Alfabetização
No último sábado, 8, o Brasil comemorou o Dia Nacional da Alfabetização. A data foi instituída através do decreto nº 63.326 de 30 de setembro de 1968 com o objetivo de discutir questões relacionadas com a alfabetização bem como fomentá-la em todos os cantos do país.
Ninguém esquece a emoção de juntar as letras, as sílabas e entender as palavras. A alfabetização pode ser considerada a primeira etapa do processo de inclusão na sociedade. O processo baseia-se no aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação. Saber ler e escrever é fundamental para o desenvolvimento do ser humano e, consequentemente, para o desenvolvimento do país.
A alfabetização constitui uma das mais importantes ferramentas para que a pessoa possa exercer sua cidadania e é peça fundamental para diminuir as injustiças sociais, influindo de maneira decisiva na vida do cidadão, pois uma sociedade letrada é também uma sociedade mais bem organizada.
Porém, essa realidade ideal não ocorre para todos os cidadãos goianos. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Penad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicada em 2017, cerca de 341 mil pessoas com 15 anos ou mais de idade são analfabetas em Goiás.
Os dados são referentes ao ano de 2016 e apresentam uma relação direta com a idade. Há um aumento na taxa de analfabetismo à medida em que avança até atingir 24,3% entre as pessoas com 60 anos ou mais no Estado.
Com o objetivo de auxiliar a população goiana a superar esse problema, a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte de Goiás (Seduce) faz adesão ao Programa Brasil Alfabetizado (PBA), junto ao Ministério da Educação (MEC), para tentar diminuir os índices de analfabetismo do Estado.
Segundo a gerente do Programa de Fortalecimento do Ensino Noturno (Profen) e Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Seduce, Fabíola Correia, o programa é dividido em ciclos de oito meses, com o objetivo de alfabetizar pessoas que estão em locais de difícil acesso à escola. “São pagas bolsas para alfabetizadores voluntários. Durante o último ciclo participaram 693 alfabetizandos distribuídos em 13 municípios do Estado”, relatou.
Ela ainda explica como a Seduce por meio da EJA funciona na rede estadual de ensino: “A modalidade é dividida em três etapas. A primeira etapa é o Ensino Fundamental, do 1º ao 5º anos; na segunda etapa são estudantes do 6º ao 9º anos, em 213 unidades escolares; e a terceira etapa é o Ensino Médio em 322 unidades escolares”, informa.
Essa modalidade de ensino é destinada aos jovens a partir de 15 anos que ainda não concluíram os seus estudos do Fundamental. Nesse período, o processo de ensino-aprendizado favorece a interação e proporciona aos alunos diferentes formas de pensar e aprender.
Fabíola afirma que a EJA na rede estadual possui 535 alunos matriculados na primeira etapa, 13.483 na segunda e 23.822 na terceira, predominantemente no turno noturno. “Temos oferta em todo o Estado, distribuída regionalmente nas 40 coordenações existentes. Os alunos que estão se matriculando na EJA possuem, segundo relato de profissionais da área e pesquisas, uma defasagem de aprendizagem, principalmente relacionada à leitura e escrita. Mas, por meio da EJA vários estudantes já conseguiram entrar no Ensino Superior”, ressaltou a gerente.
Também objetivando diminuir os índices de analfabetismo no Estado, o Serviço Social da Indústria de Goiás (Sesi-Goiás) promove, através da EJA, a restituição de direitos e inserção social para aqueles que não tiveram a oportunidade de concluir a educação básica na infância. A maioria das turmas do projeto são desenvolvidas In Company, ou seja, ocorrem dentro das dependências da indústria/parceiro.
“Utilizamos uma metodologia diferenciada que valoriza o que o aluno trabalhador já sabe, além de ser flexível e contextualizada com situações do dia a dia. Os cursos de ensino fundamental e ensino médio atendem as diretrizes curriculares nacionais de EJA. Para estudar no Ensino Fundamental é preciso ter a partir de 15 anos completos e no Ensino Médio a partir de 18 anos completos”, explica a assessora de imprensa do Sesi, Daniela Ribeiro.
Os professores da EJA são contratados pelo Sesi Goiás para atender as demandas necessárias e, em parcerias com as prefeituras, são cedidos pelos municípios. “Eles trabalham conforme as diretrizes do Sesi-Goiás, que tem uma política de capacitação e atualização dos profissionais que atuam no projeto”, disse Daniela.
Consoante os dados do sistema de gestão escolar utilizado pelo Sesi-Goiás, até a última quinta-feira, 5, há 1.528 alunos estudando em todo o Estado. Deste quantitativo 48 estudantes estão cursando o 1º ano do Ensino Fundamental, que é o ano da alfabetização. Pode-se destacar que, desde 2004, o Sesi-Goiás já atendeu mais de 59 mil alunos em fase de alfabetização.
Somente no ano de 2018, Daniela Ribeiro informa que foram atendidos mais de 20 municípios, entre eles: Americano do Brasil, Anápolis, Araçu, Bom Jesus, Cachoeira Dourada, Campo Alegre de Goiás, Cezarina, Chapadão do Céu, Cocalzinho de Goiás, Corumbaíba, Davinópolis, Edeia, Goianésia, Goiânia, Itaberaí, Itumbiara, Marzagão, Minaçu, Palmeiras de Goiás, Rio Verde e Trindade.
Resultados
Os reflexos desses resultados na busca pela democratização do conhecimento no Estado de Goiás podem ser exemplificados através do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) da rede estadual de ensino público goiano. Os resultados apontam que até o 5º ano do ensino básico saltou de 3.9 em 2005 para 6.6 em 2017, patamar acima da meta de 5.6 estipulada pelo MEC.
Para o presidente da Assembleia Legislativa, José Vitti (PSDB), o destaque nos indicadores de desempenho de Goiás no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é consequência de uma política continuada de investimento na melhoria da educação pública estadual nas últimas duas décadas, que está se refletindo do desempenho acima da média nacional.
“O desenvolvimento é sempre atrelado à educação. Acredito que se esses jovens tiverem oportunidade de continuar estudando, frequentando cursos técnicos, também oferecidos pelo Governo de Goiás, se eles tiverem oportunidade de ingressar na universidade, com certeza teremos um Estado muito melhor”, destacou.
Presidente da Comissão de Educação da Casa de Leis, o deputado Karlos Cabral (PDT) também comemora os avanços da educação pública estadual no Ideb. Ele ressalta que o Poder Legislativo teve papel importante na obtenção desses resultados. “Todas as matérias encaminhadas para esta Casa sobre Educação tiveram a prioridade necessária e nenhuma recebeu posicionamento contrário. Não é à toa que o processo educacional da rede pública de ensino tenha apresentado melhorias”, avalia Cabral.