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Dia da Imprensa

05 de Junho de 2019 às 07:00
Crédito: Maykon Cardoso
Dia da Imprensa
Entrevista com Bruna Mastrella
A jornalista Bruna Mastrella, entrevistada da série especial sobre o Dia da Imprensa, fala da importância da liberdade de informar para o amadurecimento da democracia no Brasil. E chama todos à reflexão sobre o papel da imprensa.

Datas comemorativas servem para nos rememorar do quanto já evoluímos, mas também para nos manter no caminho inesgotável da evolução. O Dia da Imprensa, comemorado em 1° de junho, diz que este “não é o momento para se relaxar” e pede aos comunicadores mais “reflexão”. Assim interpreta a participante da segunda etapa da série de entrevistas publicadas pelo Poder Legislativo em alusão ao Dia da Imprensa e seus profissionais. 

Convidada pela Agência Assembleia de Notícias para repercutir as celebrações, a jornalista Bruna Mastrella, formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 2006, lembrou que “tomou gosto” pela profissão ao participar “ativamente” da Rádio Universitária, da faculdade. “Isso foi entre os anos de 2003 a 2005. Foi aí que ganhei aptidão pela atividade jornalística.”

Depois de graduada, Mastrella passou por diversos veículos de comunicação do Estado. Transitou pelas editorias de Cidades, Política e Economia. Adquiriu ainda mais experiência ao atuar também no terceiro setor e como assessora de imprensa da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Há pouco mais de dois anos tornou-se repórter da TV Assembleia. Ao passo que celebra ambas as datas, chama atenção para importância da reflexão neste momento.

“Sou otimista”, garante. “Acho que já melhoramos muito, mas vejo cada uma dessas datas como uma oportunidade para refletirmos”. Para ela, a democracia brasileira ainda é muito jovem e “não se sustenta de maneira linear”. “Nossa democracia tem momentos de altos e baixos. (...) Hoje, nós nos encontramos em um momento um pouco mais confortável, mas não acho que seja o momento de se relaxar”.

A repórter justifica seu posicionamento com base nas investidas do Governo Federal, eleito no último pleito, contra a imprensa brasileira. Ela admite ter receio do que possa vir pela frente. Temerosa, dispara: “A democracia é o modelo mais adequado e pertinente para todos nós, mas penso que ela pode sofrer um desequilíbrio a qualquer momento”.  

Questionada sobre o poder consolidado de importantes instituições federais capazes de garantir a manutenção da democracia no País, a jovem rebateu com base na composição de cada uma delas. “São formadas por pessoas”, disse. “Os indivíduos agem com base nas suas inclinações sociais e paixões. É possível que as pessoas à frente dessas instituições tenham inclinações mais autoritárias, sendo assim, penso que devemos nos manter vigilantes”, justifica.  

Crise de credibilidade

Mastrella acredita que o País não é “confortável” para jornalistas e profissionais da comunicação. “Talvez isso decorra de algum ranço autoritário. O brasileiro ainda é bélico. Somos um povo reacionário e, de alguma maneira, talvez isso explique as violências cometidas contra jornalistas. Nós, jornalistas, não temos um conselho profissional, por exemplo. Todas as vezes em que houve um movimento nesse sentido houve também muita resistência. Há muita desinformação. Penso que a regulação dos meios de comunicação poderia, na verdade, favorecer a democratização."

Para ela, a imprensa vive uma crise de credibilidade e parte disso se deve ao amplo acesso às mídias digitais. A jornalista considera que o jornalismo perdeu o monopólio na divulgação da informação. Hoje, acrescenta, todos são de alguma maneira produtores de conteúdo. "Talvez a imprensa já não coadune alguns valores; talvez não haja mais o sentimento de representatividade coletiva.”

“Não vejo problema no fato de alguns veículos se posicionarem em favor de uma ou outra bandeira político-partidária. Mas isso deve ficar bem claro ao leitor ou telespectador. Por outro lado, acho necessário que haja um equilíbrio, o que representa, inclusive, um valor jornalístico. É preciso ter respeito”, acrescenta.

Poder e imprensa

Apesar dos avanços, Mastrella defende que haja melhoria na gestão das instituições: “Principalmente no quesito transparência”. A repórter acredita que os Poderes precisam gozar desta qualidade para que, consequentemente, haja maior constrangimento aos gestores que cometem irregularidades. “É preciso expor a mentira e a má gestão”, diz.  

Ainda no quesito transparência, a servidora pública lamenta a quantidade de “zonas cinzentas” que impede a publicidade dos atos dos Poderes. “É importante que haja, cada vez mais, a formação de equipes de comunicação dentro dessas Casas. As pessoas precisam saber o que seus representantes estão fazendo, seus projetos e ações. Nós, jornalistas, devemos lutar para levar ao conhecimento da população tudo isso”. Por fim, Mastrella assegurou que ainda há “um logo caminho” a se percorrer antes de total comemoração.

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