Produtor teatral diz que situação crítica na cultura penaliza toda a sociedade
Na discussão sobre os financiamentos das produções culturais de Goiás, que ocorre na manhã desta terça-feira, 13, no Auditório Solon Amaral da Casa de Leis, o ator, diretor e produtor da Semnome Cia de Teatro, Norval Berbari, agradeceu ao deputado Karlos Cabral (PDT) pela iniciativa da audiência pública.
“Esse é um momento muito difícil. Ninguém está fazendo nada, muitas pessoas do Governo do Estado foram convidadas para estarem aqui hoje e não estão. Já fizeram isso outras vezes. Isso é ruim para nós, artistas, mas, principalmente, para a sociedade. A cultura transforma as pessoas e talvez esse seja um dos problemas. Talvez seja por isso que o Poder Público não investe em cultura, pois as pessoas passam a pensar mais e a cobrar mais”, declarou.
Norval leu um texto sobre a situação cultural de Goiás: “Cultura e arte, via de regra, não interessam à classe política. Pois é libertadora e forma cidadãos. A produção goiana é grande, forte e diversa. Berço de renomados artistas. Importante salientar que a classe sofre com descumprimento dos prazos. Editais atrasados e não pagamento. De porta em porta dos órgãos públicos mendigando. As leis existem e o Estado é o primeiro a descumprí-las. Engana-se quem pensa que quem perde são os artistas. Não são somente nós. Quem perde são os milhões espalhados por aí. O produto que entregamos é para a sociedade. Ela é merecedora desse retorno, mesmo que seja mínimo. Isso não chega quando o Estado não honra com seus deveres”.
O produtor criticou a lentidão na implementação de leis e fomentos na área cultural. De acordo com ele, foram várias promessas do Poder Público, mas sem efeito. “É uma verba vinculada. Já fizemos diversas audiências e vivemos de pressões. Os pagamentos devem ser feitos para que a sociedade seja beneficiada”, reforçou.