CPI da Enel
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no fornecimento de energia elétrica por parte da empresa Enel realizou, nesta quinta-feira, 7, uma reunião ordinária com oitiva com o engenheiro Guilherme Lencastre, diretor de Desenvolvimento de Negócios de Infraestrutura e Redes da Enel Brasil. O encontro teve lugar no auditório Solon Amaral e foi conduzido pelo deputado Henrique Arantes (MDB).
Na abertura da reunião, Henrique Arantes colocou em votação os seguintes requerimentos: Secretaria de Infraestrutura e Transporte do Município de São Simão solicita a mudança de padrão; os engenheiros Jonatas de Araújo Silva e Diego Freire solicitam a liberação de carga para Cmei de São Simão; o munícipe Chico Primo, de Formoso, solicita reparação de fio de alta tensão que está danificado; e a realização de audiências públicas em Ipameri, Mineiros e Águas Lindas.
Além do parlamentar, participaram da reunião, o relator da CPI, Cairo Salim (Pros); os deputados estaduais Amauri Ribeiro (Patriota), Alysson Lima (Republicanos) e Chico KGL (DEM); o advogado da Enel, Carlos Márcio Macedo; o diretor de Desenvolvimento de Negócios e Infraestrutura da Enel Brasil, Guilherme Lencastre; o diretor de Relações Institucionais da empresa, José Nunes; o diretor Jurídico da Enel Goiás, Fabiano Coelho, e a promotora de Justiça Leila Maria.
Esclarecimentos
Durante a reunião, o engenheiro Guilherme Lencastre, diretor de Desenvolvimento de Negócios de Infraestrutura e Redes da Enel Brasil respondeu perguntas dos membros da colegiado. Guilherme disse que, quando ocorreu o processo de privatização da Celg havia muitos problemas. “Você só consegue entender a situação da companhia quando você entra. A degradação da rede estava pior do que imaginamos quando começamos, quando entramos, principalmente na rede rural, pois materiais que a Celg usava não eram duradouros. Havia uma deterioração muito grande. Então, tivemos que fazer um trabalho muito grande”, tratou.
Ele ainda afirmou que a intenção da Enel é fazer tudo o mais rápido possível da melhor maneira. “Não vamos deixar de reconhecer os problemas que existem. O que queremos aqui é a ajuda do Parlamento para que possamos resolver esses problemas mais rapidamente. Estamos tentando acelerar as resoluções. Já colocamos uma série de ações focais, como por exemplo as duas subestações que vamos inaugurar agora em dezembro”, explicou.
O diretor informou ainda que será inaugurada uma subestação para o primeiro semestre de 2020, além de reparações e ampliações em subestações de todo o estado de Goiás. Serão 17 novas subestações, segundo Guilherme. “Todas obras estão em fase de execução. Isso vai trazer uma melhora de atendimento ao cliente e confiabilidade na rede. Ao longo desses anos, os investimentos que foram feitos começam a entrar em efeito agora. Isso também vai beneficiar os produtores rurais’’.
Questionamentos
O deputado Alysson Lima (Republicanos) fez o uso da palavra na reunião ordinária e fez uma série de questionamentos sobre a atuação da companhia no estado. ‘‘A sociedade está com um sentimento de ódio e desapontamento com a empresa e isso, com certeza, não é bom para vocês. Os índices de verificação de qualidade colocam a Enel como a pior do Brasil no ranking. Nós não temos mais tempo nem paciência para esperar que a Enel fique entre as dez melhores do Brasil. Em três anos, vocês só construíram duas estações de energia. O que a empresa está fazendo de maneira prática para resolver os problema do aumento meteórico (no valor) das contas de energia? Ou o cidadão está roubando vocês, ou vocês estão roubando os cidadãos. Eu respeito todos vocês, mas respeito mais ainda quem me colocou aqui como parlamentar’’, disse.
O deputado Amauri Ribeiro (Patriota) se posicionou de forma bastante dura frente aos representantes da empresa no encontro. ‘‘Que empresa vai querer se instalar no estado se não tem fornecimento de energia? Um produtor rural chega a ficar 11 dias sem energia. Eu queria ver se vocês têm coragem de mostrar em público o número de protocolos diários que vocês recebem. Ontem iniciei uma campanha nas redes sociais com a hashtag #foraenel, pra mim é questão de honra que essa empresa saia do nosso estado. Nós vamos fazer um projeto de lei aqui na Casa, para que a cada dia que o cidadão ficar sem energia, vocês vão ter que dar uma indenização diária, isso vai virar lei, vou contar com a assinatura dos 41 deputados da Alego. Têm quanto tempo que nós estamos fazendo essa CPI? Essa empresa só piorou desde então, medidas precisam ser tomadas’’, afirmou.
Votação
Foram colocados requerimentos em votação ao final da reunião, sendo eles a contratação de uma equipe para auditorias de averiguação do desempenho da Enel no estado de Goiás e de audiências públicas nos municípios de Águas Lindas, Mineiros e Ipameri.
Henrique Arantes, presidente da CPI, convocou próxima reunião da Comissão para segunda-feira, 11, na Câmara de Vereadores de Palmeiras de Goiás.