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Representatividade política

05 de Junho de 2018 às 19:12
Crédito: Sérgio Rocha
Representatividade política
Eleição da Mesa Diretora
Marta Quintiliano foi eleita presidente da Assembleia, em simulação de atividades legislativas. Com isso, deputados aprendizes abrem espaço para debate sobre representatividade política no Parlamento.

O primeiro dia da 3ª edição do Politizar, projeto de extensão da Universidade Federal de Goiás (UFG) em parceria com a Assembleia Legislativa de Goiás, foi marcado por intensa articulação política. Os 41 cidadãos, que durante essa semana atuarão como deputados estaduais em sessões, comissões e reuniões simuladas, definiram suas pautas e lideranças, elegeram a Mesa Diretora e a presidência das Comissões Permanentes da Casa, e iniciaram a tramitação de projetos de lei. Ao fim do dia, eles ainda participaram de bate-papo com deputados estaduais legitimamente eleitos, para melhor exercerem as funções por eles assumidas.

Eleição da Mesa Diretora

Após extensa articulação, iniciada antes mesmo do Politizar ser aberto de fato, os deputados aprendizes elegeram Marta Quintiliano (PT) para ocupar o mais alto cargo da Casa: a presidência da Mesa Diretora. Em sua ausência, a substituirão Hillary Victória, eleita 1ª vice-presidente, e Ton Paulo (PCdoB), eleito 2ª vice-presidente. Ainda, auxiliarão a presidência os deputados João Junior (PSDB), 1º secretário, e Aline Alexandrino (MDB), 2ª secretária. Denise Leal (MDB) e Zé Frederico (PSB) serão 3º e 4º secretários, respectivamente.

O grupo que compõe a Mesa Diretora concorreu em chapa única, recebendo 36 votos favoráveis, contra apenas quatro contrários. A candidatura unânime teve por objetivo principal unir as seis legendas com cadeiras no Legislativo, de modo a não prejudicar o andamento dos trabalhos. Grande preocupação dessa Legislatura, a representatividade foi fator determinante para definição dos membros da Mesa Diretora, que tem como líder uma mulher, negra e quilombola. Das mudanças mais discutidas pelos deputados aprendizes, um Parlamento que melhor represente as diversas minorias (mulheres, negros, LGBTs e periféricos) é desejo de todos.

Sessão Ordinária

Logo que empossada, a Mesa Diretora deu início à primeira sessão ordinária, que contou com a apresentação de matérias de 24 parlamentares. Estes protocolaram suas proposições, que foram numeradas, aprovadas preliminarmente e encaminhadas às comissões pertinentes. Destaque para manifestação do deputado Wilson Oliveira (MDB), o primeiro a pedir a palavra. Ele questionou norma do Regimento Interno que condiciona a abertura da sessão à leitura de trecho da Bíblia Sagrada, uma vez que que o Estado Brasileiro é constitucionalmente laico.

No movimentado Pequeno Expediente, que teve nove oradores inscritos, o máximo permitido pelo Regimento Interno, quebra de paradigmas políticos foi um dos temas mais abordados. Sobre novas práticas, a deputada Denise Leal (MDB) declarou: “Somos a revolução e devemos fazer as coisas de modo diferente”. Juscelino Oliveira (PSDB), complementou: “Por isso que a política vai de mal a pior. Porque pensam em si próprios primeiro, e em seus interesses, antes de pensarem no povo”.

José Frederico (PR) engrossou o coro, destacando a importância de projetos como o Politizar, para a mudança de práticas consideradas antiquadas e condenáveis. "Temos a tendência de replicar práticas antigas, mas devemos tentar colocar nossa marca: trabalhar com representatividade e transparência, rejeitando a troca de favores”. Da tribuna ele ainda convidou os demais deputados aprendizes a participarem de frente suprapartidária para tratar desses temas.

Necessidade de maior representatividade também foi assunto recorrente nos discursos. O deputado Márcio Torres (PT), por exemplo, clamou por mais representantes LGBTs nos Parlamentos. Morador da periferia e representante da cultura hip-hop, o deputado Mano CDJ (PT) cobrou por mais representantes dessa parcela populacional nos altos cargos de poder.

Comissão de Constituição, Justiça e Redação

Finda a sessão ordinária, os parlamentares rumaram ao auditório Solon Amaral, para tratarem da composição da comissão mais importante da Casa: a de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). Definidos os membros titulares e suplentes, escolhidos pelas lideranças com base na proporcionalidade partidária, foi a hora de elegerem presidente e vice-presidente.

Duas chapas pleitearam os cargos. A vencedora, chapa 2, levou à presidência a deputada Luciana de Oliveira (PT), e à vice o deputado Zé Renato (MDB). A chapa derrotada, por sua vez, apresentou os nomes de Claudia Herlaine (PSDB) e Henriques Turíbio (PR).

Devidamente empossados, presidente e vice declararam aberta a primeira reunião ordinária da CCJ. Após breve discurso, em que destacaram a união entre os partidos para realização de um trabalho mais consistente, ambos iniciaram a distribuição dos projetos de lei apresentados pelos deputados aprendizes. No próximo encontro, marcado para as 8 horas da manhã de quarta-feira, os relatores terão de apresentar seus pareceres, para viabilizar as votações plenárias.

Comissões de Educação, Cultura e Esporte.

No período vespertino, os deputados aprendizes participaram de reuniões de outras comissões da Casa. Na ocasião, eles também elegeram as presidências e vice-presidências dos trabalhos, e distribuíram matérias para confecção de relatório.

Duas chapas concorreram à condução da Comissão da Saúde, vencendo a composta pelo deputado Felipe Matheus (PSDB), presidente, e pelo deputado Daniel Cândido (PT), vice. A Comissão de Educação, Cultura e Esporte terá como presidente e vice Denise Leal (MDB) e Mano CDJ (PT), que concorreram em chapa única.

Bastante visada pelos participantes do Politizar, a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Participação Legislativa foi palco de debates acalorados para escolha da presidência e da vice-presidência. Bancadas minoritárias criticaram supostos acordos feitos por partidos maiores para obtenção de cargos diretivos. Ao final, a chapa 1 venceu, levando à presidência e à vice-presidência os deputados José Henrique (PSDB) e Guilherme Martins (MDB).

Bate-papo com deputados

Findos os trabalhos do primeiro dia do Politizar, os deputados aprendizes tiveram oportunidade de reunirem-se com deputados reais, legitimamente eleitos, para sanar dúvidas a respeito das atividades legislativas por eles exercidas. A troca de ideias teve como tema principal a mudanças de práticas políticas, já bastante explorada pelos simulandos.

Programação

Iniciada na noite de segunda-feira, a 3ª edição do Projeto Politizar continua até a noite de sexta-feira, 8. Para quarta-feira estão previstas novas reuniões das comissões, a partir das 8 horas da manhã, para que as mesmas deem andamento aos projetos de lei em tramitação. Reuniões partidárias e palestra sobre Parlamento Jovem também compõem a pauta do dia.

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