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Corte de bolsas de estudo

06 de Junho de 2018 às 17:17
Crédito: Sergio Ricardo Sandes Rocha
Corte de bolsas de estudo
Presidente Politizar
Presidente da Mesa Diretora da Assembleia, no Projeto Politizar, e bolsista da UFG, Marta Quintiliano repercute decisão do governo federal de cortar novas bolsas para quilombolas e indígenas.

A presidente da Mesa Diretora da 3ª edição do Projeto Politizar é negra, de comunidade quilombola e bolsista da Universidade Federal de Goiás (UFG). Marta Quintiliano, de 35 anos, é formada em Relações Públicas e, atualmente, estuda mestrado em Antropologia Social pela Faculdade de Ciências Sociais, da UFG. Marta ingressou no ensino superior público pelo sistema de cotas, em 2014, por meio do Programa UFGInclui, e atualmente recebe uma bolsa de R$ 1.500 da Coordenadoria de Assuntos Afirmativos da Universidade para custear as despesas da especialização.

Assim como Marta Quintiliano, outros 120 quilombolas de seis comunidades, entre elas as dos municípios de Cavalcante, na região nordeste do Estado, e de Trindade, na região metropolitana de Goiânia, e cerca de 80 indígenas de várias etnias, correm o risco de perder as bolsas de estudo. Isso porque o Governo Federal interrompeu novas bolsas do Programa Bolsa-Permanência (PBP), que fornece uma ajuda mensal de R$ 900 para moradia, alimentação e material escolar para estudantes com esse perfil econômico, social e cultural. Criado em 2013 pelo Ministério da Educação, o PBP já permitiu o acesso a mais de 18 mil estudantes que deixaram suas aldeias e quilombos para fazer cursos superiores em instituições federais, como a UFG.

Marta Quintiliano, que decidiu participar do 3º Politizar para agregar conhecimento à prática política, especialmente em relação à atuação parlamentar, vê com preocupação os cortes no programa de bolsa de estudos. “É muito preocupante, porque nós estamos falando de pessoas que vão ser cerceadas de seus sonhos. Todo mundo tem o direito de estudar e o Governo está tirando essa possibilidade das pessoas se inserirem nesses espaços”, criticou.

Segundo ela, em muitos casos, as bolsas ainda estão sendo mantidas com verbas próprias da UFG, mas ela acrescenta que os recursos financeiros estão diminuindo a cada ano e teme pela extinção do Programa Bolsa-Permanência.

A presidente da Mesa Diretora do 3º Politizar ainda ressalta a importância e a necessidade das bolsas como reparação de séculos de segregação racial negra e indígena. “A bolsa é pra gente permanecer nesses espaços. É um desrespeito muito grande com essa população, uma vez que se impede a diversidade dentro da universidade. Historicamente nos foi negado esse direito de ter ascensão social. Quem vem de comunidade ou de quilombo necessita de dinheiro pra estudar. Retirar essas bolsas significa mais uma vez impedir esses povos de terem acesso à educação superior em instituições públicas”, protesta.

Segundo divulgou nesta terça-feira, 6, o Jornal Folha de São Paulo, indígenas e quilombolas de todo o país programam uma série de atos de protesto contra o corte nas bolsas e pretendem reunir milhares de pessoas em Brasília para reuniões com autoridades do Ministério da Educação até o final deste mês.

Programação do Politizar

Iniciada na noite de segunda-feira, 4, a 3ª edição do Projeto Politizar continua até a noite de sexta-feira, 8. Para quarta-feira estão previstas novas reuniões das comissões, a partir das 8 horas da manhã, para que as mesmas deem andamento aos projetos de lei em tramitação. Reuniões partidárias e palestra sobre Parlamento Jovem também compõem a pauta do dia.

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