Roteiro eleitoral
Candidatos aos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal ou estadual enfrentam, nesta última semana de campanha, a reta final de uma batalha para consolidar, ou não, a sua candidatura no dia 7 de outubro. Façamos, aqui, uma relação da disputa eleitoral como se fosse um clássico roteiro de um filme hollywoodiano. Mas, claro, sem spoiler.
Na maioria dos roteiros, percebe-se uma estrutura que pouco muda: o filme dura em torno de 120 minutos e é dividido em início, meio e fim (Ato I, Ato II e Ato III), ou seja, partes relativas à apresentação, ao clímax e à resolução da história. “Todo drama é conflito. Sem conflito não há personagem; sem personagem, não há ação; sem ação, não há história; e sem história, não há roteiro”, diz Syd Field, roteirista estadunidense referência na cinematografia.
Este script hollywoodiano lembra um pouco as eleições. O candidato é apresentado aos eleitores, bem como toda sua proposição, buscando conseguir algo, que é ser eleito; se alia aos apoiadores e vai para a disputa. Do outro lado, um ou alguns concorrentes e certos empecilhos dificultam essa conquista. Ele consegue avanços; repentinamente sofre ataques; oscila nas pesquisas. O desfecho acontece. Chega o dia da eleição. As urnas são apuradas, a história se resolve e, em seguida, se encerra com a divulgação do resultado final.
No “Manual do roteiro: os fundamentos do texto cinematográfico”, Field elucida que os primeiros minutos são dedicados a apresentar os personagens, a premissa dramática, a situação (circunstâncias em torno da ação) e para estabelecer os relacionamentos entre o protagonista e os outros personagens que habitam os cenários do seu mundo.
A partir daí o personagem principal enfrenta obstáculos que o impedem de alcançar sua necessidade dramática (relativa ao que ele quer vencer, ganhar, ter ou alcançar); há sempre alguém ou alguma coisa criando empecilhos e o impedindo de conseguir o seu objetivo. Esse conflito vai se acirrando até atingir o auge; a reviravolta da trama. Nesta disputa, vão acontecendo surpresas, avanços e os retrocessos até que, por fim, a história é resolvida e, em seguida, termina.
Alguns espectadores preferem filmes épicos a filmes de ação, suspense, romance, drama, aventura, comédia, ou tantos outros gêneros. Existem aquelas pessoas que se apaixonam pela fotografia da filmagem, outras pelo figurino; as que enaltecem os efeitos visuais e as que se comovem com a trilha sonora. Tem espectador que gosta do roteiro, mas não gosta do diretor; que aplaude a interpretação dos atores, mas critica o discurso do personagem.
Como em todo filme, alguns ficarão felizes e eufóricos com o final; outros, tristes e frustrados. Muitos dirão que não deveriam ter gastado seu tempo indo ao cinema assistir aquele desfecho, e outros esbravejarão o seu desinteresse na continuação. E isso é democrático.
Na democracia é assim: vence o conjunto da obra que agrada mais a maioria dos seus telespectadores. No dia 7 de outubro de 2018, cerca de 17 mil urnas eletrônicas serão a tela de cinema dos 4.454.497 eleitores aptos a votar em todo o Estado de Goiás. Este é o único filme que o telespectador pode escolher o final.