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O Voto do Brasileiro

26 de Junho de 2018 às 20:37
Crédito: Ruber Couto
O Voto do Brasileiro
Lançamento do livro O voto do brasileiro
Presidente José Vitti abriu espaço na Assembleia Legislativa para o lançamento do livro do cientista político Alberto Carlos Almeida na noite da terça-feira, 26. Para Vitti, foi uma honra receber o autor, referência em pesquisas eleitorais.

Presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, o deputado José Vitti (PSDB) disse que o lançamento do livro “O Voto do Brasileiro”, do cientista político Alberto Carlos Almeida, representa uma honra muito grande para o Parlamento goiano. A sessão de autógrafos da obra foi antecedida por uma palestra no Auditório Costa Lima, na qual o autor explicou os fundamentos da pesquisa que indica duopólio partidário nos resultados eleitorais do Brasil nos últimos 16 anos.

O lançamento é fruto de uma parceria firmada com a Brasilis-Instituto Análise e a Editora Record, mediada pelo ex-presidente da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) Rafael Lousa. A palestra de Almeida seria acompanhada por comentários do ex-governador Marconi Perillo, que comunicou ao presidente José Vitti que não conseguiria chegar a tempo do evento.

“Para nós, da Assembleia Legislativa, é motivo de muita honra receber o cientista político Alberto Carlos Almeida, que é uma personalidade referência em pesquisas eleitorais no Brasil. Estamos ávidos para ouvi-lo detalhar os resultados de suas pesquisas e saber um pouco mais sobre o PSDB, partido do qual faço parte e que completa 30 anos em 2018”, afirmou José Vitti.

 

Conjuntura

 

O ex-presidente da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) Rafael Lousa disse que o livro do cientista político permite uma maior compreensão da conjuntura eleitoral do país. De acordo com ele, parte da população tem se demonstrado avessa à política e a obra pode contribuir para melhor entendimento sobre isso.

“Desde minha primeira formação acadêmica, em Ciências Políticas e Sociais pela UFG, sempre reconheci a importância do voto. Sou admirador do Alberto Carlos Almeida e tenho todos os seus livros. Sempre conversamos sobre análise de cenários políticos. Sou um grande fã. O livro permite que seja possível compreender a tomada de decisões e como o eleitor se comporta”, afirmou Rafael Lousa.

 

Representatividade

 

O cientista político Alberto Carlos Almeida disse que era uma grande oportunidade discutir o voto do brasileiro em uma casa onde só entra quem o tem. De acordo com ele, todo o conteúdo da palestra é uma síntese do que está publicado no livro. “Tenho a grata oportunidade de falar sobre o voto nesta noite. Acredito que a atividade política tem sido muito criticada injustamente. O país não ganha nada com o que está acontecendo. Para mim, a possibilidade de falar sobre voto em uma Casa onde só se entra quem tem voto, é muito relevante. A atividade de representação é fundamental”, afirmou o cientista político.

Almeida sugere que o resultado das eleições presidenciais dos últimos três pleitos indica polarização de forças entre centro-esquerda e centro-direita, representadas, respectivamente, por PT e PSDB. O livro “O Voto do Brasileiro” discute a tese de que o Brasil tem, em relação ao voto, muitas semelhanças a países como Espanha, Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Estados Unidos.

“Quando se reúne os dados das eleições para presidente nesses países, você chega à conclusão de que a divisão do eleitorado entre centro-esquerda e centro-direita existe no mundo todo. Existem divisões regionais e sociais, mas há um padrão que assegura previsibilidade nos processos eleitorais”, disse o sociólogo.

O autor diz que essa polarização no Brasil surge e se consolida a partir do primeiro Governo Lula (2003-2006). Até então, embora os indicadores sociais não fossem profundamente diferentes, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou inclusive a ter votações expressivas no Nordeste. De acordo com ele, a simbologia tem um papel forte na construção dessa polarização.

“Essa polarização se dá em razão de uma máquina política organizada. Isso não acontece ao acaso. Há uma mobilização, que leva as mensagens dos partidos, que acaba reforçando essa tendência. Isso vale para qualquer lugar. Por exemplo, o governador mobiliza sua base social por meio dos deputados estaduais, que indicam diretores de escola e chefes de hospitais, o que acaba fortalecendo a mensagem desse grupo político”, afirmou o cientista político.

Dois países

Para o cientista político, os dados sociais e eleitorais apontados no livro sugerem que existem dois países diferentes dentro do Brasil. Um, sediado no Nordeste, com população de baixa renda e dependente do Estado, que apoia candidatos de centro-esquerda; outro, sediado em São Paulo, com população com melhores condições de vida, oferecem apoio aos nomes de centro-direita.

“Pelos dados do livro, temos um país chamado Nordeste e outro chamado São Paulo dentro do Brasil. Mais do que os resultados eleitorais, os dados sociais talvez sejam um dos aspectos mais relevantes do livro. São Paulo é bem atendido em infraestrutura e serviços públicos; no Nordeste isso já não acontece e há muitas deficiências”, afirmou.

Alberto Carlos Almeida disse que o primeiro governo de esquerda consolidou essa polarização. De acordo com ele, o atendimento voltado aos pobres e a forte simbologia fizeram com que os pobres passassem a votar mais nos partidos de centro-esquerda. “O governo de esquerda atende às expectativas dessa população pobre, que atende às suas demandas. Vejo essa polarização entre centro-esquerda e centro-direita nem tanto como sinal de amadurecimento eleitoral do país, mas de alternância de poder. Os candidatos vão em cima de oportunidades no mercado eleitoral”, disse o sociólogo.

Livro

“O voto do brasileiro” é a segunda obra focada no processo eleitoral que o autor publica pela Editora Record. A primeira, “A cabeça do eleitor”, foi publicada em 2008. Alberto Carlos Almeida também havia publicado “A cabeça do brasileiro”, em 2007, onde compila uma série de dados sobre religião, política, família, trabalho e preocupações recorrentes da população.

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