Desabafo
O deputado Daniel Messac (PTB), preso preventivamente na última sexta-feira por suspeita de intimidação a testemunha, compareceu, nesta quinta-feira, 13, à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Liberado no dia anterior, por decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), o parlamentar participou da sessão ordinária desta tarde. Ao fazer uso do Pequeno Expediente, Messac discursou por dez minutos, cinco a mais que o tempo previsto no Regimento Interno, mas não foi interrompido.
O petebista se emocionou em diversas ocasiões. Ele agradeceu aos esforços dos pares para a revogação da prisão, considerada por ele arbitrária, e afirmou que tem fome e sede de justiça.
“Primeiro, de uma forma muito especial, gostaria de expressar minha alegria em poder estar aqui hoje, fazendo este pronunciamento”, iniciou o deputado, que continuou citando trecho da Bíblia Sagrada: “Deus é a rocha cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são. Deus é a verdade e não há nele injustiça. Justo e Reto é”, declarou.
Em seguida, Messac teceu especiais agradecimentos ao presidente da Casa, deputado José Vitti (PSDB), e ao deputado Cláudio Meirelles (PTC). Em nome destes, o parlamentar também agradeceu aos demais pares, aos servidores, diretores e procuradores do Legislativo, por “não medirem esforços em serem solidários e em defender esse Poder”. Ele disse: “Antes de se defender o deputado, defende-se um cidadão, pai de família, homem de bem injustiçado. Tenho certeza que após esse episódio doloroso e constrangedor a Casa sai hoje mais fortalecida”, continuou.
Ainda, o parlamentar mencionou a família: esposa e três filhos, “que são minha fortaleza e razão na qual persisto forte nesta batalha contra tamanha injustiça, que ao longo dos anos vem se perpetuando contra minha vida e contra meu nome”. Daniel Messac contou ainda que foi preso no mesmo dia em que sua filha passou em um vestibular para Medicina e, com a voz embargada, lamentou ter sido privado de presenciar o momento de comemoração.
Ao tratar de sua prisão preventiva, o deputado classificou-a como “injusta, baseada tão somente na declaração de uma pessoa que nunca vi, que não conheço. Que nunca foi lotada no meu gabinete. Muito pelo contrário! Consta nos autos, no processo, documentos oficiais expedidos por esta Casa, comprovando que essa pessoa, a qual, repito, não conheço, nunca teve vínculo com o meu gabinete. Ora, se há provas documentais de que ele nunca teve vínculo com o meu gabinete, qual seria meu interesse em que este cidadão viesse a mudar seu depoimento, se o depoimento dele não me traz nenhum prejuízo? Os documentos falam mais que as mentiras”, concluiu.
Utilizando-se novamente de trecho das Escrituras, Messac citou conhecida frase que diz: “E conhecereis a verdade e a verdade o libertará”, antes de agradecer aos 14 desembargadores que votaram pela reversão de seu aprisionamento. “Estes sim, verdadeiros promotores da justiça, que votaram pela ilegalidade da prisão preventiva à qual fui injustamente submetido, me concedendo por fim a merecida liberdade”, declarou.
“O próprio Cristo afirmou: ‘bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados’. Eu me sinto assim: com fome e sede de justiça, para que meu nome possa ser devolvido. Meu patrimônio sempre foi meu nome, mas o macularam”, mencionou o parlamentar, que em seguida fez um desabafo quanto ao seu afastamento da vida política, uma vez que não se candidatou às eleições de outubro passado. Ele teria tomado a decisão após passar por problema de saúde que lhe custou 37 centímetros de intestino. “Tive problema de saúde pela angústia, por denúncias caluniosas. Tive o intestino perfurado por essas angústias, e nunca mais serei o mesmo”, continuou.
Por fim, ao encerrar seu pronunciamento, Daniel Messac agradeceu mais uma vez aos deputados, e desejou que nenhum deles venha a passar pelo que ele passou. "A democracia segue seu curso. A todos, minha gratidão”, terminou.