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Os perigos da democracia e da credibilidade

11 de Abril de 2008 às 09:49
As distorções no emprego da democracia, os parêmtros de uma contuda ética de um político, a credibilidade de pesquisas eleitorais, e os reflexos no processo eleitoral. Estes temas foram abordados pelo deputado Wagner Guimarães (PMDB) em artigo publicado no jornal "Diário da Manhã", na edição de 10.04.08.
*Wagner Guimarães deputado estadual pelo PMDB

Sempre que me deparo com alguma citação da palavra “democracia”, num discurso político ou em qualquer situação fortuita, surge uma confusão imediata, uma incapacidade de aceitá-la como o parâmetro de conduta ética que tantas vezes é evocado. O uso corriqueiro da palavra parece ter esticado seu sentido numa linha absurda que uniu o conceito original de organização política do Estado moderno a uma simples expressão de imunidade, acionada para revestir-se de razão ou proteger-se da acusação espúria. Tornou-se um ornamento, uma espécie de broche institucional, que ilegitimamente afixado no terno do incoerente, do corrupto, do desonesto, confere status de justo e sensato. “Tudo posso naquela que me fortalece!”

Essa parece ser a forma que impera nas estruturas públicas, nas instituições, na vida política em Goiás. Não quero fazer disso uma redenção, integro este jogo e já entrei sabendo das regras, mas não por isso deixaria de me descontentar com esta coisa disforme que paira diante de nós no exercício de um mandato e que, a cada momento, assume nova configuração, sempre guiada por quem concentra mais poder. A democracia tem dono, e se não nos curvarmos diante dele, ela também se volta contra nós.

Outro vocábulo perigoso pela idoneidade de que vem automaticamente imbuído: credibilidade. Muitas vezes amparada pelos tapumes da qualidade ou da tradição, a credibilidade é usada para esconder interesses e fazer concretizar vantagens específicas de grupos ou indivíduos. Isso sim é nefasto, isso sim talvez seja pior que os muitos usos da democracia – que de tão banal se perdeu entre os muitos sentidos –, mas a credibilidade vem sempre travestida de verdade, às vezes, oficial, e quando nos damos conta dos danos, lá na frente, não temos sequer condições de entender o que os causaram.

Um exemplo bastante prático são as pesquisas eleitorais. Durante a campanha municipal de 2004, em Rio Verde, suei, sofri, lutei com todas as forças para conquistar cada voto que tive para prefeito. As expectativas eram as melhores, o sentimento que me chegava da rua era de uma esperança quase concreta, além do que, minha equipe dispunha de pesquisas internas que davam vantagem, apertada, mas davam. Um dia antes da votação, porém, uma tal pesquisa Serpes, inflamada de tanta credibilidade, antecipou minha sentença de derrota, irreversível pela distância a que me colocou do primeiro candidato, uma distância quilométrica. Perdi por 379 votos num universo de quase 70 mil eleitores, encostado, e até hoje me pergunto até que ponto aquela pesquisa não me prejudicou, até que ponto não fui bobo de tanto ter alimentado um sonho em vão.

A partir daí, me tornei cético com relação a pesquisas eleitorais, principalmente aquelas publicadas com muita antecedência, porque normalmente têm uma intenção escusa por trás do discurso da informação objetiva. Na medida em que institutos de pesquisa e veículos de comunicação fazem o jogo de políticos, na medida em que disputam com eles esta credibilidade, também se tornam políticos, porque também passam a defender interesses políticos específicos. Essa é a democracia que somos obrigados a engolir, essa é a credibilidade que fantasia nossas instituições e nos faz viver nesse mundo de faz de conta democrático. Se não superamos essa situação, não somos obrigados a concordar com ela.

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