Politizar: deputados aprendizes discursam no Pequeno Expediente
Nove deputados aprendizes, o máximo que o Regimento Interno permite, pediram a palavra para discursarem durante o Pequeno Expediente desta manhã de terça-feira, 5. Neste momento da sessão, os parlamentares têm até três minutos para posicionarem-se, da tribuna, sobre assunto de sua preferência, e sem apartes.
Primeiro a falar, o deputado Henrique Turíbio (PR) ressaltou a importância do Projeto Politizar, que permite que cidadãos comuns atuem como deputados estaduais, em sessões simuladas. Em seguida ele lamentou a execução de um homem ocorrida nesta manhã, no Campus Samambaia, da Universidade Federal de Goiás. Turíbio aproveitou o momento para refletir sobre o valor da vida e da importância que essa notícia terá, caso a vítima não seja estudante da universidade, e sim um morador de rua ou um usuário de drogas.
Em seguida, Denise Leal (MDB) subiu à tribuna, para tratar sobre mudança na política. “Nós, enquanto deputados, podemos fazer a diferença”, iniciou a aprendiz, que pediu aos pares para não repetirem antigas e condenadas práticas enquanto estiverem no Parlamento. “Somos a revolução e devemos fazer as coisas de modo diferente”, finalizou.
Caio Teodoro (MB) foi o terceiro a falar. Logo que iniciou seu discurso, o parlamentar destacou a alegria que sente em poder representar, por uma semana, o povo goiano. Ele ainda disse esperar que os pares consigam, acima de ideologias partidárias, unirem-se pelo bem comum. “Essa vaidade tem que sumir, para que possamos dar o melhor a esse povo trabalhador do Estado de Goiás”, declarou.
Ao subir à tribuna, o deputado Juscelino Oliveira (PSDB) também destacou a importância do Projeto Politizar para a democracia, uma vez que ele permite que pessoas da sociedade civil participem mais ativamente do Legislativo. Em um segundo momento ele criticou o posicionamento dos quatro parlamentares que votaram contra chapa única para eleição da Mesa Diretora, uma vez que a decisão teria sido tomada em consenso. “Por isso que a política vai de mal a pior, porque a gente pensa primeiro em nós mesmos e nos nossos interesses, antes de pensar no povo”, concluiu.
Quinto a pedir a palavra, Felipe Matheus (PSDB) utilizou seus três minutos para destacar questões relativas ao meio ambiente e ao descarte irregular de resíduos sólidos. Em seguida o deputado Mano CDJ (PT), discursou sobre o movimento hip-hop e sobre a importância da ocupação do espaço oferecido pelo Politizar por representantes da periferia.
O deputado Márcio Torres (PT) comemorou eleição de sua correligionária à Mesa Diretora, destacando a importância de uma mulher quilombola ocupar o mais alto cargo da Assembleia Legislativa de Goiás. Ainda sobre representatividade, o parlamentar declarou-se homossexual e disse esperar que a comunidade LGBT esteja cada vez mais presente nos Parlamentos brasileiros. “No Congresso Nacional, apenas um parlamentar é declaradamente homossexual. Apesar da parcela gay e trans da sociedade variar entre 10% a 16% temos, em âmbito federal, apenas 0,02% de representação”, finalizou.
Sétimo na fila, o deputado José Frederico (PSB) frisou a possibilidade de quebra de paradigmas políticos com a realização de projetos, como o Politizar. “Temos a tendência de replicar práticas antigas, mas devemos tentar colocar nossa marca: trabalhar com representatividade e transparência, rejeitando a troca de favores", alertou. Da tribuna ele ainda convidou os demais deputados aprendizes a participarem de frente suprapartidária para tratar desses temas.
Por fim, Felipe Freitas (PCdoB) discursou em favor da modificação da política de drogas adotada pelo Brasil, destacando seu posicionamento em favor da legalização da maconha para fins recreativos e medicinais. “Nossa atual política contra as drogas mata mais pessoas que a Guerra da Síria, por isso proponho reflexão sobre a legalização, a regulamentação e o acompanhamento dos consumidores”, encerrou.