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CPI dos Incentivos Fiscais

07 de Outubro de 2019 às 18:31
Crédito: Marcos Kennedy
CPI dos Incentivos Fiscais
CPI dos Incentivos Fiscais recebe Caramuru e Granol
Os empresários ouvidos nesta 2ª-feira, 7, na Comissão Parlamentar de Inquérito, destacaram a importância da agroindústria para o crescimento de Goiás. Prestaram informações Alberto Borges, da Caramuru, e Osmar Albertini, da Granol.

Presidida pelo deputado Álvaro Guimarães (DEM), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Incentivos Fiscais realizou, na tarde desta segunda-feira, 7, sua 12ª reunião, no auditório Solon Amaral. Foram ouvidos os empresários Alberto Borges de Souza, da Caramuru Alimentos, e Sebastião Osmar Albertini, da Granol Comércio, Indústria e Exportação.

Também participaram da reunião o relator, deputado Humberto Aidar (MDB), além dos deputados Vinícius Cirqueira (Pros) e Coronel Adailton (Progressistas), como membros da CPI, além do deputado Cairo Salim (Pros).

Os deputados membros da CPI aprovaram cinco requerimentos de Vinícius Cirqueira, relativos a pedidos à Secretaria de Economia de informações sobre Termos de Ajuste (Tare) celebrados entre empresas do ramo farmacêutico e o Governo. São elas: Drogaria São Paulo, Pague Menos, Raia Drogasil, Profarma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Santa Marta.  

Requerimento apresentado pelo deputado Coronel Adailton, para convocação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, foi colocado em votação, mas foi rejeitado com os votos contrários dos deputados Vinícius Cirqueira e Humberto Aidar. Aidar justificou seu posicionamento pelo fato de, segundo ele, Mabel se manifestar contra a convocação de empresários. De acordo com o parlamentar, Sandro teria afirmado que bastaria sua convocação como representante da classe.

Em suas considerações iniciais, Alberto Borges falou sobre a história e a atuação da Caramuru no mercado. A empresa possui, em Goiás, três complexos industriais, nas cidades de Itumbiara, São Simão e Ipameri, atuando no processamento de soja, milho e biodiesel. Além disso, possui mais de 20 unidades espalhadas pelo estado.

A empresa conta com 2,6 mil colaboradores diretos, sendo 1,5 mil em Goiás e o restante em unidades do Paraná e Matogrosso. Mas devido às parcerias com empresas como Comigo, Cargil e Granol, o número de empregos diretos sobe para 7.567 mil e indiretos chega a mais de 23 mil.

De acordo com Souza, a Caramuru se destaca por sua logística, com utilização de rodovias, ferrovias e hidrovias para o transporte dos produtos. Entre os seus negócios, se destaca a exportação de concentrado de soja para a Noruega, onde o produto é utilizado como alimentação sustentável para o salmão criado em cativeiro.

Ao encerrar seu depoimento, Alberto Borges afirmou que a soja exige um tratamento próprio dentro da política econômica do Estado, pois é diferente de outros setores. “A economia goiana cresceu e se diversificou muito nos últimos 30 anos. Goiás criou um sistema próspero ao longo dos anos, baseado no diálogo. E isso tem que continuar”, disse.

Críticas não afetam CPI

Durante oitiva com o empresário, Humberto Aidar afirmou que a Fieg e a Associação Pró-desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial) têm feito esforço para denegrir a imagem desta CPI, afirmando que Goiás terá o pior Natal dos últimos tempos, com desemprego e saída de indústrias do estado. “Mas isso em nada afeta nosso trabalho. Essa tática é antiga. O senhor André Rocha, que esteve aqui, chegou a dizer que iria estampar minha cara em outdoor para denegrir minha imagem", disse.

Aidar afirmou ainda que os deputados membros da CPI não aceitarão retaliações de empresários. “Nossa intenção é terminar a CPI com respeito, mas se continuarem assim, terei graves denúncias a fazer. E, com provas. Ninguém está acima da lei. Então saibam que estamos preparados para esses desgastes. Seguiremos até o final com respeito e responsabilidade. E para quem está visitando deputados, está perdendo tempo, pois a CPI é aprovada aqui e não no plenário. Vamos aprovar nosso relatório técnico com informações oficiais e enviar a quem de direito”, enfatizou.

Álvaro Guimarães agradeceu ao empresário por todo o trabalho prestado pela Caramuru, em Itumbiara, município que ele representa no Parlamento goiano. “Só em Itumbiara são mais de 2 mil colaboradores que dependem da Caramuru para levar comida às suas mesas. Ninguém precisa ficar com medo da CPI. Queremos conhecer melhor o setor produtivo e aproximar o Legislativo dos empresários. E seremos justos com aqueles que cumprem suas obrigações e puniremos aqueles que não cumpriram os contratos com o Governo”, comentou.

Granol

Em seu depoimento, o empresário Sebastião Osmar Albertini contou que a Granol Comércio, Indústria e Exportação iniciou suas atividades em Goiás no ano de 1985. “Inicialmente, queríamos comprar uma cooperativa em Paraúna, mas, em 1986, ganhamos um leilão para produção de soja e arrendamos a fábrica da Grandal, em Anápolis, para esmagar 120 toneladas de soja. Desde então, foram feitos investimentos e, em 1987, tivemos acesso ao Fomentar, que nos deu oportunidade de ampliar a indústria”, relatou.

De acordo Albertini, a incorporação da agroindústria no estado foi um divisor de águas que transformou Goiás em estado agrícola. Ele contou que o início das atividades não foi fácil, pois o que predominava no campo era a pecuária, e as terras eram pouco produtivas.

O empresário informou ainda que a Granol depende do esmagamento de soja para a produção de biodiesel, alcançando atualmente 2,4 mil litros do produto por dia, além de 5,050 mil tolenadas de óleo comestível.

A dependência do mercado externo foi um dos pontos destacados por Albertini. “Nós precisamos rever isso. Porque se a China parar de comprar hoje, todas as agroindústrias goianas vão fechar as portas”, salientou.

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