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Gestão eficiente nas escolas

15 de Abril de 2008 às 16:16
A realidade do ensino no Estado, os paradoxos existentes entre a estrutura física e as notas obtidas no Enem, os caminhos para se obter uma educação de qualidade. Estes são temas abordados pelo deputado Thiago Peixoto (PMDB) em artigo publicado no jornal "O Popular", edição de 14.04.2008.

* Thiago Peixoto é economista e deputado estadual pelo PMDB.

Visitei escolas públicas estaduais da Região Metropolitana de Goiânia. Tinha em mãos os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), importante diagnóstico dos sistemas de ensino médio. Era preciso conhecer qual a real situação das unidades que obtiveram as cinco melhores notas - exceção dos colégios militares - e as que ficaram nos cinco últimos lugares.

O que as faz atingir bons resultados ou ter um desempenho ruim? Recebido por diretores, coordenadores e professores, pude conversar com os responsáveis pela gestão das escolas e das salas de aula, aqueles que precisam responder se o aluno está aprendendo ou não.

Durante as visitas, a constatação de um paradoxo: escolas com boa infra-estrutura e notas ruins no Enem; escolas com notas boas e carentes em infra-estrutura. Outro ponto: a lista de desculpas das unidades que ocuparam os cinco últimos lugares no ranking do exame nacional. Culpam os alunos, os pais, as dificuldades sociais da região, mas se esquecem de aproveitar o resultado do exame para uma análise de seus fracassos. Quando perguntamos o que fazer para melhorar, respondem que a “solução mágica” se limita ao aumento do salário dos professores.

Concordo que a remuneração é um dos principais itens para valorizar o professor e dar mais dignidade a sua profissão. Para quem estiver disposto a mudar a realidade educacional brasileira, esta deve ser uma prioridade. Porém, não podemos restringir a resolução dos problemas educacionais a este ponto. Se esta fosse a única saída para obtermos educação de qualidade, como explicar que duas escolas na periferia, vizinhas de bairros, infra-estrutura semelhante e mesma remuneração dos professores conseguem atingir resultados tão diferentes? Uma com notas altamente positivas e a outra com resultados pífios?

Tantas semelhanças e uma gritante diferença: gestão. Enquanto a escola com a nota ruim enumera desculpas e trata a avaliação como inimiga, a melhor colocada aproveita o Enem como um aliado capaz de diagnosticar seus erros e trabalha em busca de soluções.

As avaliações devem ser encaradas não como ameaças, e sim como oportunidades de buscar métodos adequados para alcançar uma educação de boa qualidade. Estes e outros exames são fundamentais – para se chegar a algum lugar, é preciso saber onde estamos.

As escolas com gestão eficiente têm foco claro no aluno: preocupação em ensinar, compromisso com resultados, bons diretores integrados à comunidade e estímulo à participação dos pais. Estas são as escolas lideradas pela eficiência.

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