Oitiva de José Eliton
O ex-governador José Eliton (PSDB) será interrogado nesta terça-feira, 14, durante a oitava reunião ordinária da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da empresa Enel. Nesta que será a quarta oitiva do colegiado, o tucano deverá responder questões relacionadas a supostas irregularidades no processo de privatização da Companhia Energética de Goiás (Celg) e também esclarecer, aos parlamentares presentes, onde foram aplicados os recursos decorrentes da venda da antiga estatal.
Na última reunião, realizada quinta-feira passada (9), o colegiado colheu, em oitiva, o depoimento de Abel Rochinha, presidente da Enel Goiás.
Como de praxe, o encontro terá lugar no Auditório Solon Amaral da Assembleia Legislativa (Alego), a partir das 10 horas.
Oitiva com Zé Eliton
Sucessor de Marconi Perillo, seu correligionário, José Eliton esteve à frente do Governo do Estado entre abril e dezembro de 2018. A venda da antiga Celg D à distribuidora italiana Enel, que atualmente responde pelo abastecimento energético do Estado, havia sido realizada pouco mais de um ano antes, em fevereiro de 2017. O negócio teria rendido cerca de R$ 1,1 bilhão ao tesouro estadual.
"Os recursos da privatização foram depositados na conta do Governo de Goiás. Vamos investir em obras e serviços estratégicos para o Estado. [O dinheiro] só poderá ser usado em investimento, nada em custeio. Serão investimentos na infraestrutura, estradas, saneamento, na Saúde, na Educação e na Segurança Pública. Também pretendemos investir na capitalização da companhia de saneamento do Estado", afirmou Marconi, na ocasião.
A sabatina a Marconi Perillo estava prevista para ser realizada na quinta-feira, 16, mas foi adiada, ao final da última reunião ordinária do colegiado. A data ainda deverá ser acordada pelos membros da CPI e, possivelmente, ficará para o segundo semestre. A alteração foi proposta pelo relator Cairo Salim (Pros), que, ao defendê-la, chamou a atenção dos colegas para a necessidade de se ouvir mais integrantes do corpo técnico do então Governo responsável pela venda da Celg.
O colegiado também aprovou outro requerimento de autoria do mesmo parlamentar que trata da convocação da secretária de Fazenda na época, Ana Carla Abrão. A data da oitiva ainda deverá ser anunciada, mas deverá ocorrer no mês de junho.
CPI em Rio Verde
Também já havia sido acertada, em reunião anterior do colegiado, a data para a audiência pública em Rio Verde, agendada para o dia 20, às 14 horas, na Câmara Municipal. O acordo foi firmado mediante requerimento apresentado pelo deputado Chico KGL (DEM), membro titular da CPI.
A audiência em Rio Verde deverá ser presidida pelo próprio autor da proposta, conforme autorização expressa pelo presidente do colegiado, deputado Henrique Arantes (PTB). Ao defender o pleito, KGL apresentou a necessidade de a CPI ouvir demandas sobretudo dos empresários locais.
“Ali temos um importante polo agrícola, celeiro do agronegócio do Estado, que vem sofrendo com esse problema de energia. Ali, também, está a maior bacia leiteira, do Vale do Rio Preto, com capacidade de produção de 15 mil litros/dia e que agora produz cerca de 8 mil apenas. Uma ordenha de 24 horas com gerador fica muito caro e em função disso não conseguem atender a demanda”, ilustrou durante a última reunião do colegiado.
Ele informou também que uma série de convites a representantes dos segmentos mencionados seriam entregues ao longo desta semana.
O encontro em Rio Verde deverá ser, então, a segunda reunião itinerante da CPI. A primeira ocorreu na Câmara Municipal de Anápolis, no último dia 17, e também teve o caráter de audiência pública.
Próximas oitivas
Já na semana que vem deverão ser ouvidos o diretor jurídico e o presidente geral da Enel Brasil, Antônio Basílio Pires Albuquerque e Nicola Cotugno. Eles deverão comparecer a esta Casa de Leis, respectivamente, nos dias 23 e 30 do presente mês. Tratam-se estas de convocações também defendidas pelo relator da comissão, deputado Cairo Salim, em razão do fato de ambos terem se envolvido com as negociações que culminaram na venda da Celg.
A CPI
A CPI da Enel foi instalada no dia 28 de fevereiro, na Alego. Seu objetivo é investigar supostas irregularidades na privatização da Companhia Energética de Goiás (Celg), além da qualidade dos serviços prestados pela sua sucessora, a companhia italiana em Goiás.
Antes dela, em 2009, outra CPI já havia sido instaurada, nesta Casa de Leis, para apurar questões relacionadas ao então endividamento da Celg. Os trabalhos foram presididos, na ocasião, pelo deputado Helio de Sousa, que na época pertencia ao quadro do Democratas e, hoje, integra o PSDB.
Além dos parlamentares citados, a CPI da Enel conta ainda com os deputados Diego Sorgatto (PSDB), na vice-presidência, e Alysson Lima (PRB), que também está entre os titulares do Colegiado. Já na suplência estão Rafael Gouveia (DC), Delegado Eduardo Prado (PV), Amilton Filho (SD), Antônio Gomide (PT) e Gustavo Sebba (PSDB).