Dia Mundial da Voz
Neste Dia Mundial da Voz, o Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia e a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa) realizam a 16ª edição da campanha Amigos da Voz. A temática de 2021 é: “Sua voz diz muito sobre você”, no intuito de enaltecer a voz como elemento identitário e essencial para a vida em sociedade.
Sílvia Maria Ramos é professora da graduação em Fonoaudiologia na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e diretora-secretária do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFF). Ela, que também presta atendimento clínico a profissionais da comunicação, defende que a voz deve ser encarada por todos como um patrimônio. “Os cuidados vocais devem ser constantes, pois qualquer alteração, mesmo mínima, pode prejudicar a performance vocal. Assim como um atleta precisa cuidar, diariamente, de seu condicionamento físico, o profissional da voz deve manter os cuidados vocais no seu dia a dia”, aconselha.
A emissão da voz não envolve apenas o aparelho vocal, mas também a postura, a alimentação e a saúde do corpo e da mente. Por isso, Sílvia Ramos apresenta uma série de cuidados cotidianos capazes de melhorar o controle vocal e a qualidade da comunicação oral. “Articule bem as palavras, sem realizar esforço vocal; mantenha uma boa postura corporal ao falar ou cantar; beba água com frequência para manter a hidratação das estruturas vocais; tenha uma alimentação saudável rica em frutas e proteínas; use roupas confortáveis que permitam uma boa movimentação de abdômen, tórax e pescoço; procure reduzir a quantidade de fala durante quadros gripais, crises alérgicas e período pré-menstrual”, enumera a profissional.
A fonoaudióloga explica que não devem ser ignorados os sintomas de alteração vocal, como ardência ou dor durante a fala, pigarro, rouquidão, falhas na voz e mudanças inesperadas de tom. “No caso de problemas vocais, procure um fonoaudiólogo e um médico otorrinolaringologista”, alerta.
A profissional aponta, ainda, alguns comportamentos que sobrecarregam as estruturas vocais. São eles:
- Falar por longos períodos, principalmente em ambientes ruidosos;
- Pigarrear, gritar e dar gargalhadas exageradas;
- Ingerir leite e derivados, bebidas geladas e bebidas gasosas;
- Ingerir chocolate antes de utilizar a voz de forma contínua;
- Ingerir álcool em excesso, bem como outras drogas.
Identidade e expressão
A voz é um dos elementos que constituem a identidade de cada pessoa. Por meio dela, também é possível expressar sentimentos, humor e opiniões. Esse recurso é relevante para qualquer indivíduo, mas ainda mais para aqueles que fazem da fala um instrumento de trabalho. É o caso do presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) do Legislativo goiano, deputado Humberto Aidar (MDB), que atribui ao trabalho no rádio a oportunidade de ter ingressado na vida pública.
“Foi como radialista, comunicador e apresentador de shows que consegui me tornar uma figura conhecida. Hoje, tenho sete mandatos, sendo seis de deputado e um de vereador, e isso graças à minha voz. Tenho 44 anos ininterruptos de profissão e muito orgulho de ser um comunicador. Então, deixo minha saudação a todos os profissionais que usam a voz: radialistas, repórteres, cantores, políticos, vendedores, professores, todos. Que saibamos cuidar dessa nossa ferramenta de trabalho”, conclama o parlamentar.
Graduada em Música pela Universidade Federal de Goiás (UFG), a soprano Pâmella Calaço canta desde criança e todas suas experiências profissionais envolvem a música. Nos últimos 24 anos, ela já cantou em corais, regeu coros, inclusive o da Alego, fez backing vocal, cantou em casamentos, bares e igrejas. “Uma das minhas vivências mais marcantes é o trabalho no Coro Sinfônico de Goiânia, que me trouxe o universo do canto lírico, com o qual eu não era tão familiarizada. Tenho orgulho de integrar esse grupo e de todas as minhas experiências vocais”, resume.
A cantora, que também atua como professora de canto e de teoria musical, define a importância da voz no processo de musicalização. “A voz é o primeiro caminho para você descobrir a musicalidade de uma pessoa. Usar a voz é sentir a música em você mesmo. Então, até os instrumentistas passam por uma formação vocal. Já o aluno de canto precisa desenvolver uma consciência corporal, todo um trabalho para compreender que ele é o próprio instrumento”, explica Pâmella.
Desde que se formou no curso profissionalizante de Teatro, em 1993, o ator Hugo Picchi encontrou na voz sua principal forma de expressão artística. Responsável por dar vida a diversos personagens de programas de TV como Cocoricó (Alípio, Astolfo e Kiko), Ilha Rá-Tim-Bum (Tatu Rá) e Bom Dia e Companhia, Hugo consegue imprimir diversas nuances à própria voz. Seja como ator, diretor de voz original, dublador ou locutor, ele é um exemplo de como a versatilidade é importante nesse mercado. “Na voz original é interessante que você trabalhe timbres diferentes, estilos diferentes, personagens mais caricatos ou mais naturalistas. Também é preciso ter sensibilidade para entender a intenção exigida em cada interpretação”, ensina Picchi.
Também apaixonado pela voz, o locutor Claudir Gomes está no ramo desde a adolescência. “Tive uma jornada de 28 anos trabalhando no rádio e há três anos estou no mercado publicitário. Tenho um home studio e daqui sai a minha voz para qualquer parte do mundo. Não é um mercado fácil, pois existe muita concorrência. Mas cada voz é única e cabe em um tipo diferente de trabalho”, aponta o locutor. Claudir considera que em sua profissão é essencial se atualizar. “O mercado está exigindo uma voz natural, uma voz que transmite verdade. É importante estudar, praticar, ler bastante e não desistir”, aconselha.
Formada em Publicidade e locutora profissional desde 2002, Nadya Schwingel também é professora na área, atualmente. Mais de 1.500 alunos já passaram pelo curso, que tem como premissa a ideia de que qualquer pessoa pode ser treinada para trabalhar com a voz. Ela conta que o mercado tem uma gama muito ampla de possibilidades, como áudio para TV, sites, redes sociais, chamadas telefônicas, geolocalização, audiodescrição, dublagem e várias outras modalidades, mas relata que a profissão exige alguns sacrifícios.
“O mais importante é ter resiliência, paciência e disposição para conseguir treinar o aparelho vocal com cuidado diário; por exemplo, ficar sem beber, sem sair para não prejudicar o repouso necessário. Essa disciplina faz diferença. Rende maior produtividade, poucos erros e uma voz mais treinada”, enumera a professora. Ela acrescenta que o estudo e a prática são essenciais para o sucesso no ramo, afinal, “equipamentos caros não salvam locuções ruins”, alfineta.