Em discurso de homenagem a cineastas, Adriana Accorsi critica postura do Governo Federal em relação à categoria

05 de Novembro de 2019 às 20:23

A deputada Adriana Accorsi (PT) abriu os discursos da sessão especial para homenagear 57 cineastas goianos, como parte das comemorações do Dia Mundial do Cinema, celebrado anualmente em 5 de novembro. A parlamentar falou da sua satisfação em realizar esta sessão solene e destacou que, considerado a sétima arte, o cinema inspira milhões de pessoas ao redor do mundo.

Ela lembrou ainda da sua criação em 1895 pelos irmãos Louis e Auguste Lumière, que apresentaram o cinematógrafo, um aparelho que filmava, copiava e projetava. E teve como sua primeira exibição a saída dos trabalhadores da fábrica Lumière, em um café em Paris.

“No Brasil, o cinema teve seu pontapé inicial em 1896, quando foram exibidos no Rio de Janeiro uma série de filmes curtos retratando o cotidiano nas cidades europeias. Depois dessa primeira exibição, o país construiu uma história cinematográfica rica e variada, que atravessou muitas fases e conquistou reconhecimento ao redor do mundo”, recordou a deputada.

Adriana Accorsi disse ainda que, ao longo de seus diferentes períodos históricos, as obras cinematográficas brasileiras acompanharam e incorporaram influências dos contextos social, econômico, cultural e político do Brasil. Enfatizou que a história do cinema Brasileiro pode ser dividida em épocas distintas, que moldaram as produções nacionais no decorrer de mais de um século da sétima arte no País.

“Em nossa historiografia cinematográfica, esses períodos incluem os primeiros filmes e o domínio de Hollywood, o surgimento do cinema sonoro, as chanchadas, o Cinema Novo e o “udigrúdi”, a Embrafilme, a crise dos anos 1980, a retomada e a pós-retomada”, registrou.

Ainda, contou que, em Goiás, a primeira projeção aconteceu no dia 13 de maio de 1909. A sessão aconteceu no Theatro São Joaquim, na antiga capital Vila Boa de Goyaz, sob os auspícios da empresa Recreio Goyano, que projetou “Comédias Dramáticas e Phantasticas”, como dizia o cartaz colocado no saguão do teatro.

“Segundo a crônica da época, a estreia da sala cinematográfica aconteceu em clima de grande euforia e expectativa. Em Goiânia, o primeiro cinema foi inaugurado no dia 13 de junho de 1936. Seu nome, Cine Teatro Campinas, foi escolhido através de concurso público. A sugestão vencedora foi de Antônio Leão Teixeira. Já no Setor Central de Goiânia, a primeira sala de cinema a ser aberta foi o Cine Popular, em outubro de 1939. Mais tarde passou a ser denominada Cine Santa Maria, na Rua 24”, contou.

Por fim, a parlamentar reforçou a honra de prestar homenagem a diversos cineastas, produtoras goianas e produtores goianos. Segundo ela, são mulheres e homens, profissionais talentosos que desempenham sua função com grande maestria e perfeição. “Produzem belas obras, as quais têm o poder de nos proporcionar o sentimento de diversas emoções, entreter, alegrar, refletir e despertar uma consciência crítica sobre os mais diversos temas”, disse.

Adriana encerrou, afirmando que esses profissionais atualmente sofrem com o descaso do Governo Federal, que está, na visão dela, está promovendo um duro e covarde ataque contra a indústria audiovisual em nosso país. “Em mais uma ofensiva contra a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) decidiu atacar a principal fonte de fomento de produções audiovisuais no País. Recentemente, encaminhou ao Poder Legislativo um projeto de lei que prevê para 2020 um corte de quase 43% do orçamento do fundo setorial do audiovisual, reduzindo-o para R$ 415,3 milhões. É a menor dotação nominal para o fundo desde 2012”, apontou.

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