Dia da Conservação do Solo
Nessa quinta-feira, 15, foi comemorado o Dia Nacional da Conservação do Solo, conforme a promulgação da Lei Federal nº 7.876, de 13 de novembro de 1989. A escolha dessa data foi em homenagem a Hugh Hammond Bennett - o pai da conservação do solo nos Estados Unidos da América (EUA). Esse dia propõe uma reflexão sobre a conservação dos solos e a necessidade da utilização adequada desse recurso natural.
O solo é vivo! Contém macro e microrganismos que auxiliam no fornecimento de nutrientes às plantas e a outros seres vivos que estão presentes nele. Para o nosso próprio bem-estar é essencial preservarmos o solo vivo e saudável. O Dia Nacional da Conservação do Solo é uma data para fomentar mais ações e discussões sobre o tema, gerar curiosidade e pesquisa sobre o assunto e fazer pensar no que cada um pode contribuir para a conservação do solo no País e no mundo.
Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Goiás, deputado Lucas Calil (PSD), é preciso “conscientizar as pessoas sobre a importância do reflorestamento, da eliminação do uso de fertilizantes e pesticidas nocivos, do descarte adequado do lixo e da luta contra a destruição dos ecossistemas naturais, que servem de lar para milhares de espécies animais e vegetais”.
Calil ressaltou iniciativa de sua autoria, instituída pela Lei 20.552, em que se celebra, em 22 de novembro, o Dia Estadual da Consciência Ambiental. Durante a comemoração dessa data, é colocado em prática o projeto Virada Ambiental, onde toda a comunidade, impulsionada pelas prefeituras, é convidada a plantar mudas de espécies nativas, em localidades diversas, com programações distintas e, preferencialmente, ao mesmo tempo. É um convite para que o cidadão possa exercer uma prática sustentável, e realizar sua contribuição efetiva para melhoria do meio ambiente.
“O Virada Ambiental é um programa reconhecido nacionalmente. Ele tinha como objetivo plantar mudas apenas em Goiás, mas, agora, já se espalhou pelo Brasil todo. Hoje, o projeto tem sido referência, até mesmo, internacional. Essa é uma das ações que desenvolvemos em prol do meio ambiente, consequentemente para o nosso solo. Precisamos manter o solo vivo”, frisou o parlamentar.
O solo precisa estar em debate
De acordo com a professora doutora Renata Santos Momoli da Universidade Federal de Goiás (UFG), especialista em solos e nutrição de plantas, ter um dia específico para falar sobre o esse recurso é essencial. “É importante e, às vezes, negligenciado em sua divulgação. É preciso trazer essa exposição para fazer as pessoas refletirem sobre a importância desse elemento. A maioria das pessoas relaciona o solo só com a produção de alimentos, mas ele tem outras funções como a regulação das enchentes e do clima, e o sequestro de carbono da atmosfera”, explicou.
Ao tratar de como a instituição, durante o ensino, contribui com a preservação e com o reconhecimento da importância do solo em Goiás, Renata citou uma pesquisa que a UFG promove juntamente com a Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeg) e a multinacional Votorantim. “A intenção é entender mais a fundo os solos para propor melhor uso econômico e ao mesmo tempo evitar que sejam degradados”, afirmou a professora doutora.
Além disso, Renata Momoli falou sobre os projetos de extensão que a UFG promove. “Coordeno vários como o Projeto Solo na Escola entre UFG e Universidade de São Paulo (USP). Tiramos o conhecimento dos muros da universidade e passamos para fora, tanto para as crianças que estão aprendendo, também em assentamentos rurais e para gestores públicos, pois identificamos que a sociedade, em geral, sabe muito pouco sobre o solo. Então, buscamos enquanto universidade, atuar nessas frentes”, tratou.
A docente explicou, ainda, que o maior problema que afeta os solos, tanto em Goiás, como em outros estados brasileiros, é a erosão. “Reconhecida, mundialmente, como o pior problema que assola nosso Planeta, gerando um prejuízo de bilhões de dólares. Principalmente a erosão hídrica, aquela que acontece por causa da chuva. Quando se perde solo não há recuperação mais. É um efeito catastrófico”.
Por fim, Renata Momoli mencionou uma iniciativa desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e várias instituições de ensino e pesquisa. “É o Pronasolo. O projeto busca gerar novos mapas de solo para orientar melhor sobre a qualidade e os tipos de solo de cada região brasileira e, dessa forma, proteger o recurso”, concluiu.