CPI da Enel vai a Palmeiras
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no fornecimento de energia elétrica por parte da empresa Enel realizou, nessa terça-feira, 12, em Palmeiras de Goiás, uma audiência pública com o intuito de ouvir a população sobre o abastecimento de energia na cidade. O encontro teve lugar na Câmara Municipal e foi conduzido pelo relator da CPI, deputado Cairo Salim (Pros).
Além do parlamentar, também compuseram a mesa dos trabalhos: deputados Virmondes Cruvinel (Cidadania) e Amauri Ribeiro (Patriota); advogado Lúcio Flávio, representando a Enel. Também marcaram presença na sessão os vereadores de Palmeiras Murilo Rodrigues dos Santos (PSDB), Constantino Pires Jayme (PSDB), Edvalci Lemes (PSDB), Iron dos Santos (PR), João Batista Machado (PR), José Ismar Morais (SD), Laudimar Rodrigues Gomes (MDB), Leon Deniz Nascimento (PSD), Luis Carlos Mota (PSDB), Nivaldo de Assunção (PTN) e Tais Lopes (PP).
Na abertura do evento, Salim destacou que a CPI já visitou 18 cidades e em todas elas houve reclamações sobre a falta de energia que gera prejuízo a produtores e comerciantes. O parlamentar afirmou que a população tem sofrido e o Estado perde em investimento: “Quem vai investir e trazer indústria onde não há energia?!”.
Segundo o relator, só existe uma forma de o abastecimento de energia melhorar em Goiás, que é através da pressão. "Cabe a nós exigir que a Enel melhore o trabalho”, disse.
Na quinta-feira, 7, o Procon Goiás divulgou que de janeiro a outubro deste ano houve um aumento de 46% de reclamações contra a Enel, em relação ao mesmo período de 2018.
Reclamações
O vereador Murillo dos Santos, presidente da Câmara, falou a respeito da falta de energia que tem assolado a população de Palmeiras. Ele afirmou que a energia que deveria ser 220 volts chega com a tensão de apenas 165 volts na Câmara Municipal. “No último mês o valor da energia dobrou para a população mesmo não havendo aumento no consumo. Temos que questionar o porquê disso”, afirmou .
O deputado Amauri Ribeiro definiu a situação energética de Goiás como “vergonhosa” e afirmou que o produtor rural tem tido muito prejuízo pela falta de abastecimento de energia e não são casos isolados. “Em todos os municípios de Goiás, a população tem ficado cinco dias sem energia, e para a população só fica o prejuízo que não é reposto pela empresa”, afirmou.
Virmondes também usou a palavra e falou que é importante buscar respostas rápidas tanto dos políticos e da empresa.
Moradores presentes na audiência expuseram problemas e prejuízos causados pela constante falta de energia. O comerciante Gilson Martins de Carvalho relatou ter tido um prejuízo de cerca de 5 mil reais nos últimos meses em seu supermercado. Segundo ele, além de mercadorias como carnes, sorvetes e laticínios, equipamentos, como freezer, foram perdidos pelas constantes quedas de energia.
“Ficamos quase 24 horas sem energia no supermercado, tive que jogar uma quantidade enorme de carne fora. É uma irresponsabilidade, porque pagamos caro pela energia e não temos nem o básico. Quanto mais o preço sobe, pior fica abastecimento da Enel”, reclamou.
Defesa
O primeiro representante da Enel a responder os questionamentos das pessoas foi o engenheiro eletricista Moisés Lemes, que disse ser o intuito da Enel levar energia com excelência à população, e faz isso com normativas e procedimentos. “Acreditamos que os princípios de procedimentos é o que faz com que prestamos um bom serviço de qualidade. A segurança do trabalho está aliada com essa qualidade”, disse, informando que a regional da empresa aumentará o número de colaboradores para melhorar a manutenção da estrutura para agilizar o atendimento.
Advogado da Enel, Lúcio Flávio afirmou que a Enel está interessada em resolver todos os problemas e cobranças. “Não pensem que a Enel está confortável com as reclamações. Nenhuma empresa quer prestar um mau atendimento aos seus consumidores”, disse.
Lúcio Flávio também explicou que a culpa do mau abastecimento de energia no estado é da Celg, que foi sucateada em anos passados. O advogado frisou que a empresa vai investir mais de 1 milhão de reais por mês na energia elétrica do País. “A Enel está há apenas 30 meses na direção da empresa. A Enel não é o problema do estado de Goiás, é a solução”, afirmou.