso alternativo ao plástico.

O engenheiro agrônomo Rogério de Araújo Almeida, produtor rural do município de Alexânia, disse que com a aprovação da lei proposta pelo deputado Francisco Jr, que promove a implantação de política estadual de incentivo à cultura do bambu, a realidade irá mudar ainda mais rapidamente. Disse que em Goiás se está tentando mudar esse cenário. Lembrou que a Rede Bambu Goiás, uma rede de produtores, pesquisadores, artesãos e demais pessoas interessadas na cultura do bambu que, unidos, trabalham para mudar essa realidade.

“O clima e o solo do nosso Estado permitem a produção, pois vemos as touceiras da planta em praticamente todos os lugares. Quando as pessoas começarem a tomar conhecimento do potencial financeiro que o bambu tem, e unido aos incentivos públicos, a produção se desenvolverá e toda a sociedade irá se beneficiar da cultura”, destacou.

Ele ainda informou que no município de Caldas Novas já existe propriedade que desenvolve 30 hectares da cultura e processa a planta na forma de broto para alimentação humana. “É a primeira indústria de broto de bambu no Estado e dois outros produtores devem começar a produção nos próximos meses.”

Durante sua apresentação, o coordenador do Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais da UFG, Sérgio Tadeu Sibov, apresentou pesquisas que buscam formas alternativas para a propagação da planta. “Quando pensamos em propagação de bambu pensamos em semente que é algo raro pois a planta raramente floresce. Dependendo da espécie leva de 30 a 120 anos para florescimento”, citou.

Diante da dificuldade que encontram para propagar a planta através da semente, Sérgio explicou que os pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da UFG realizam trabalhos para encontrar tipos de propagação alternativa para o bambu. Ele ainda explica que o obstáculo enfrentado são as contaminações.

“Quando fazemos esses tipos de procedimentos, muitas vezes, não vem só o bambu, vêm fungos e bactérias, o que limita a pesquisa. Estamos trabalhos para diminuir esse tipo de situação. Mas, isso não é só aqui no Brasil. Na China eles têm problemas semelhantes. Usam cloreto de mercúrio para romper esses agentes, mas o descarte é muito difícil. No Brasil usamos produtos mais baratos e menos prejudiciais”, contou.

Aspectos ecológicos

Elson Montagno, presidente da Associação Brasileira do Bambu, médico PhD e professor da Universidade de Campinas (Unicamp), deu um recado com conotação mais ecológica sobre as vantagens do bambu, lembrando que a situação em que se encontra o planeta em termos de degradação da natureza é consequência exclusiva da ação humana. “Nós arrasamos o planeta terra, o relógio para o fim dos tempos não é político é ecológico.”

Além do uso como alimento ou substituto de matérias como a madeira, metal e plástico, Elson explicou que o bambu também seria um grande aliado da saúde. “Como alimento ele pode servir para diminuir, por exemplo, uma das grandes epidemias globais, como a obesidade. Ele também é importante no combate à diabetes e algumas formas de câncer”, ressaltou.

Ele ainda disse que a planta teria bons resultados no fortalecimento do sistema imunológico, no combate ao colesterol e doenças respiratórias e também na melhoria do sistema cardiovascular e como anti-inflamatório.

Por fim, o médico sustentou que, como presidente da Associação Brasileira do Bambu, pode afirmar que o Estado de Goiás está em destaca quanto a pesquisas voltadas para o incentivo desse cultivo. “Não escondo dentro da Associação Brasileira do Bambu que minha preferência é por Goiás, pois é aqui que estão os melhores pesquisadores e profissionais dessa área”, finalizou.

Um dos participantes, o engenheiro civil e representante da Associação Brasileira de Produtores de Bambu (Aprobambu), Vitor Marçal, destacou que o potencial de aproveitamento do bambu no Brasil é desconhecido. “Vemos um pouquinho plantado, na maioria das vezes com pouco manejo, mas se partirmos para culturas mais desenvolvidas nesta área iremos entender o potencial desta planta”.

Vitor Marçal também destacou que o bambu pode ser aproveitado, por exemplo, para substituir madeira, plástico e ferro. “São inúmeras aplicações que variam apenas pela quantidade de tecnologia e conhecimento aplicados na produção. É importante, portanto, a nós brasileiros começarmos a dar a essa planta o respeito que ela merece e com isso incrementar nossa economia”, disse.

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