UEG em debate
Numa iniciativa do deputado Antônio Gomide (PT), a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás realizou na tarde desta quarta-feira,3, a audiência pública "Defesa da UEG" para discutir a situação da Universidade Estadual de Goiás (UEG). O evento aconteceu no Auditório Costa Lima.
Além do deputado Antônio Gomide, a mesa foi composta pelos seguintes nomes: diretor da UEG de Pires do Rio, Emival Mamede Leão; professoras da UEG Virgínia de Melo e Maria de Lourdes Nazário; e a aluna da UEG Ana Clara Coelho. O debate contou também com pronunciamentos de alguns dos professores e alunos da instituição que formavam a plateia.
Como resultado do evento, vai ser elaborado um documento com idéias e sugestões sobre a UEG que será enviado à secretária de Educação e ao chefe do Poder Executivo. Na abertura, Antônio Gomide ressaltou que a instituição é um divisor de águas, por isto a importância de discutir soluções para seus problemas e da educação em geral no Estado. “São 100 mil alunos formados pela UEG. Isto faz a diferença em Goiás e no Brasil. Mas temos hoje um Governo que está em dívida com o pagamento do funcionalismo no mês de dezembro. Tivemos o desprazer de ter 18 escolas fechadas e mais de 50 que perderam o período integral", frisou.
Gomide conclamou todo o corpo de alunos e professores da Universidade para se unir em torno de melhorias para a UEG. “O governador foi ao STF pedir permissão para diminuir o salário dos servidores. Isto é o que nós estamos vivendo. Se nós estivermos esperando que a LDO seja diferente do que está acontecendo, é uma ilusão nossa. Precisamos pensar juntos o que queremos. Precisamos cobrar do Governo quais são os investimrntos a serem realizados”, pontuou.
Diretor da UEG de Pires do Rio, o professor Emival Mamede Leão esclareceu logo no início de seu pronunciamento que não representa os diretores, pois o tema não foi discutido com a categoria. Ele ressaltou que o momento que a Universidade passa exige uma ampla discussão, com a ajuda dos deputados estaduais. “Onde estiverem discutindo a UEG eu vou participar. Em 20 anos de existência, o atual momento da instituição representa sua principal crise. Existe uma diferença entre a UEG que nós temos e a que nós queremos”, disse.
Para o diretor, a maior característica da universidade é sua capilaridade, pois está presente em todo o Estado, levando o ensino para o interior. “Mas se nós não garantirmos o seu orçamento, a UEG não vai conseguir continuar. Teremos menos professores concursados, campus menores e cursos fechados. A instituição vai atender apenas interesses políticos”, ressaltou.
Emival também destacou a importância das bolsas, pois a maior parte dos alunos são trabalhadores e não tem condições de estudar e se manter.
Cortes
A professora Virgínia de Melo destacou que a UEG está presente hoje em 39 cidades, com 42 campus, e atende mais de 20 mil alunos, mas, no entanto, tem seu funcionamento ameaçado por cortes no Orçamento do Estado. “Sabemos que existem projetos de lei em tramitação na Assembleia que ameaçam extinguir até mesmo a Fapeg, Fundação de Ensino e Pesquisa do Estado de Goiás. A UEG precisa da mobilização dos deputados para garantir sua existência”, disse.
Diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Goiás, a professora Bia de Lima defendeu uma UEG cada vez mais forte, com ensino de qualidade e incentivo à pesquisa. Propôs ainda uma discussão profunda sobre a Educação no Estado, que, em sua opinião, passa por momentos difíceis, dificultando o acesso de estudantes de ensino médio. “Com menos alunos formados no ensino médio, teremos menos alunos para entrar na universidade. E assim temos menos professores para formar alunos do ensino fundamental”, disse.